Trajetória

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Tem um tempinho que ando tomando uma “overdose” de estudos sobre fotografia conceitual e Fine Art. São tantas sugestões, leituras, dicas, tutoriais, downloads compulsivos que ao final do dia, após longas horas debruçada em busca de conhecimento, estou esgotada. Essa constante sensação de cansaço mental, me fez pensar em algo que até então eu estava desconsiderando ao desejar fervorosamente expandir meu conhecimento e agregar valor à minha arte.

A nossa trajetória existencial é abordada por meio de um tramo totalmente original. Você já percebeu? “Bingo”, nossas escolhas estão cheias de intencionalidades, é isto!!!! E elas, dizem respeito a todas as esferas da nossa existência, desde os livros que lemos, os filmes que vemos, as roupas que escolhemos, as comidas que gostamos, os lugares que viajamos e etc. Todas essas pequenas liberdades pressupõe um projeto de nós mesmos enriquecedor e que a todo momento expressam a nossa linguagem. É esta consciência de ser ativamente sujeito da nossa história que nos proporciona uma independência interativa e nos afasta do repertório de “pessoas comuns”.

Quando finalmente entendi que todo esse conhecimento técnico e aprofundado sobre a fotografia conceitual que venho desenvolvendo são importantes, mas não são eles os responsáveis por ditar a identidade que dou às minhas imagens, relaxei!  A partir de então, tenho um relacionamento menos neurótico com minhas buscas pelo saber, compreendendo e aceitando que esse amadurecimento profissional ocorre de forma não linear, e assim estou descobrindo novas maneiras de lidar com os meus limites, descobrindo também que às vezes, observar ao meu redor me trará muito mais intuições criativas do que ficar sentada atrás de uma mesa de computador. Não se faz arte atrás de uma mesa de computador! Concluí.

Nossos animais de estimação, já vivem conosco mais de uma década, e ao longo deste tempo, fui descobrindo o modo como cada um deles nos surpreende e nos desperta diferentes sentimentos de ternura. Tem sido a ternura deles que me ajuda a crescer e a amar melhor. Essa entrega de carinho que compartilhamos diariamente é uma forma de felicidade que sem dúvidas, afloram em mim grande motivação e entusiasmo para criar. Que tornam a minha trajetória tão rica.

Minha identidade tem sido concebida através dos meus contextos de vida, dos encontros e desencontros, das experiências, dos meus interesses, valores e aspirações. Entre eu e os meus gestos não há nenhuma separação. No mundo, predomina a ideia de separação entre dever e lazer, no entanto é o sentimento de realização que vai nos proporcionar melhor desempenho em nossas tarefas cotidianas, não existem rupturas. Esses dogmas que ainda norteiam nossas atitudes, nos causam grande pressão.

Fotografia: Natan Fox

Ao fazer uma fotografia ou escrever um artigo, realizo constantemente um trabalho transformador de mim mesma, percebi que essas duas maneiras de me expressar para o mundo, não somente me ajudam a avivar os meus sentidos, como tem me ajudado a descobrir meus caminhos mais secretos. Ambos carregam exercícios de reflexão e de questionamento continuamente.

São minhas narrações internas que trazem à tona um despertar de aspectos que estavam dormindo na minha alma e que de alguma forma vão se revelar em formas, sentidos, criatividade, agir, fazendo do meu existir, singular.

Observe agora em sua vida qual o caminho que tem trilhado em busca de um objetivo? Talvez assim como eu, consiga ver outras possibilidades de chegar à sua meta menos desgastante, mais leve e aproveitando cada minuto como um ganho. Onde vivenciar o presente te dê tanta alegria, que o percurso se tornará suave e sua vida mais plena e satisfatória. Afinal, ela é breve. Termino esse artigo com o Bruce (meu cachorro) aos meus pés, sempre com os olhos molhados de ternura, pedindo uma carícia para depois poder dormir tranquilo.

Quem tem animais de estimação e aprende a amá-los e a se comunicar com eles, sabe que assim como nós, eles são dotados de personalidade. Assim como o Bruce, depois de toda essa reflexão e conclusão: hoje, também dormirei tranquila.
O que seria da nossa casa sem o louco afeto dos nossos animais? O resto fica tão pequeno….

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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