Turistando pelos caminhos do Velho Chico

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Vista de do mirante da Chesf

Entremontes,  Piranhas e Delmiro Gouveia (AL), Canindé do São Francisco e Eco Parque do Cangaço – Poço Redondo (SE). O conjunto regional de cenário de novela é real e fica entre os estados de Sergipe e Alagoas. Não é por acaso que a região vem chamando atenção por suas belas paisagens naturais, aconchegante contato com a natureza e profissionalização do turismo, que impulsiona e melhora cada vez mais o acesso aos atrativos do Baixo São Francisco. O Tô no Mundo reservaou um passeio de, no mínimo, três dias pela região.

A trama da novela “Velho Chico”, da TV Globo, gira em torno do amor de Tereza e Santo, duas famílias opostas do sertão nordestino brasileiro, alimentada por uma fotografia típica da cultura dos ribeirinhos do São Francisco, com bioma de caatinga, canoas de tolda, lavadeiras e crenças são franciscanas. As águas esverdeadas do rio São Francisco emolduram a trama, e vez ou outra, os casarios multicores das cidades ribeirinhas ganham o nome fictício de Grotas.

Restaurante Caboclo d'Água

O cenário da novela é real e fica no sertão brasileiro, entre os estados de Alagoas e Sergipe. Não é de agora que a localidade serve de palco para embalar tramas cinematográficas e novelísticas. Quem não lembra da novela “Cordel Encantado”? Os filmes O Baile Perfumado, Espelho D’Água, O Rei do Cangaço, dentre vários outros que abordam o tema, são alguns dos exemplos, que tiveram a região como locação.

Partindo de Maceió ou de Aracaju, capitais mais próximas, a dica é resguardar, no mínimo, três dias para conhecer a região. E olhe lá! Três dias com um roteiro bem definido.

1º dia

Paraíso do Talhado

O ponto de partida poderá ter como base as cidades de Piranhas (AL) ou Canindé do São Francisco (SE), ambas com maior infraestrutura hoteleira e de equipamentos turísticos. Há também alguns empreendimentos mais rústicos e com total contato com a natureza em Delmiro Gouveia (AL).

Partindo de Aracaju (SE), Canindé do São Francisco fica 197km da capital. O primeiro dia lhe reserva um belo passeio pelo Cânion de Xingó, formando por paredões que chegam a uma profundidade de mais de 150m.

Paraíso do Talhado

O atracadouro avança pelas águas represadas da Hidrelétrica de Xingó e é por lá que se começa a aventura. Os turistas ficam deslumbrados com o primeiro contato com paredões, margeando as águas ora azuladas, ora esverdeadas. Tão logo passam os primeiros momentos, tem-se a visão do Lago do Justino, uma imensa represa entre formações rochosas. Avistam-se pedras esculpidas pelo tempo e logo-logo são nomeadas como Pedra do Gavião, Pedra do Japonês, até mesmo Morro dos Macacos.

Chega-se à Curva do Rio e o guia avisa que dali até a primeira usina de Paulo Afonso seria pouco mais de 45km, num percurso de 2h30, mas não é preciso seguir tanto. Ali mesmo, bem pertinho, fica o Paraíso do Talhado.

Passeio ao Cânion de Xingó

De um lado do paraíso, o município de Delmiro Gouveia; do outro, Olho D'Água, ambos em Alagoas; mas é pelas mãos dos visionários sergipanos que este pedacinho do país enche os olhos de brasileiros e estrangeiros que lá visitam.

Embalados pelo som do mais autêntico nordestinês de Luiz Gonzaga, a embarcação aporta no píer e o banho está garantido. No retorno, a dica do primeiro dia é curtir o pôr do sol de um dos mirantes da região, a exemplo da vista do restaurante Caboclo D’Água ou das proximidades da pousada Mirante do Talhado, ambos distantes um do outro e em solo alagoano. O primeiro tem uma vista inigualável da represa da hidrelétrica de Xingó, o segundo, vê-se o percurso do rio de cima. A unanimidade é o fabuloso espetáculo do Astro Rei.

Entremontes

2º dia

O segundo dia lhe reserva conhecer uma das cidades mais encantadoras do Baixo São Francisco. Piranhas é um misto de cenário de novela, história do cangaço e lendas são-franciscanas.

Visite a estação ferroviária construída em 1881, e que é uma réplica de uma estação inglesa, hoje abrigando o Museu do Cangaço. A sua frente fica a torre do relógio. O turista vai observar que passear pela cidade já é uma boa diversão.

Um ponto que não deve ser desprezado é o Mirante Secular, no restaurante Flor de Cactu’s. Caso não queira subir os mais de 300 degraus, o acesso pode ser feito de carro por uma pequena estrada de piçarra à direita antes da entrada da cidade.

Entremontes e suas rendeiras

Saborear o pitu – maior símbolo da culinária do Baixo São Francisco – faz parte do roteiro. É hora de se banhar nas águas doces do rio. Piranhas possui uma extensa “prainha”, com bares à beira-rio, nada de sofisticado, mas vale à pena. Caso tenha sorte, conhecerá a famosa canoa de tolda do São Francisco, uma delas sempre fica aportada no leito do rio.

O barqueiro lhe aguarda para fazer um icônico passeio pelo rio até a cidadezinha de Entremontes. As casinhas do povoado perfiladas e multicores, a igrejinha ao centro e muitas, mais muitas ribeirinhas sentadas à porta das casas ostentam o ofício de suas mãos manterem as tradições das avós: confeccionarem uma das mais bonitas rendas do interior de Alagoas: o redendê e o ponto de cruz.

Piranhas

Na porta das casas o oficio de cruzar a linha no pano é passado de geração em geração. Elas participam de uma associação de rendeiras e as rendas de Entremontes ganham o mundo. Nas próprias casas a sala é transformada em loja e os visitantes conhecem a diversidade das costuras, além de ver de perto como se fabricam.

A volta é feita novamente sobre as águas claras do Velho Chico quando se avista a cidade de Piranhas, ao longe.

À noite, Piranhas tem um animado centrinho embalado por forró. Vale a pena conhecer um pouco também da vida do

Piranhas

boêmio Altemar Dutra, que morou na cidade por algum tempo.

3º dia

O terceiro dia resguardará sombra e água fresca com muita história de Lampião e Maria Bonita, em visita a Grota do Angico e ao Eco Parque do Cangaço.

Caso esteja hospedado em Piranhas, vá até o local por barco que partem do atracadouro da cidade. Caso esteja em Canindé do São Francisco, a dica é partir pela Rota do Sertão e ir até a sede do Monumento Natural Grota do Angico.

Eco Parque do Cangaço – Poço Redondo

Unir a diversidade do bioma de Caatinga com um refrescante banho no rio São Francisco é uma aventura que cada vez mais atrai turistas, ávidos por trilharem os caminhos do cangaço no sertão de Sergipe. São mais de 2.400 hectares de bioma protegido, com boa infraestrutura turística, em meio a cactáceos, pequenos arbustos, flor de mandacaru, répteis e muita história para contar. E de presente, a natureza foi generosa refrescando o final da trilha com o caudaloso banho de rio no Velho Chico, no Eco Parque do Cangaço, uma propriedade particular que alia atendimento, sombra e água fresca à beira do Velho Chico.

Entremontes/ Piranhas ao longe

Como chegar

Canindé do São Francisco fica distante de Aracaju 203km e há duas maneiras de chegar até lá: pelo acesso da cidade de Itabaiana ou por Nossa Senhora das Dores. As rodovias estão recuperadas e há boa sinalização. Por Itabaiana, segue-se pela BR 235 até o sentido Ribeirópolis/ Nossa Senhora da Glória. De Glória percorre-se a SE 206, passa-se por Monte Alegre de Sergipe e Poço Redondo até chegar a Canindé.

Por Nossa Senhora das Dores o sentido é pela BR 101/ Norte até chegar ao acesso da Vale. Segue-se pela denominada Rota do Sertão até Nossa Senhora da Glória. Não tem errada. Há também transportes alternativos partindo do centro da cidade ou da rodoviária Gov. José Rolemberg Leite.

Piranhas fica a 12km de Canindé. Chegando na cidade sergipana, pega-se a SE 208, atravessa a ponte da CHESF e chega a Alagoas. A estrada é sinalizada e se percorre somente 12 km até Piranhas. Antes da entrada da cidade histórica existe a entrada que dá acesso ao Mirante Secular.

Grota do Angico – Poço Redondo (SE)

Entremontes a dica é partir da cidade de Piranhas (AL). O transporte mais utilizado é sem pestanejar o fluvial, realizado em canoas e lanchas do tipo gaiolas ou mesmo os catamarãs. A beira-rio os “lancheiros” negociam os passeios que podem ser integrado com outros pontos da Rota do Cangaço. O rodoviário também pode ser feito por estrada não pavimentada, o que não é tão interessante para quem vai a passeio.

Eco Parque do Cangaço – Partindo de Aracaju (SE), pode-se ir pela BR 235, sentido Itabaiana/ Nossa Senhora da Glória/ Canindé (Rota do Sertão). Depois de Itabaiana, segue-se pela SE 414, SE 212, e por último SE 208. Chegando na cidade de Poço Redondo, percorre-se um pouco mais no sentido Canindé do São Francisco e verá do lado direito placas indicando a estrada de piçarra que levará ao Centro de Convivência do Monumento Natural da Grota do Angico ou ao Eco Parque do Cangaço. São 13km de estrada de piçarra.

Dicas de viagem

  • Para chegar ao restaurante Cabloco D´Água o visitante terá que passar por uma guarita que dá acesso a represa de Xingó, na portaria da usina que acessa a rodovia entre Canindé e Piranhas.
  • A pousada Mirante do Talhado possui poucos chalés e é bastante procurada por turistas de aventura, pois de lá partem grupos em busca de trilhas, caminhadas e contemplação de cima dos paredões, no povoado Olho D´Água do Casado.
  • Consulte uma agência de viagem. Caso queira, também poderá agendar a trilha da Grota do Angico a partir do Monumento Natural através dos telefones dos técnicos da área ambiental. O gestor interino e engenheiro florestal responsável pela área é o Elísio Marinho (79) 98846 – 6133 ou através do e-mail elisio.santosneto@semarh.se.gov.br.
  • Filé de surubim ensopado
    Piabinha torrada

    Na região também há locais de trilhas ecológicas e monumentos com formações rupestres e pequenas cachoeiras. A Fazenda Mundo Novo é uma delas.

  • A feira livre de Canindé do São Francisco, aos sábados, também não deve ser desprezada.
  • Caso vá até o Eco Parque do Cangaço por conta própria, paga-se um valor pela entrada no estabelecimento. Também poderá ser agendada a visita através do telefone (79) 9 9869-6428.
  • Fique atento. A falta de concorrência de atracadouros no cânion tem inflacionado os preços. O local é bastante agradável e a comida é rápida e fresca, porém observe o custo/benefício e dialogue com sua agência de viagem.

Gastroterapia

Pitú
Linguiça de bode

O pitu, o surubim ou piaba seca são algumas das iguarias bastantes apreciadas na culinária com sustentação no rio São Francisco. O pitu é um camarão graúdo servido ensopado ou ao refogado tido como rei. Em determinadas regiões e períodos do ano, a pesca é proibida. O surubim, peixe apreciado no coco ou assado em filé também pode ser desgustado. Mas quem combinada com uma bebida geladinha à beira-rio é a piabinha bem crocante, servida como tira-gosto ou entradinha. Vale a pena degustar da culinária são-franciscana.

Na Bagagem

Centro Cultural Sílvio Romero

O prédio do Grupo Escolar Silvio Romero, na cidade de Lagarto (SE), deverá ser restaurado para receber o Centro Cultural Casa Silvio Romero. A parceria entre o Estado, a Prefeitura de Lagarto e Academia de Letras deverá ser fundamental para que o projeto saia do papel.

Festival de Forró em Itaunas (ES)

No dia 22 de julho inicia mais uma edição do tradicional Festival de Forró Pé de Serra da praia de Itaunas, no Espirito Santo. O tradicional encontro faz parte do calendário de eventos estadual e deverá reunir grandes nomes do autêntico forró.

“Promoção GJP: Casa & Carro só para você!”

A GJP Hotels & Resorts anuncia a “Promoção GJP: Casa & Carro só para você!”, em parceria inédita com a CVC Viagens, que tem início em julho e vai até dezembro, em todas as lojas da operadora no País.

A maior promoção da história da hotelaria nacional premiará os três mais bem colocados vendedores e os respectivos gerentes CVC no ranking de venda dos hotéis da rede GJP em todo o Brasil. Mais informações sobre a campanha e hotéis participantes

Horário de funcionamento do Centro de Turismo

Turistas e visitantes têm reclamado do horário de funcionamento do Centro de Turismo, localizado no Centro de Aracaju (SE). Por volta das 9h desta segunda-feira, 11, o empreendimento estava com as portas fechadas.

Café do Palácio, Aracaju (SE)

Bem comentandas as comidinhas do Café do Palácio, localizado no Palácio-Museu Olímpio Campos, no Centro de Aracaju.

Festival de Turismo de João Pessoa (PB)

O evento acontece no período de 21 e 22 de outubro de 2016, com o objetivo de reunir grupos hoteleiros, agências, operadoras, consolidadoras e secretarias de turismo para promover a integração do setor e oferecer novos produtos ao mercado. O evento recebe feira, rodada de negócios e diversas capacitações.

Contato: silviooliveira@infonet.com.br

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Fotos: Sílvio Oliveira

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