UM POUCO DE CAUTELA

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O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desceu do palanque e já se mostrou disposto a conversar com segmentos políticos de todos os tons ideológicos, em busca da governabilidade, que não lhe deve ser negada. A impressão é que ele não pretende olhar para trás ou rever o álbum de fotografias que mostra o desastroso governo anterior. Lula permanece no Planalto mais forte, ao lado de um bloco disposto a defendê-lo, para que consiga um desenvolvimento sustentável para um país que mantém crescimento abaixo do nível de outros países que se mostram muito aquém das dimensões e riqueza do Brasil.

A oposição não parece disposta a isso. Ontem, em entrevista, o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), advertiu que a postura dos tucanos em relação ao governo federal não será alterada durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “faremos a mesma oposição que fizemos durante o primeiro mandato: dura e enérgica”. Segundo o senador cearense, o PSDB não deixará de “discutir e votar os pontos fundamentais para o país”. Tasso Jereissati negou qualquer possibilidade de que integrantes de seu partido aceitem cargos no governo federal. Deixou claro que, assim como esta eleição colocou Lula na Presidência da República, também colocou o PSDB na oposição.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) continuou instigando o presidente reeleito. Ontem ele o chamou de arrogante: “o presidente Lula tem uma história que eu respeito, que vem de nordestino, migrante e trabalhador. E, de repente, ficou arrogante”. Disse que Lula não tem ideologia e que não acredita em muitas mudanças no governo petista neste segundo mandato, porque adversários não têm muitas alternativa. FHC foi mais fundo ao ver a necessidade do presidente Lula voltar a ter respeitabilidade que, no seu entender, ficou abalada pelos escândalos próximos a ele: “governar não é só ter voto, é também ter respeito”, disse.

Ontem à noite, em entrevista ao Jornal Nacional, o presidente Lula respondeu com cautela às declarações de Fernando Henrique Cardoso: “lamento profundamente que um ex-presidente da República, que deveria ter um pensamento muito mais positivo em relação ao Brasil, fique instigando para as coisas não darem certo”. De qualquer forma, os escândalos que surgiram em seu governo, principalmente o mais recente, que foi a compra de um dossiê, no valor de R$ 1,7 milhão que seria usado por petistas para comprar um dossiê contra políticos do PSDB, continuam atormentando o presidente reeleito. Ainda ao Jornal Nacional ele disse que vai conviver com as investigações da Polícia Federal sobre a origem do dinheiro, assim como “se convive no mundo inteiro. Como convivem o Partido Democrata nos Estados Unidos e o Partido Republicano. Isso não é um problema”.

Neste momento de ressaca da campanha eleitoral, o presidente Lula convocou os partidos de oposição a terem uma postura diferente do período em que estavam na disputa pelo mandato e aprovem projetos de “interesse nacional”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não terá um segundo mandato menos confuso e tumultuado do que o primeiro. Evidente que a artilharia pesada de cobranças e denuncias não será iniciada já, mas ela continuará com a mesma contundência por parte de parlamentares da oposição, principalmente no Senado, onde é maioria. Já na Câmara, habitualmente mais permissiva, o governo tem um domínio fácil, em razão de um silencioso “baixo clero”, geralmente favorável a tudo que vem do Planalto. Neste segundo turno Lula deve formar uma equipe que seja menos petista, até para afastar do governo a representação partidária que provocou danos à administração anterior, mesmo que isso não convença da sua inocência. Como ficou mais forte eleitoralmente com a reeleição, Lula não vai arriscar. Agirá mais rapidamente para apagar qualquer indício de corrupção e a oposição terá dificuldade para desqualificar a conquista do mandato, tentando buscar um terceiro turno, que pode prejudicar o país.  

 

 

ASSEMBLÉIA

O prefeito eleito Marcelo Déda revelou sua preferência pelo candidato a presidente da Assembléia Legislativa: “ficaria feliz que o deputado Ulices Andrade fosse escolhido”.

Logo em seguida emendou para evitar má interpretação: “mas essa é uma decisão do legislativo e não me cabe interferir no processo”.

 

SECRETARIADO

Sobre o secretariado Déda foi claro: “vamos valorizar os novos profissionais sem esquecer de quem já está no serviço público e conhece o funcionamento da máquina”.

Acrescentou e deu uma sinalização: “minha obsessão é ser um bom governador e quem lutou comigo governará comigo”.

 

MAIORIA
As conversas para formação da maioria na Assembléia Legislativa está sob a condução do vice-governador eleito, deputado Belivaldo Chagas (PSB).

O prefeito eleito Marcelo Déda lhe deu carta branca para que conversasse com os parlamentares. Segundo Déda, “os contatos estão adiantados”.

ALBANO

O deputado federal eleito Albano Franco (PSDB) disse que vai iniciar um trabalho de reestruturação do tucanato em todo o Estado.

Albano vai conversar com lideranças políticas para atraí-los. Avisou que o deputado estadual Luiz Mittidieri (reeleito) não deixará a legenda.

 

CONVERSA

Albano Franco e Ulices Andrade (PSDB) tiveram uma conversa, na semana passada, sobre a questão partidária.

Ulices Andrade já avisou que não ficará em um partido que faça oposição ao governador eleito Marcelo Déda.

 

VIAGEM

O governador João Alves Filho (PFL), logo após ir às urnas, no segundo turno, viajou a São Paulo para tratar de assuntos particulares.

João Alves teria lamentado que o candidato Alckmin tenha assinado a Carta da Amazônia, mas não assinou a Carta do Nordeste.

 

INCIDENTE

Um pequeno incidente envolveu o governador eleito Marcelo Déda, no debate que aconteceu sexta-feira na TV-Globo.

Um dos seguranças da emissora ficou com o telefone celular de Déda, apesar dos protestos, e só o entregou quando terminou o debate.

 

DUTRA

Deu na Época: “Candidato derrotado ao Senado por Sergipe, José Eduardo Dutra pode ser a solução de consenso para a presidência do PT”.

Segundo a revista: “depois da provável renúncia de Ricardo Berzoini, no rescaldo das punições da compra do dossiê o nome de Dutra surge na cúpula petista”.

 

MAPEAMENTO

O vice-governador eleito Belivaldo Chagas (PSB) está fazendo mapeamento da situação parlamentar, analisando onde tem maior abertura para conquista.

Verá onde tem maior grande dificuldade para uma aproximação. As conversas só se darão com mais profundidade depois que se iniciar o processo de transição.

 

ORÇAMENTO

A Assembléia Legislativa terá que votar o orçamento de 2007 até o dia 14 de dezembro, porque no dia 15 entra em recesso parlamentar.

O economista Nilson Lima avisou que até 20 de novembro conclui o trabalho do grupo, que apresenta possíveis alterações no orçamento do estado para 2007.

 

DESCANSO

O governador eleito Marcelo Déda viajou ontem à tarde a Brasília onde terá contato com o presidente reeleito Lula da Silva.

Conversará com deputados sobre emendas orçamentárias e, de lá, viaja para descansar alguns dias. Segundo uma fonte do PT, o seu retorno está previsto para a segunda-feira.

 

TRIBUNAL

O comentário corre entre a Assembléia Legislativa e o próprio Tribunal de Contas: a escolha do novo conselheiro acontecerá no próximo ano.

O nome que surge, como possível indicado pelo futuro governador eleito Marcelo Déda, é o do ex-presidente da OAB, Edson Ulisses.

 

MACHADO

O deputado federal José Carlos Machado (PFL) viajou na madrugada de hoje a Brasília para participar de reunião da Executiva Nacional do seu partido.

Machado reconhece que o partido saiu derrotado nas urnas e elegeu apenas um governador, José Roberto Arruda (DF) e precisa ver como vai atuar.

 

Notas

 

VERDE

O presidente do Diretório Regional Partido Verde em Sergipe e membro da Executiva Nacional, Reynaldo Nunes, participa, hoje, de reunião em Brasília com o presidente nacional José Luiz Penna e outros dirigentes nacionais, quando serão discutidos os caminhos para superar a cláusula de barreira.

O PV analisa fusão com o PPS, PMN e PHS no MD (Movimento Democrático); a fusão com o PSC formando o PVSC (Partido Social Cristão) e a formação de bloco parlamentar com o PCdoB e PSOL.

 

APOSENTADOS

A Câmara Federal realizará três sessões, uma delas hoje e duas amanhã, para discutir as dez medidas provisórias que trancam a pauta. A mais polêmica delas deve ser a MP 316/06, que concede reajuste de 5,01% para os aposentados da Previdência Social que recebem acima de um salário mínimo.
Outra MP na pauta é a que muda as regras de exploração dos chamados portos secos. Ela recupera o texto do Projeto de Lei 6370/05, que chegou a tramitar na Casa com regime de urgência constitucional, mas não foi votado.

 

EMPRÉSTIMOS

O direito a fazer empréstimos bancários com desconto em folha e juros mais baixos poderá ser estendido a idosos e pessoas com deficiência carentes que recebem benefícios de prestação continuada (BPC). O direito de acesso a esse tipo de empréstimo já é garantido a aposentados e pensionistas do INSS.

O senador Paulo Paim (PT-RS) pretende levar essa possibilidade aos carentes que recebem o BPC, pago a idosos e deficientes de famílias cuja renda familiar per capita seja inferior a um quarto do salário mínimo.

 

 

É fogo

O PT em Sergipe comemorou, domingo, a vitória do presidente Lula no segundo turno. O pessoal concentrou-se em frente ao Comitê Central de Campanha.

 

Os eleitores de Geraldo Alckmin (PSDB) não acreditavam em vitória ampla. A maioria sentia que os números das pesquisas axageravam.

 

Dessa vez as pesquisas bateram certinho. Todas elas. O que voltou a merecer credibilidade da maioria dos eleitores.

 

Em Sergipe o governador eleito Marcelo Déda (PT) trabalhou muito para a reeleição em segundo turno e conseguiu reverter o quadro em Aracaju.

 

Alguns membros do PSDB no país acham que algumas lideranças importantes do partido cruzaram os braços. Consideraram que Lula tem apenas mais quarto anos pela frente.

 

Na avaliação desses tucanos de primeira linhagem, elegendo Alckmin poderiam esperar mais oito anos para disputar a sucessão presidencial.

 

A partir de agora já começaram as discussões em torno das eleições de 2008. Lideranças do interior começam a trabalhar discretamente para colocar o nome à disposição.

 

Em Itabaiana, o prefeito Luciano Bispo (PMDB) é o candidato natural à Prefeitura daquele município. Pode ou não, depende da manutenção da reeleição, enfrentar Maria Mendonça.

 

O PMDB volta a ser um dos partidos mais fortes do país. Foi a legenda que conseguiu eleger o maior número de governadores.

 

A partir de agora começa para valer as especulações em torno do secretariado e da formação da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa.

 

brayner@infonet.com.br

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