Uma iniciativa pra tirar o chapéu

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Uma feliz e arrojada iniciativa de quatro grupos de chorinho está levando música de qualidade à Praça Fausto Cardoso, a mais importante da

Estátua de Fausto Cardoso 

cidade, que abriga os poderes legislativo e judiciário do Estado e, até pouco tempo, também a sede do poder executivo, hoje transformado em Palácio Museu. A ação é de tirar o chapéu em saudação, como já fez impávido Fausto Cardoso, contemplando o rio que corre plácido pela aldeia. Trata-se do Projeto Roda de Choro Sergipana, formado pelos grupos Os Tabaréus, Brasileiríssimo, Quinteto Brasil em Choro e Dom José do Ban & e seus Chorões.
Irmanados e reunidos em círculo na sombra de uma frondosa árvore, seus talentosos músicos vêm se reunindo há três semanas, todos os sábados, das 11 às 13 horas, no lado sul da praça, desfilando um rosário de clássicos da música popular brasileira, para deleite dos que acorrem àquele belo logradouro, com seus dois coretos, suas pequenas estátuas, tendo ainda no seu entorno, além das edificações já citadas, os prédios do Arquivo Público, a Delegacia da Fazenda, a ponte do Imperador, o Ed. Walter Franco ( com o painel de Jenner Augusto), margeados pelo Rio Sergipe. Sem esquecer da imponente estátua do grande personagem sergipano Fausto Cardoso, que dá nome à praça.
É bom que fique registrado que a iniciativa não veio da municipalidade nem de qualquer outro agente público. Não há patrocinadores nem apoiadores. Trata-se simplesmente de uma ação espontânea dos próprios músicos, que resolveram tomar posse da praça, entoando um só refrão: “A praça é do povo, como o céu é do avião”!
Ancorados por um pequeno bar ao lado, que serve petiscos e bebidas, a roda de samba não tem maiores tecnologias nem ensaios prévios e daí o sucesso que vem atingindo. É bom levar de casa, por precaução, um banquinho ou uma cadeira de praia, porque nem sempre se consegue mesa e cadeiras, sempre ocupadas pelos primeiros que chegam.
Nas grandes cidades do mundo, da América à Europa, as praças são ocupadas pelas famílias e pelos músicos, artistas de rua que buscam um dinheirinho para as suas necessidades. Não precisa ir longe, aqui pertinho, em Buenos Aires, as praças da cidade são áreas de grande lazer para crianças e adultos, que buscam nas áreas livres e arborizadas, um maior contato com a natureza, notadamente nos finais de semana e feriados.
Infelizmente, no Brasil, isso não vem acontecendo, salvo em raras localidades. Por falta de segurança e de outras atrações, as praças invariavelmente desertas, não são frequentadas por famílias.
A iniciativa dos grupos de chorinho deve ser preservada e apoiada por todos e o poder público tem a obrigação, no mínimo, de assegurar a conveniente limpeza da praça e de seus monumentos, principalmente dos belos coretos e garantir a segurança dos frequentadores, com a presença ostensiva da Guarda Municipal.
Ao longo da história, a Praça Fausto Cardoso foi palco de marcantes acontecimentos, desde o episódio do atentado que matou o grande parlamentar e tribuno sergipano, passando pelas grandes passeatas e comícios em períodos eleitorais até o grande comício das Diretas Já! Que a música faça eco para novos tempos.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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