Todos a favor do protecionismo.

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A crise econômica sofrida pelos americanos tem suscitado diversos comentários sobre a falência do neoliberalismo, entendido como a causa de todos os males, segundo os ardentes defensores do poder do Estado para a solução de tudo, manietando o cidadão, inviabilizando seu sonho e castrando a sua criatividade.

 

E assim eis que voltam os arautos do socialismo, de uma forma envergonhada e não assumida, afinal os de agora, têm pejo de toda uma história de fracassos e crimes.

 

Mas, se poucos se denunciam como stalinistas, trotskistas, leninistas, maoístas, esquecidos agora dos pogrons siberianos, das “sempre amenas” revoluções culturais, e das releituras de tantos marxistas de poucas letras, eis agora John Maynard Keynes ressuscitado, e citado a exaustão como se fora avesso ao capitalismo, ou socialista de expressão, utilizando a sua pregação necessária da intervenção do estado no saneamento do mercado em perspectiva de recessão, para daí desencadear os obscenos projetos estatistas dos que defendem o Estado perdulário e provedor, insinuando a velha política do Bem Estar Social, tão bela como o orgasmo de uma noite de verão, alcalóide substancial da pelegada sindical, adepta da greve no mau emprego, e do desapego ao bom proveito e a sua produtividade.

 

Assim, porque da catástrofe anunciada surge a pregação esperta, eis que já falam, só por maldade, da necessidade de se estabelecer a estabilidade no emprego, mediante decreto ou medida provisória, sem olhar que por aqui, por ali e bem além no alhures, de todos os lugares e resistindo a todos os esgares e esconjures, o trabalhador estável se torna ineficiente e displicente, em qualquer prestação de serviço; caso do serviço público do Estado brasileiro, por exemplo, em todos os setores sem exceção, desde os mal pagos que se justificam como tal, aos regiamente remunerados e nababos como mal. Isto é: vícios e resquícios do serviço público que por ofício e esperdício se administra muito mal.

 

Mas, independente de outros esperdícios estatistas, como toda religião de multidão, o socialismo dá status a quem lhe jura credo ou paixão, sobretudo o esquerdismo este seu corolário degradado por perversão e despreparo.

 

E como toda perversão de crença ou idiossincrasia universal, o socialismo tem os seus fanáticos; dos carolas aos lunáticos, passando pelos cartolas protegidos em seus pálios e agasalhados nos altos cargos de excedentes pompas e paramentos, em ganhos vários de salários e emolumentos, e os que, tolos, mas sempre ternos, se fazem esquerdistas peripatéticos, mas que nunca aprendem com o eterno perambular dos descaminhos da humanidade.

 

Sem falar que existem os que destoam por maiorias, de outros tantos anoéticos, que não lêem, não estudam, nem raciocinam, estes que em expressiva mediocridade tropeçam numa via não intelectual, em citações de muitas muletas, jamais apreendendo com a realidade, cegando a si e aos seus, ousando posar de independente da racionalidade, ou de um pensamento lógico e consciente.

 

Estes que, em dolosa perversão cultural exibem resiliência perniciosa como se estivessem em permanente puberdade, quando em verdade lhe grassa a venalidade senil a corvejar como harpias, punindo o ousado Prometeu, que libertou o homem de todas as suas amarras.

 

Harpias que lhe dilaceram o fígado, só para incomodá-lo em pena cruel e interminável, iguais às megeras socialistas, agora crocitando contra o mercado, juntando o seu grasnar enganador ao coro de corruptos e demagogos, que parasitando no poder, alardeiam ser o Estado bem mais puro que o cidadão.

 

E o Brasil, como tema recorrente de eterno retorno, está pronto a reapresentar sua face enrugada e malévola de depositário ideológico do atraso, se arvorando em novo palmilhar nas velhas veredas do atraso, do subdesenvolvimento, do compadrio e da corrupção.

 

Ora, se a busca da eficiência, a ablação do patrimonialismo e a regulamentação não vingaram em suficiência na nossa “constituição cidadã”, gestada e parida, em plena contemplação embasbacada da derrubada das utopias socialistas junto ao emblemático muro de Berlin, que dizer agora quando o noticiário fala somente das crises por que passam as economias mais saudáveis do planeta?

 

Se não bastou ao nosso constituinte a visão dos tijolos sendo carregados como troféus pelos berlinenses orientais para que o Brasil tivesse sua carta magna menos permissiva com tantos desmandos a atrasar o desenvolvimento em excesso de direitos sem deveres, como pensar se agora, em plena crise financeira mundial, não sobrevirão novas concessões de benesses?

 

Ah! Como faz falta a consciência crítica de pensadores como José Guilherme Merquior e Roberto Campos nos tempos de hoje! Sobretudo o refletir de “Bob Fields”, que enfrentava a canalha patrulhadora e reducionista, só porque denunciou as idas e vindas dos governos brasileiros no vai e vem inútil de sua política econômica prepucial, como se ao nosso falo varonil acompanhasse uma excedente prega a dificultar a glande nacional na busca da fecundidade.

 

Como não ver que tal excedente prega está sendo requisitada nas políticas de muitos incentivos de subsídios e proteções de sempre, alegando-se que o livre mercado, a concorrência sem amarras, e as buscas do lucro e da eficiência estão feridas de morte?

 

Quem fala e grita contra a eficiência e a livre disputa do mercado não está louvando este velho prepúcio, borrachudo e sebento, por massudo e sem sustento que não fertiliza e nem viola e só sabe se fazer feioso, brochante e seboso? Ou alguém gosta de possuir este coro oscilante num vai-não-vai dificultando todas as tentativas e suscitando as desistências, sem nunca chegar ao lugar destino?

 

Ah! A comparação é pobre, mas necessária; O desenvolvimento de um povo só se faz com muita luta e persistência no estudo e no trabalho, jamais na esperteza que somos rotineiramente convidados, enquanto brasileiros em nossos jeitinhos parasitários e ideológicos.

 

E por falar em jeitinhos ideológicos e outros parasitos, não é à toa que nos vem da Itália uma extensão da incomodativa apreciação de De Gaulle que dissera sobre a caça e a pesca da lagosta: “O Brasil não é um país sério”.

 

Estamos na berlinda internacional, não pela lagosta, mas por amparar terroristas e assassinos internacionais. E assim, não bastando os nossos criminosos impunes, estamos querendo nos transformar na ilha de fantasia dos malfeitores de fora.

 

É o Brasil inzoneiro e manhoso recebendo do velho mundo, da carbonária Itália de Mazzini e berço de Beccaria, Machiavel e Bobbio, este comentário senão injusto e não menos verdadeiro: “O Brasil não se destaca por seus juristas, mas sim por suas dançarinas”.

 

Um comentário maldoso, é verdade, mas poderia ter sido mais descaridoso ainda, afinal nossa fama é de natureza promíscua e permissiva no campo sexual, e agora nos queremos tornar o depositário dos criminosos e matadores do planeta.

 

Mas, deixemos o sexo, a ginga e a manha e até o inferno de Dante onde padecem tantos mal intencionados e é o nosso fim por excelência. Voltemos ao nosso tema e o dilema da esperteza patrícia do Estado provedor invocado para atuar regulatoriamente na economia para sanear o mercado, se fazendo sócio do desmando que precisava quebrar, por incompetência e má administração.

 

Os velhos sofismas estão retornando como dogmas. Seus pregadores atacam a política de contenção de gastos, de moderação de despesas, do restringir-se aos orçamentos.

 

“Em farinha pouca, meu pirão primeiro”! Grita o esperto egoísta que não aceita mordida frugal. E nada melhor do que a farra com o mingau dos outros!

 

Todos querem a baixa dos juros, mas todo mundo sabe que a carestia dos empréstimos vem das taxas bancárias, e porque neste mesmo tom o comércio resolveu ser banco e vender somente a prazo, a perder de vista, em alguns casos. Todos querendo ganhar com a agiotagem financeira.

 

Ninguém mais quer vender a dinheiro. Não há desconto para quem deseja comprar “cash”, em dinheiro vivo. É um sinal de que a inadimplência está pequena, e vender a prazo não está sendo uma atividade de muito risco.

 

Por outro lado, o governo Lula, norteado talvez na melhor das intenções, facilitou o crédito com desconto no salário de pensionistas, aposentados e funcionários. E assim um rendoso mercado foi criado, um universo de endividados, encalacrados por juros escaldantes de financeiras várias, que agarram nos calçadões e praças o incauto tolo, com a promessa do dinheiro barato.

 

Ora, são poucos os humanos que se organizam e conseguem sobreviver com o próprio salário, sobretudo em plena vigência do doce consumismo hedonista. Uma grande parte vive do berço ao túmulo refém de agiotas, mesmo sabendo que a agiotagem é condenada em todas as crenças, e o inferno seja o seu destino por anátema.

 

Mas, não existe maldição para quem prega o descaminho. Se houvesse, o crime não compensaria tanto aos que permanecem impunes.

 

Será seguro este mercado de crédito fácil com desconto assegurado no contracheque? Só o tempo dirá.

 

A história do descompasso entre a moeda e o crédito, tão pensado por Keynes agora tão revisitado e requisitado tem revelado muitas crises de solvência, sobretudo a recente turbulência dos financiamentos habitacionais americanos.

 

Por aqui, dizem em confianças e tranqüilidades, que estamos imunes a crises; temos um fundo soberano que suportará marolas e cataclismos.

 

Pelo sim ou pelo não, eis que vem de fora o velho protecionismo, em novo ataque ao livre comércio e o mercado sem amarras. Os Estados Unidos da América, os eternos exploradores de tantos, estão se fechando ao mercado.

 

Em proteção aos seus trabalhadores, a América está criando barreiras contra os produtos importados. Trata-se de uma política antes ditada só pelos países pobres, e que deixou de vingar no Brasil desde o tempo do Governo Collor.

 

Para os que só se lembram do impeachment, é bom lembrar que após a constituinte ainda grassava uma regulamentação apeando a importação de carros a computadores, passando por peças e máquinas sofisticadas que impedia o progresso do país; os carros eram “carroças”, a reserva de mercado da informática era nociva e a política de substituição de importação só enriquecia firmas obsoletas, por ultrapassadas e ineficientes.

 

Ou seja, a reserva de mercado, medida pregada por estatistas e subsidiários, e de tantos negocistas e chupins parasitas, é um câncer que em longo prazo corrói qualquer economia saudável.

 

E o Brasil que estava até agora com um bom saldo em sua balança comercial deverá sofrer com tal restrição americana.

 

Como a toda ação resulta uma reação, em desfocada avaliação da Lei de Newton, confundida com a lei do talião ou o código de Hamurabi, não faltarão dos países a vendeta do olho por olho e o dente por dente, e assim logo, logo, todos pregarão a favor do protecionismo.

 

Ora, se todos se protegerem uns contra os outros, não voltaremos ao atraso e a depressão?

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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