‘Tiempos recios’

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Estou a passeio em Buenos Aires.

Vim ver como está a Argentina após um pleito eleitoral que vitoriou Alberto Fernandes como novo presidente portenho.

É o peronismo que retorna trazendo consigo Cristina Kirchner, agora como Vice-presidente e real suporte eleitoral.

A Argentina é bem diferente do Brasil.

Aqui o peronismo é uma força viva com o rosto de Evita pontificando como melhor destaque da Avenida 9 de Julho, a mais larga, por imponente do mundo.

Se Eva Duarte e Juan Peron restaram imortais em milhões de seguidores na Argentina, resistindo ainda no terceiro milênio com os Kirchner, no Brasil Getúlio Vargas não legou um rasto por lembrança.

Buenos Aires, por exemplo, tem seus logradouros públicos enaltecendo seus líderes do passado sejam eles blancos ou colorados, justicialistas ou radicais.

No Brasil não há heróis nem referências. Todos somos pigmeus e eivados de defeitos.

O brasileiro se crê tão defeituoso que vale a pena qualquer demolição.

Agora mesmo estou a saber, via internet, que o Presidente Bolsonaro foi acusado pela rede Globo de estar envolvido com o assassinato da vereadora Marielle Franco, aquela que mataram gratuitamente sem culpa.

Por que mataram Marielle?

Ninguém responde, afinal ei-la mártir à procura de uma causa, enquanto negra, mulher e lésbica.

Alguém mata outrem só por ser mulher, negra ou lésbica?

Para os que procuram novos mártires, eis um altar erigido a procura de adoradores.

Assim eis os tempos difíceis, só para usar o título do novo livro de Vargas Llosa, “Tiempos recios”, que adquiri na livraria “El Ateneo”, em Buenos Aires, já que não vi publicado ainda em português.

Buenos Aires está tranquila. Nada melhor que uma eleição para acalmar o povo.

“É preciso que tudo mude para permanecer igual”, eis a célebre frase de Tomasi de Lampedusa. E nada melhor que uma eleição com muitas promessas renovadas.

A julgar pelo discursar do noticiário televisivo argentino, a classe obreira irá atingir o paraíso.

Diferente do Brasil, aqui se fala muito em liberdade e opressão; operários contra patrões.

O pensamento liberal da geração de empregos via iniciativa privada dará lugar ao pensamento dito progressista.

Progressismos à parte estou contemplando Buenos Aires com o seu comércio com lojas vazias e poucos vendedores, e uma excedente comercialização de moedas,um Real valendo quinze pesos.

Enquanto a Argentina está feliz, o noticiário fala de distúrbios em Santiago, na Bolívia e a rede Gobo atacando o Presidente Bolsonaro, tentando incrimina-ló com o caso Marielle.

São tempos difíceis e podem bem piorar.

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