Um presidente mitômano

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Bolsonaro é um mitômano, mente patologicamente. Mentiu toda a vida, mentiu muito durante a campanha eleitoral e seu discurso presidencial é fake. A última mentira foi endossada por ele na sexta-feira, quando comentou reportagem de capa da revista Veja e disse não estar surpreso com a suposta declaração do publicitário Marcos Valério de que Lula foi mandante do assassinato de Celso Daniel. “Surpreso? Não!”, ironizou.

A farsa não durou 24 horas. “O Marcos Valério nunca afirmou que Lula é o mandante do assassinato de Celso Daniel”, desmentiu o delegado Rodrigo Pinho de Bossi, a autoridade que tomou o depoimento que Veja utiliza para construir a versão de que o ex-presidente está envolvido na morte do petista ex-prefeito de Santo André.

Um parêntese: sempre que Lula está na iminência de sair da prisão surge uma nova acusação contra ele, normalmente vinda de Antonio Palocci, reforçadas por ameaças veladas de oficiais do Exército, tentando influenciar o julgamento do STF porque temem a volta do barbudinho às ruas.

Mas voltando ao mitomaníaco Bolsonaro, foi ele quem disse ter sido convidado por dirigentes do Flamengo para assistir à final da Copa Libertadores, em Santiago, algo imediatamente desmentido pelo clube.

Ele concordou com a declaração criminosa e irresponsável do seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que culpou o Greenpeace pelo vazamento de óleo que afeta o litoral do Nordeste. “Para mim isso é um ato terrorista. Para mim, esse Greenpeace só nos atrapalha”, afirmou Bolsonaro.

Sobre o derramamento de óleo, disse ter estranhado o silêncio das ONGs, “desconhecendo” que a WWF Brasil, a ONG Oceânica e o próprio Greenpeace, só para citar essas, têm atuado e se manifestado reiteradamente, discutindo os impactos ambientais do crime cometido e criticando a atuação do governo, que chegou atrasado e ainda bate cabeça para tentar entender a causa e as consequências.

Bolsonaro mente reiteradamente sobre seu “soldado” Fabrício Queiroz, agora flagrado oferecendo cargos na Câmara e no Senado, ressaltando que não conversa mais com o amigo desde que iniciaram as denúncias de que ele comandava o esquema de rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro, na Alerj.

Mentiu quando afirmou para a nação que montou uma equipe de forma técnica, sem viés ideológico, embora seja guiado pelas bancadas ruralista e evangélica, que têm claros interesses políticos e ideológicos, inclusive interferindo diretamente na montagem do ministério, vide os ocupantes da Agricultura, do Meio Ambiente, das Relações Exteriores, da Educação e da Família.

No discurso da ONU, há um mês, Bolsonaro falou que o Brasil esteve sob ameaça de implantação do socialismo. Ele finge ignorar que quando o PT esteve no poder o sistema capitalista nunca foi tão favorecido e as empresas privadas jamais ganharam tanto dinheiro.

Ainda na ONU, insinuou que as escolas estavam sendo usadas para perversão das crianças. Só faltou voltar a falar em kit gay e mamadeira de piroca. Sugeriu que o programa Mais Médicos, era uma estratégia para a mudança de regime no país (?) e que os médicos cubanos não possuíam formação profissional. Sustentou que a floresta amazônica não está sob ameaça de devastação, apesar do monitoramento por satélite indicar ampliação das queimadas.

É típico de Bolsonaro, o cara que afirma ser o Brasil um local onde, “graças a Deus, não há conflito religioso”, embora o próprio Ministério da Família informe que foram recebidas 506 denúncias de intolerância religiosa no Disque Direitos Humanos (Disque 100) durante o ano de 2018. As crenças mais atingidas foram umbanda (72 denúncias), candomblé (47) e testemunhas de Jeová (31).

E que não fala nada do PSL, “zero”, fingindo esquecer que foi uma declaração sua o estopim da crise do partido, quando disse a um apoiador para “esquecer” o PSL e pediu para não ter o nome divulgado junto com o do presidente do partido, o deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE), pois ele estaria “queimado para caramba”.

As mentiras de Bolsonaro expõem o Brasil a sérios riscos. Uma mentira contada muitas vezes torna-se uma verdade, é o que se diz. Uma parábola, de autoria desconhecida, conta que um dia a Mentira e a Verdade se encontraram. A Mentira disse à Verdade:

– Bom dia, dona Verdade.

E a Verdade foi comprovar se realmente era um bom dia. Ela olhou para cima, vendo que não havia nuvens de chuva, que vários pássaros cantavam e que era realmente um bom dia, respondeu à Mentira:

– Bom dia, senhora Mentira.

– Está muito quente hoje, continuou a Mentira.

E a Verdade, vendo que a Mentira era sincera, relaxou-se.

A Mentira, então, convidou a Verdade a se banhar no rio. Ela tirou a roupa, pulou na água e disse:

– Realmente, a água está deliciosa.

E, uma vez que a Verdade, sem duvidar da Mentira, tirou suas roupas e caiu no rio, a Mentira saiu da água e vestiu-se com a roupa da Verdade. Esta por sua vez, recusou-se a vestir as roupas da Mentira e, não tendo de que se envergonhar, saiu desnuda, andando pela rua.

Aos olhos das outras pessoas, no entanto, foi mais fácil aceitar a Mentira vestida de Verdade, do que a Verdade nua e crua.

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