Teremos dois ou quatro candidatos ao governo?

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Em política toda ação corresponde a um passo pensando no processo eleitoral. Quem pensar o contrário pode até achar que está certo, mais em verdade não entende nada de política. Exemplo: quando um governante é eleito, ele e sua equipe já traçam todos os planos pensando na viabilidade eleitoral no próximo pleito. No entanto, como parcela significativa da população abominaria esse comportamento se fosse colocado às claras desde o primeiro momento, os políticos, estrategicamente, evitam ao máximo falar publicamente sobre eleição quando o processo ainda está distante. Só para exemplificar: é o que faz hoje o prefeito Marcelo Déda, até porque tem pouco tempo que foi reeleito.

 

No entanto, seus correligionários, não escondem a ansiedade de vê-lo declarando publicamente ser candidato ao Governo. As declarações públicas de pelo menos dois deles: Jackson Barreto e Heleno Silva traduzem bem este sentimento. O senador Antônio Carlos Valadares, por sua vez, prefere trabalhar mais discretamente. Dialoga com o ex-governador Albano Franco e é apontado por petistas e não petista como articulador de um processo, nos bastidores, para queimar a administração e provável candidatura de Déda ao governo. As preocupações de petistas e aliados procedem. Eles também sabem que hoje, no chamado bloco de oposição ao Governo do Estado, Valadares é o único nome com reais possibilidades de inviabilizar a candidatura de Déda.

 

Enquanto petistas e aliados trabalham a sucessão mais discretamente. Evitando ao máximo tornar públicas suas posições, entre os que fazem e/ou apóiam o governador João Alves Filho, o processo sucessório já foi deflagrado. Quem deu o primeiro alarde foi o senador Almeida Lima (ex-PDT e hoje no PSDB). Disse ter trocado de partido para viabilizar sua candidatura ao Governo do Estado. Para isso buscou o fortalecimento de seu bloco político, juntando-se ao Superintendente do Sebrae, Zezinho Guimarães – que trabalha sua candidatura a deputado federal, a Max Andrade e Gilson Figueiredo, ambos ex-auxiliares de João Alves, que deixaram o governo.

 

Até então o governador João Alves aparentava estar distante do processo político eleitoral do próximo ano. Tema, aliás, que foi exposto em artigo por este colunista. Decidiu dar sinais de que pretendia disputar a reeleição ao mudar os secretários de Saúde, Educação e outros órgãos auxiliares. Depois disso deu uma parada. Agora retoma o processo com mais força. Primeiro retomou os contatos com lideranças políticas do interior e empolgado chegou a admitir que disputará a reeleição. No mesmo dia muda sua estrutura de comunicação. No entanto ainda falta observar melhor a movimentação de sua bancada na Assembléia. Tem muita gente insatisfeita. Por fim terá que neutralizar, desde já, as movimentações do senador Almeida Lima e seu grupo “do comércio”. Isso feito, é fazer uma administração com aprovação popular e costurar as alianças.

 

Enquanto João Alves tem como calo o senador Almeida Lima e seus novos aliados, Déda tem o também senador Valadares…. Resta saber se diante desse quadro, teremos dois, três ou quatro candidatos ao governo do Estado.

 

José Araújo é jornalista

josearaujp@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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