TRÂNSITO DE ARACAJU: QUE DEUS NOS PROTEJA

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      Atenção, gente. Não é mentira. O limite de velocidade na Radial Leste, uma grande artéria da cidade de São Paulo, será reduzido de 70 km/h para 60 km/h a partir de 1.º de abril. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) também está realizando mudanças em todas as vias que formam os 33,8 quilômetros do eixo leste-oeste, que terão os mesmos limites (60 km/h). Os radares de velocidade serão aferidos e já começarão a fiscalizar no dia em que a nova regra entrar em vigor.
       Com a medida, a CET  espera reduzir em 20% o risco de acidentes. Segundo Mauro Ribeiro, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), “Uma redução de 10 km/h faz diferença. Um atropelamento causado por um carro a mais de 60 km/h tem chances quase nulas de deixar sobreviventes”, diz o presidente. 
       Aracaju dá um péssimo exemplo de retrocesso ao passado no momento em que desativa, por tempo indeterminado, a fiscalização para o limite de 60 km nas ruas e avenidas da cidade, em função de uma denuncia feita no programa Fantástico, envolvendo práticas fraudulentas de empresa que instala os chamados “pardais”, em algumas cidades brasileiras. A denúncia não cita Aracaju,  mas o clamor das ruas, de vereadores “muito preocupados” com a lisura na aplicação dos recursos públicos, e de alguns setores da imprensa, fazem do fato um ato consumado, em condenação antecipada.
      
A SMTT se antecipa em apresentar o contrato firmado entre o órgão, através da administração anterior e a empresa acusada, à Câmara Municipal de Aracaju e ao Tribunal de Contas. O prefeito, pressionado por fogo inimigo ( e amigo…) termina por suspender o contrato com a devolução dos equipamentos. Para tratar uma doença, mata o paciente. Aracaju fica sem controle de velocidade, uma cidade sem lei, onde os contumazes infratores (uma minoria), com seus veículos possantes, exibem velocidades alucinantes. São os mesmos que estacionam nas calçadas, não respeitam faixas de pedestres, avançam sinais, param em fila dupla e, seguramente, dirigem após ingerir bebidas alcoólicas. Falta a essas pessoas o exercício da cidadania.    
         
No caso da Lei Seca, por absoluta omissão do atual governo do Estado, que não fez cumprir a Lei, ninguém mais se preocupa com ela. É só constatar a quantidade de veículos parados em alguns postos de combustível, que viraram bares a céu aberto, verdadeiras baladas movidas a combustível etílico e som estridente (com repertório de gosto duvidoso), em altura estratosférica.
          Está provado que uma das maiores causadoras de acidentes e vítimas fatais no trânsito é a velocidade excessiva, por duas razões: primeiro por serem os mais numerosos; segundo, pela elevada energia cinética, que se transforma em amassamentos nos veículos e lesões nos seres humanos. Os organismos de segurança de trânsito conhecem bem esses riscos. Por isso, em todo o mundo, os programas que visam reduzir acidentes de trânsito colocam como prioridade essencial o controle de velocidade. No entanto, setores na nossa cidade acham o contrário. 
         
As estatísticas mais recentes em diversas cidades e órgãos que implantaram limites de velocidade com a implantação correta desses equipamentos, reduz o número de acidentes em aproximadamente 60%, com uma redução, na maioria dos casos, de 100% nas mortes, entre pedestres e ocupantes de veículos.
       
Com a suspensão agora da vigilância sobre a velocidade, aliada à sucumbida Lei Seca, recomenda-se que os pedestres, os motoqueiros, os ciclistas e as pessoas que respeitam em seus veículos o limite de velocidade da cidade, redobrem a atenção, para não serem vítimas dos grandes velocistas. Faz-se necessário ainda que todos os cidadãos que se utilizam cotidianamente do trânsito em nossa cidade tenham mais consciência de suas atitudes, assumindo a responsabilidade coletiva de respeito ao outro. E que Deus nos proteja a todos.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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