Trabalho, Emprego & Sucesso

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Só porque uma empresa como a Digital não tem um cargo para você não significa que ela não tenha um trabalho para você.”

Mark Dresner, VP Executivo da Infinite

 

A notícia que o mundo está mudando em uma velocidade sem precedentes tornou-se um clichê repetitivo que escutamos todo dia e, de tanto ouvi-lo parece – muitas vezes – que perdeu o seu real significado.


Todavia, quando pensamos como precisamos e devemos encarar o trabalho diário visando a nossa sonhada jornada rumo ao sucesso, é preciso que percebamos dois aspectos fundamentais : 1- o que está realmente acontecendo no ambiente de trabalho e 2- como avaliar o nosso potencial para lidarmos com o resultado desse entendimento.


Até bem pouco tempo atrás os empregados não precisavam compreender por que as empresas os estavam contratando. A relação era muito simples: “Haviam vagas disponíveis e as pessoas precisavam de trabalho, por este motivo eram contratadas”. Essa equação era considerada o suficiente para ser entendida, equilibrada e resolvida. E podemos considerar que essa era a situação predominante há alguns anos atrás, embora não possamos afirmar que ela ainda não aconteça nos dias de hoje.

 

Todavia, de um modo geral as empresas evoluíram e nos dias atuais aquele empregado que não compreende (ou não quer compreender) o que a empresa busca e o por que, certamente terá dificuldades para encontrar um trabalho que o satisfaça.

 

Com isso não estou afirmando que os empregados hoje em dia precisam ser profundos especialistas em mercado de trabalho, não é esse o meu ponto de vista, o que quero dizer é que é necessário ter uma perspectiva realista e objetiva daquilo que está acontecendo verdadeiramente no mercado de trabalho.

 

Em primeiro lugar é preciso entender “como” e “por que” o ambiente de trabalho está mudando. Quando falamos que é resultado da alta competitividade, esta não é uma resposta suficiente, por que o empregado de hoje precisa entender tanto de ambiente de trabalho quanto o empregador precisa entender de empresas. Só quando estamos compreendendo efetivamente o que está acontecendo no ambiente do trabalho é que será possível lidar com a mudança contínua e ao mesmo tempo virá-la ao nosso favor na medida que se torna possível aproveitar e entender as muitas oportunidades que são geradas.

 

Um outro aspecto importante para ser seriamente encarado é que os empregos tradicionais estão escassos ou então não são mais adequados para o mundo de hoje e que as empresas estão cada vez mais abandonando a estrutura de cargos.

 

Recentemente ouvindo uma pessoa que estava conversando comigo sobre a sua empresa, ela me disse que por não ter uma “função definida” não conseguia se sentir “segura e à vontade” no seu trabalho. Fico muito preocupado quando escuto isso, hoje em dia, porque vou percebendo o quanto às pessoas ainda estão atreladas a muitos modelos mentais que deram certo no passado, mas que hoje estão fora de forma e diria que até de “moda”. Embora percebamos que ainda existem empresas com muitas funções definidas, ao mesmo tempo, já constatamos que esse não é mais um “ambiente seguro” de trabalho por que é bem possível que essa empresa não tenha condições para competir por muito tempo com outras mais enxutas, ousadas, inovadoras e com menos estratificações (cargos).

 

Portanto, aquele emprego de num primeiro vislumbre pode parecer muito “seguro”, com o passar dos anos poderá se transformar em um pesadelo, e conseqüentemente a sua inicial aparente segurança e estabilidade está tão firme como se caminhasse por uma superfície de areia movediça…

 

Por outro lado, é preciso entender também que há muitas maneiras de se trabalhar e essas maneiras, quando vistas como alternativas desafiadoras, poderão ser encaradas como fantásticas oportunidades de emprego. Constatamos, hoje em dia, que as empresas estão começando a encarar estes fatos com novos olhos e buscam novos papéis e parceiros que poderão estar construindo juntamente com  elas novas e duradouras relações.

 

Não nos resta a menor duvida senão crer que aqueles cobiçados, seguros e interessantes empregos do passado cada vez mais irão ficar no passado.

 

A empresa Restoration Company foi escolhida para realizar a recuperação do local quando o World Trade Center foi danificado em 1993.

Em muitos poucos dias a empresa aumentou o seu quadro de empregados de 50 para 3.600 pessoas. Montou um depósito de equipamentos de limpeza e criou um sofisticado sistema de comunicação por rádio a partir do nada e como conseqüência realizou o seu trabalho em apenas 16 dias.

Moral da história: uma pequena empresa consegue se expandir o suficiente para realizar um trabalho de grande monta e depois retorna à sua dimensão prévia.

 

O que está acontecendo às empresas é que o trabalho é cada vez mais resultante do processamento de conhecimento em vez de apenas se manusear informações. Em resumo cada vez precisamos estar trabalhando alinhados por processos do que seguindo a “filosofia” dos cargos como temos feito normalmente.

 

A tecnologia da informação tem provocado com que cada vez mais se eliminem cargos nas empresas. E, isso tem provocado, como conseqüência que o trabalho intelectual esteja cada vez mais sendo expandido, uma vez que muitas atividades rotineiras e “braçais” já são realizadas através da ajuda dos computadores.

 

Percebemos que as pessoas que buscam apenas um “emprego” terão que estar cada vez mais dispostas a enfrentarem turnos e espaços delimitados segundo o desejo das suas empresas, ao passo aquelas que buscam um “trabalho” o que estará contando realmente será aquilo que está sendo produzido e não “onde” e ‘quando “você trabalha.

A velocidade com que estão acontecendo as mudanças tem sido também um aspecto a ser considerado, já que são grandes os esforços gerenciais para que possamos desenvolver atividades com maior flexibilidade, respostas rápidas, focadas nos clientes e com atribuições e cobrança individual de responsabilidade dentro da empresa.

 

(*) Fernando Viana

Presidente da Fundação Brasil Criativo

fbcriativo@fbcriativo.org.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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