Vale a pena bater continência para o capitão?

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A oposição critica o governador Belivaldo Chagas (PSD) por não se aproximar do presidente Jair Bolsonaro (PSL), por não ter mandado representante a reunião com o ministro da Justiça Sérgio Moro, por não ter batido continência para o capitão. Pelo menos ainda não.

Se a preocupação é que esse suposto distanciamento possa atrapalhar o crescimento de Sergipe nos próximos anos, podem ficar tranquilos. Governadores que faziam oposição ao malfadado ex-presidente Michel Temer (MDB) obtiveram para seus estados desempenhos bem melhores do que o de Sergipe nos últimos anos.

Que o digam os governadores da Bahia, Alagoas, Ceará, Piauí e Maranhão, todos opositores do ex-presidente e que fazem gestões bastante realizadoras, transformadoras até, diferentemente de Sergipe, que tinha governador do mesmo partido, embora não fosse naquele momento um aliado. Já o tinha sido no passado.

Os governadores da Bahia, Rui Costa, do Ceará, Camilo Santana, e do Piauí, Wellington Dias, são do PT. O governador do Maranhão, Flávio Dino, é do PC do B. E o governador de Alagoas, Renan Filho, é do MDB de Renan Calheiros, o pai, que fez uma oposição figadal ao correligionário que habitou o Palácio do Planalto.

Sem precisarem contar com a ajuda de Michel Temer, eles realizaram boas gestões e foram bem reeleitos.

Rui Costa faz um governo tão realizador na Bahia que o prefeito ACM Neto (DEM), que também se mostrou um competente administrador de Salvador, não teve coragem de enfrentá-lo nas urnas. Rui foi reeleito no primeiro turno com mais de 75% dos votos válidos. A Bahia não atrasou salários, o estado voltou a realizar obras vultosas, como a conclusão do metrô de superfície da capital. Precisa melhorar a segurança e a educação.

No Ceará, Camilo Santana foi reeleito com quase 80% dos votos válidos. Em 2018, o estado investiu mais de 15% da receita corrente líquida em novas escolas, estradas, equipamentos de saúde e obras hídricas. O Ceará se destaca com uma educação pública de qualidade. No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), das 100 melhores escolas públicas de ensino fundamental do País, 82 são cearenses. O estado precisa melhorar muito a segurança pública, que é a principal preocupação hoje do governador.

Wellington Dias, reeleito para o quarto mandato de governador do Piauí, preocupa-se, como a maioria dos governadores, com o equilíbrio fiscal e o desequilíbrio da previdência, mas não atrasou os salários dos servidores e gerou mais de 11 mil empregos entre 2016 e 2017. Como comparação, neste momento o governo de Sergipe comemora que o Estado tenha voltado a criar emprego depois de quatro anos, gerando 840 novos postos no ano passado. Wellington Dias já trabalha para elevar o IDH do Piauí.

Comunista, o professor e ex-juiz federal Flávio Dino já não é mais visto como uma grata surpresa porque agora é uma realidade na política do Maranhão, que passou por uma transformação com ele no governo. É reconhecidamente limpo, fez grandes investimentos na educação e na segurança pública, sempre valorizando os direitos humanos. Foi reeleito no primeiro turno com quase 60% dos votos válidos, derrotando mais uma vez o clã dos Sarney.

Renan Filho surpreendentemente faz um ótimo governo e está retirando Alagoas do atoleiro. Apertou o cinto, cortou desperdícios, eliminou privilégios e tornou seu estado líder em solidez fiscal. O governo reduziu o grave problema da mortalidade infantil, já possui 50 escolas em tempo integral e retirou o estado da liderança do ranking da violência. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou Alagoas em quinto e Sergipe em sexto lugar no ranking da violência em 2017.

Até no futebol Alagoas cresceu: o CSA chegou à primeira divisão e o CRB se mantém na série B do campeonato brasileiro.

E Sergipe? Durante muitos anos o estado se destacou como um dos mais equilibrados financeira e socialmente no Nordeste. Em 2015, ainda tínhamos o maior PIB per capita da região, R$ 17.189,28. Naquele ano, o PIB per capita do Nordeste era de R$ 15.002,33 e o do Brasil era de R$ 29.326,33.

Mas no período de 2002 a 2015, segundo números do IBGE, o PIB per capita sergipano cresceu apenas 24,3%, enquanto todos os demais estados da região, com exceção do Rio Grande do Norte, tiveram desempenhos bem melhores. Naquele período, o PIB per capita do Piauí cresceu 67,9%, do Maranhão cresceu 49,7% e da Paraíba, 48,5%.

Esse dado histórico já demonstra que alguma coisa não estava dando certo em Sergipe. Em 2016, nosso PIB per capita caiu para R$ 17.153,91, e fomos ultrapassados por Pernambuco (R$ 17.777,25) e pelo Rio Grande do Norte (R$ 17.168,60). O PIB per capita do Nordeste foi a R$ 15.779,11 e do Brasil alcançou R$ 30.411,30.

O governo Jackson Barreto acentuou o descalabro fiscal e financeiro. Cercado de (falsos) amigos, de indicações políticas que eram verdadeiros pesos mortos e de secretários que pensavam mais nos seus projetos pessoais do que no Estado (com escassas exceções), não fez o dever de casa e pagou caro nas urnas, mesmo que conseguindo a eleição do seu candidato a governador.

Belivaldo é jovem ainda, deve ter planos para 2022 e não tem nada a perder em priorizar a seriedade e a competência, porque daqui até lá o que vai importar é o resultado do seu governo. Ele é aliado do PT e de outros partidos adversários de Bolsonaro, mas na busca do melhor para Sergipe não terá problema se procurar alinhar-se com o governo federal. Desde que não bata continência para o capitão e não venda a alma ao diabo.

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