Tomar do Geru (SE): igreja símbolo dos jesuítas

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Altar revestido de pó de ouro: relíquia em Sergipe. Foto: Sílvio Oliveira

O altar reluz ouro em meio às imagens de Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier. O símbolo da Companhia de Jesus no Brasil está presente no teto principal da igreja, marca das construções jesuíticas. Flores, anjos e adornos remetem as devoções marianas. É em Tomar do Geru (SE) que foi erguida a principal igreja jesuítica de Sergipe, datado do século XVII: a igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, pauta para a segunda matéria da série "Caminhos dos Jesuítas". 

Nas proximidades dos riosPiauí e Real, sul de Sergipe, os jesuítas tiveram a missão de catequizar os índiosKiriris, fixando-se na região em 1683 com a compra de um sítio da companhia religiosa dos Franciscanos. A Missão Geru era uma povoação indígena administrada por padres jesuítas, muito próspera com a criação de gado. Essa Missão é considerada a única em Sergipe que passou a ser vila e depois cidade, hoje Tomar do Geru, já que a igreja não foi a leilão com a expulsão dos jesuítas das colônias portuguesas, em 1759.

Arquitetura simples na parte externa. Foto: Sílvio Oliveira

A igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi construída em 1688 por iniciativa do padre italiano Luís VincêncioMamiani. Ela difere em sua estrutura externa dos demais templos jesuítas de Sergipe por ser simples e não apresentar os famosos arcos de outras construções. O cruzeiro à frente a área externa onde acontecia todos os eventos festivos e religiosos e o pórtico de entrada em pedra sabão assemelha-se aos outros templos, esse com com inscrição MDCLXXXVIII na porta.

Conta alguns estudos que a construção da igreja foi cheia de segredos e lendas, mas tudo indica que sofreu grande influência da cidade de Tomar, em Portugal. Os templários tiveram costumes tidos como pagão, vindo a influenciar também os jesuítas da época, ou seja, o templo tem simbologiastemplárias-jesuítas, a exemplo de adornos proveniente do Egito Antigo, onde adorava-se o deus Amon-Rá e Ísis , além da flor de Isis encontrada em vários locais da igreja e no anagrama jesuíta no teto da igreja .

Detalhes com sete anjos diferentes e adornos marianos. Foto: Sílvio oliveira

A presença de flores, galhos e espinhos são sinônimos da devoção à Maria. Os sete tipos de anjos têm várias conotações: sete pecados capitais, sete dias da semana, sete sacramentos. As imagens sacras não são originais, até pela desproporcionalidade de tamanho com os nichos. Mesmo assim, a harmonia entre elas e os três altares, além do ouro enchem os olhos de pesquisadores, católicos e visitantes, tornando a igreja de Nossa Senhora do Socorro um símbolo do período jesuítico em Sergipe.

Parte do púlpito localizado à esquerda apresenta sinais indígenas e no teto há o grande símbolo da Companhia de Jesus: o sol com vários raios, os cravos, a cruz e a inscrição JHS (Jesus HominumSalvatori) nome de Cristo em grego.

Mas não são somente os altares que chamam atenção na igreja de Geru.  Na sacristia ficam imagens de Jesus Morte, bastantes presentes nas igrejas Carmelitas da Bahia. Não se sabe a origem das imagens lapidadas em terracota e madeira, mas há indicações de quem são de origem portuguesa. Outra imagem chama atenção por está presente nas igrejas da região centro-sul do Estado: Nossa Senhora Santana.

Adornos únicos em igrejas jesuíticas no país. Foto: Sílvio Oliveira

Tesouros escondidos, lápides mortuárias datadas de 1750, que mais parecem com uma porta para um túnel, além de indícios de passagens secretas são algumas das fascinantes histórias encontradas no templo. Suas paredes são estranhamente largas para tão pouco compartimentos acessíveis, o que a torna uma das mais belas igrejas missionárias do século XVII.

Fonte: Viagem realizada com participantes do III Ciclo de Visita Técnica “Caminhos dos Jesuítas”, do Grupo de Pesquisas Culturas, Identidades e Religiosidades – GPCIR, do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe. Pesquisadores: Antônio Lindvaldo Sousa e Josineide Luciano.

Dicas de viagem

  • Tomar do Geru fica na região sul de Sergipe, a poucos 130kmdistante de Aracaju, percorrendo a rodovia BR 101, sentido Bahia. Após a cidade de Cristinápolis, há um entroncamento à direita. Não tem errada.

  • O bate e volta partindo de Aracaju é o suficiente. A cidade não possui infraestrutura turística e o ponto principal a ser visitado é a igreja do Perpétuo Socorro.

  • Como a igreja pertence à diocese de Estância, missas, casamentos, batismo são realizados e há um pároco que toma conta do templo. Não há horário de visitação definido.

Gastroterapia

Peixe frito com acompnhamentos do restaurante Zodíaco, na orla Pôr do Sol, no Mosqueiro. Foto: Sílvio Oliveira

Pratos à base de peixes são uma boa pedida quando o visitante procura os destinos à beira-mar. Não deixe de apreciar uma boa Pescada Amarela, Robalo ou Arabaiana. Nos melhores restaurantes da orla da praia de Atalaia ou na denominada orlinha do Farol, também nos restaurantes da orla do bairro Industrial e Pôr do Sol, a pedida é solicitar o peixe frito com acompanhamentos de vinagrete, arroz e saladas. Não ache entranho se no cardápio disponibilizar peixes tamanho P, M e G. A escabeche, ensopado ou moqueca também são servidos com combinados que proporcionam um paladar aguçado para quem aprecia a boa mesa. Um bom pirão de peixe tem seus encantos.

Na Bagagem

Forró Caju

De 19 a 29 de junho, a praça Hilton Lopes, no centro de Aracaju, será a praça do Forró, quando acontece o tradicional Forró Caju, o maior encontro de forró da capital sergipana. Por lá passarão nomes consagrados no ritmo, como Zé Rosendo e Marluce, Sergival, Elba Ramalho, Calcinha Preta, Dorgival Dantas, Erivaldo de Carira, Amazan e Thais Nogueira.

Arraiá do Povo

No mês de junho a orla da Atalaia também estará em festa a partir do dia 18 até o dia 29, quando acontece o encontro de quadrilhas juninas, de comidas típicas e muito arrasta-pé. Uma vila típica do interior nordestino dará às boas-vindas aos turistas que curtirão a autêntica manifestação cultural do mês de junho no Nordeste. A programação ainda não foi divulgada, haja vista que o Governo do Estado abriu edital público para os artistas e cantores que quiserem participar.

Rua de São João e Espaço Gonzagão

A prefeitura de Aracaju e o governo do Estado ainda não divulgaram a programação dos dois tradicionais espaços dos festejos juninos sergipanos. A intenção é que aconteçam concursos de quadrilha junina. Na rua de São João, que completa 105 anos de festejos, a programação é feita por moradores com apoio da iniciativa pública.

Marinete do Forró

A marinete do Forró, um ônibus estilizado tipo jardineira, voltará a circular por dois roteiros tradicionais da capital sergipana, levando visitantes aos principais pontos turísticos da capital, ao som do trio de pé de serra. A programação e data ainda não foram divulgadas

Barco do forró

O tradicional catamarã estilizado entra na quinta edição neste mês. O barco parte do atracadouro da avenida Rio Branco e percorre as águas do rio Sergipe, avistando pontos turísticos, ao som do tradicional pé de serra e com muita comida típica. A iniciativa é privada com o apoio do governo de Sergipe. Maiores informações (79) 3243 – 1000, (79) 3243 -7177.

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silviooliveira@infonet.com.br

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