VACINA CONTRA O HPV NÃO RECOMENDADA PARA MENINOS

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O HPV – vírus do papiloma humano é tido como o responsável por 80 a 90% dos casos de câncer de colo do útero. O câncer de colo uterino é o terceiro tumor mais frequente na população feminina, atrás do câncer de mama, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no país.

A prevenção do câncer de colo de útero e outras doenças relacionadas à infecção pelo HPV por meio da vacinação é prioridade do Ministério da Saúde e, dessa forma, a vacina HPV quadrivalente passou a fazer parte da rotina pública em 2014, inicialmente para meninas de 11 a 13 anos de idade. Em 2015, a vacina será ampliada para a faixa etária de 10 a 13 anos e em 2016, será disponibilizada para meninas de 9 a 13 anos.

Apesar de o HPV acometer homens e mulheres, até o momento, os estudos sobre a vacina no nosso país mostraram que a eficácia da vacina somente foi comprovada em meninas na faixa etária de 9 a 13 anos. Portanto, para que a vacinação seja mais efetiva, o ideal é que ocorra bem antes de contato com o HPV, ou seja, os pré-adolescentes e adolescentes, que por esse motivo foram os alvos principais das campanhas de vacinação.

Alguns municípios brasileiros, por conta própria e sem a aprovação do Ministério da Saúde, estão ampliando a oferta da vacina anti-HPV para meninos e para mulheres em outras faixas etárias. O Ministério da Saúde, através do Departamento Nacional de DST/AIDS e Hepatites Virais e do Programa Nacional de Imunizações, acaba de enviar, às Secretarias Estaduais de Saúde de todo o país, nota informativa não recomendando, no momento, a vacina contra o HPV para meninos e para mulheres de outras faixas etárias, além da já definida que a de meninas de 9 a 13 anos. A nota é uma resposta a algumas moções de alguns seguimentos da sociedade solicitando que a vacina contra o HPV fosse ampliada nacionalmente para os dois sexos na faixa etária de 12 a 24 anos e para pessoas com doenças imunossupressoras.

A nota informa que, até o momento, não há comprovação científica no Brasil, da eficácia da vacina para meninos, bem como não há dados epidemiológicos que justifiquem a ampliação da oferta da vacina pelo SUS para as outras faixas etárias. A decisão é respaldada em base técnica, científica, logística e epidemiológica. As evidências científicas mostram ainda que vacinar meninos é uma estratégia não custo-efetiva quando comparada com a cobertura vacinal das meninas. Estudos mostraram que vacinando as meninas, ocorre, de forma indireta, a redução dos casos de HPV em meninos.

O Ministério da Saúde ainda recomenda que, no momento, para as populações não contempladas pela vacina contra o HPV, devem ser incrementadas as outras formas de prevenção já disponíveis e conhecidas pela população, como o uso do preservativo, o exame periódico do Papanicolau e as medidas educacionais. A recomendação da vacinação para pessoas com doenças imunossupressoras ainda está sendo estudada no Brasil.

Portanto, até o momento, a prevenção do HPV para os meninos deve ser feita através da vacinação das meninas e do incentivo ao uso da camisinha. É um importante papel dos pais e professores, a conversa com os filhos e filhas sobre sexualidade com ênfase nas medidas de  sexo mais seguro e saudável.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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