Uma Rima para Pré-Caju

Lisboa, 13 de janeiro de 2008

 

Caros amigos de Sergipe:

 

Depois da estréia desta retumbante coluna na semana passada, recebi vários telefonemas e e-mails de vários amigos aí da terrinha. De gente das letras como o amigo e poeta Amaral Cavalcanti, a personalidades da política como o ex-deputado Fabiano Oliveira, que, aliás, me convidou para estar aí durante o Pré-Caju que hoje se encerra. 

Como ando assoberbado com a preparação do novo romance intitulado “Déboro, o espião nú que abalou Paris” agradeci a gentileza e voltei a praticar a sarapitola que havia interrompido para atender o gentil telefonema.  

Por falar em Pré-Caju, soube que muito tem se discutido nos meios acadêmicos sobre a verdadeira origem da referida palavra. O cervejeiro e enxadrista Hugo Maia, assegurou-me que o assunto freqüentemente tem vindo à baila em acirradas contendas literárias nas mesas do ‘La Belle de Jour’ e do ‘Cockgirls’. 

Uns defendem que a palavra seria apenas um neologismo engendrado pelos assessores do ex-deputado promoter. Nada mais que uma sigla para resumir a idéia “prévia/carnaval/Aracaju”.

Outros, no entanto, como os poetas Hunald Alencar e Araripe Coutinho, garantem que o buraco é mais embaixo. Argumentam os dois estudiosos da última flor do lácio, que na verdade a palavra viria de “pacáyo” expressão que em tupi guarani significa ‘cigarro dos espiritos’, hoje, mais conhecido como baseado ou morrão fumegante. De ‘pacáyo’, a expressão teria derivado para ‘pacayú’ e, posteriormente ‘pecajú’, pois o tal cigarro passou a ser produzido com a seiva do maturi’. Daí para virar ‘pré-caju’, amigos, teriam sido só dois cigarrinhos, garante o ecologista Antonio Leite.

Mas o caranguejista elétrico no fundo é partidário de uma outra teoria. A de que a própria festa seria muito mais antiga do que supõe a vã filosofia tobiática.  

Segundo ele, quando Aracaju ainda era um povoado, abrigava anualmente uma festa realizada justamente 15 dias antes do carnaval. Chamava-se “Noite da Bimbinha Voadora” e teria inspirado, décadas mais tarde, a “Festa do Mastro” em Capela, justamente a terra do intrépido carnavalesco. 

Inspirado nesse universo cervejistico/libidinoso das festas pagãs, resolvi escrever um poema que traduzisse todo esse clima bucólico de banheiros químicos, fragrâncias de axilas e sorrisos de políticos que permeia a festa fabianística.

Mas logo ao primeiro verso “Tremei ó Castro Alves, é chegado o Pré-Caju”

esbarrei num problema lingüístico de grande monta: como fechar a rima, sem usar aquela pequenina e poética palavra que vem do latim “Enrugadus Rosaceos”? Difícil resolver a equação!

Consultei a amiga Wilma Ramos que me sugeriu terminar o verso com “Urubu”, mas eu achei um tanto previsível. Além do que “vá tomar no Urubu” ia ficar meio esquisito.

Mesmo assim fui tentando fechar o meu poema:

 

 “A nova poesia baiana mostra sua cara

 Tremei ó Castro, é hora do Pré Caju!

 ‘Pôrra,  e aí véi? Colé de meeeermo, negão?’

 

Como não alcanço esta poesia rara

E preciso terminar o  verso em ‘u” 

Peço aos internautas que me mandem sugestão”

 

 

Até semana que vem.

 

Um abraço do

 

Apolônio Lisboa.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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