Vaias asquerosas.

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A vaia é o aplauso dos descontentes.

Mas a vaia também e o real testemunho dos que não conseguem impor sua opinião; uma espécie de impotência reconhecida.

Vaias em campo de futebol, dizia Nelson Rodrigues, que acontecia até em repulsa ao Hino Nacional.

Não disse, porém, que é um parto farsesco e não heroico. Como entendê-lo vir de um aperfeiçoar genético, derivado de boa estirpe por herança, se tal parição é consequente apenas do mau humor da galera?

Galera, diga-se previamente, não constituída de “geraldinos e arquibaldos”, gente simples descamisada, mal nutrida ou banguela dos estádios de outrora, mas daqueles de boa cepa e goela, bem falantes e melhor cevados, que agora se refestelam acocorados e acovardados nas cadeiras de pistas caríssimas das novas “arenas esportivas”, até para exibir nesta farra de palavrão e baixeza, a sua própria miudeza, o velho ganido em queixume de péssimo caráter com o governo Dilma, que vitoriosamente, contra tudo e todos, e até contra estes de má torcida em undécima hora, construiu as arenas país afora, está fazendo a Copa, tolerou a desordem dos descontentes com a própria imagem, e, mais do que tudo, está genialmente apresentando o Brasil e sua diversidade cultural de país continente moderno e pujante ao mundo inteiro.

Infelizmente temos este complexo biltre, borra-botas, de cidadania menor. Somos um povo pouco ou nada narcísico. Não nos admiramos no espelho. E como não é possível degradar a luz para desvirtuar a imagem, nos desfiguramos enquanto objeto.

É o que faz a galera gritando ao mundo: “Não veja o nosso país, ouça apenas o nosso grito!”

Porque lhes interessa apenas que o mundo exterior, a Europa, a Norte América, a Oceania, o dito primeiro mundo, nos veja como um imenso cagaçal, uma espécie de monturo cagadouro, criação própria, espécie de caverna de Platão, onde ciscam e se acusam no seu intimo o rescaldo macunaímico das três raças tristes; do europeu degredado e preguiçoso, do índio aculturado, contemplativo e tolo, e do africano desfibrado e servilizado à chicotadas.

E se vivemos neste eterno mito da caverna de Platão, culpemos sobremodo a grande imprensa pátria, sem eximir dolo das pequenas gazetas Brasil afora, porque reverbera a tola opinião acriticamente, quando o editorial publicado longe de ser veraz e judicioso, perquire os caminhos dos engajamentos eminentemente políticos, um desserviço à democracia, porque a liberdade de imprensa para delinquir, desinformar e mal ilustrar não pode ser um fim em se mesma.

No entanto, isso de longas datas, em todas as crises políticas vividas por esse país, jornais editores e articulistas acham-se acima dos partidos políticos e dos poderes constituídos, para bem denegrir, pouco construir, fazendo e derrubando reis, nunca se crendo responsáveis pelos descaminhos institucionais acontecidos.

E quando a grande imprensa destaca em cores garrafais a vaia mal-educada contra a Presidente Dilma, goste-se dela ou não, é preciso que seja dito que a xingação da galera foi de um mau gosto exagerado. E a imprensa não diz; prefere maximizar o apupo por empulhação.

Se a Presidente Dilma não lhes é do agrado, derrotem-na no voto; não no palavrão, na vileza, na má educação.

No mais, está aí a Copa! Que o Brasil vença se assim o merecer, sem pênaltis falsificados, como é de bom gosto desta mesma galera onde nada é feio e tudo vale para abater o adversário, afinal só existe fealdade na derrota.

Feiuras à parte, quiseram derrotar a Copa e ei-la exitosa, como só assim deve ser o esporte!

Um êxito notável, por genial, e aí retorno à palavra, porque genialmente tudo foi concebido para que o visitante estrangeiro passeasse pelo país inteiro como nunca, sem se prender ao sul maravilha; da Amazônia aos pampas, do pantanal às praias nordestinas, do planalto central e seus cerrados à caatinga garranchenta onde a ira do sol e a secura do solo desafia os fortes, Brasil em todas suas cores, cheiros e sabores, daí tantas arenas construídas e exibidas em todos os cortes; a nação se desfolhando e desabrochando em generosidade e acolhimento, para bem receber quem nos visita.

E o país sendo conhecido como nunca, sobrando até mesmo para Sergipe que vem agasalhando tantos gregos, tudo que Homero não pensara, nem Tucídides ou Xenofonte, feitos a inspirar Odisseu e Péricles, Leônidas e Alexandre, juntando atenienses, cretenses, tebanos e coríntios, na praia de Atalaia, mirando as ondas do mar.

Somos, e o mundo nos vê melhor agora em constatação pessoal e testemunhal, somos um país continente, firme, forte, consciente, com muita gente mal educada, é verdade, mas isso sai por gigantismo inercial na uremia nossa de todos os dias.

Quanto à vaia, perdoe-me a caterva que tanto se esgoelou, mas a Presidente saiu bem mais agigantada no apodo, por corajosa e digna.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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