Vamos falar sobre educação?

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Faltando dois meses para acabar o ano, surge a notícia de que é necessário retomar as aulas presenciais como forma de garantir o bom andamento da educação. Mas afinal, de que educação estamos falando? Dessa vez deixarei Freire de lado, para tentar atrair a atenção de vocês de outro modo.

Segundo o grande epistemólogo Jean Piaget, a educação não deve ser vista de uma maneira que generalize a sociedade, é necessário que se leve em conta a natureza do indivíduo, seus esforços e suas experiências, com isso a sociedade tornar-se-á rica em conhecimento. A construção do conhecimento, de acordo com Piaget, se dá através do funcionamento do organismo e a atividade intelectual. Ou seja, o ser humano possui a capacidade de se adaptar e aprender o que o meio proporciona.

Em se tratando dos fundamentos da educação, entende-se a educação como a realidade global com a qual o ser humano interage, desenvolvendo suas potencialidades e humanizando essa realidade. É a condição para que o processo de aprendizagem se concretize e dê seus resultados. A educação inclui vários campos de estudo, a exemplo de História, Filosofia, Psicologia e Sociologia, que ajudam a fundamentar a essência da educação e o processo educativo.

Esta última, a sociologia, tão desprezada nos últimos anos, sobretudo pelo poder público, que retirou a obrigatoriedade de ensino, é voltada para o campo da educação. Para quem desconhece a Sociologia, uma de suas “funções” é a de abordar o papel da educação na produção e reprodução da sociedade de classes. Ou seja, é necessário identificar e entender os fatores ambientais e familiares para provocar estímulos que motivem a aprendizagem. Tais estímulos não podem ser generalizados como uma regra ou padrão para todos, devem ser definidas esferas de aprendizagem de acordo com a realidade de cada instituição de ensino, comunidade e perfil do estudante. Afinal, a cultura e educação não podem ser pré-definidas ou pré-estabelecidas baseado numa teoria geral para todos. A educação se faz a partir dos múltiplos enfoques intrínsecos na sociedade.

A importância da educação na vida em sociedade é tamanha, visto que ela está ligada às áreas fundamentais da vida humana. Portanto, a contribuição da escola no desenvolvimento da cidadania, de como diminuir as diferenças e as competições em sala de aula, são de fundamental importância para que a geração de estudantes desenvolva uma consciência crítica acerca das questões sociais. A aplicabilidade da educação se dá através de ações práticas que devem partir não só da instituição (diretoria, coordenação, corpo docente), como também do próprio estudante, que deve sugerir e contribuir para o desenvolvimento da aprendizagem, através de sugestões, críticas, e opiniões para a melhoria do ensino.

A suposta “função” do educador, por outro lado, é a de se questionar sobre o objetivo do seu trabalho, sobre os procedimentos que utiliza, sobre os métodos aplicados, sobre os estudantes a quem leciona, e principalmente, sobre quão comprometido ele é em sua prática. O professor não está em sala de aula somente para lecionar determinado assunto, o educador tem o papel fundamental de tornar o educando um cidadão. Mas entendam, ele não está substituindo, e nem deve, o papel que a família deve desempenhar também nesse processo. Não confundam!

Considerando a educação como ação fundamental para o desenvolvimento social do ser humano, é importante repensar a aplicabilidade prática desta, tomando o pressuposto de que a massificação da educação não pode ser encarada como algo positivo, pois a sociedade é composta por indivíduos que vivem situações distintas em lugares e contextos econômicos, também distintos. E esse é o principal desafio da educação em nosso país, a compreensão de que os contextos são diversos, logo, o modelo educacional “padrão”, não serve para todos, ao contrário, exclui e cria abismos ainda maiores, prova disso foi o caos instaurado a partir da Pandemia, em que se exigem de todos os alunos e professores, aplicação de aulas online, sem que o Estado forneça para essas pessoas, o mínimo de estrutura e treinamento.

Termino esse longo texto, ainda curto, ao meu ver, em se tratando de um tema tão complexo como a educação, questionando vocês, leitores: Vocês sabem qual é o salário dos professores de seus filhos? Vocês conhecem o plano educacional da escola de seus filhos? E do país? Vocês sabiam que os professores ao longo da quarentena trabalharam muito mais de casa, usando seus aparelhos sem taxas extras para cobrir eventuais gastos?

Para cobrar dos gestores, é necessário conhecer como o sistema funciona, e como ele deveria funcionar, mas, enquanto isso, a preocupação parece girar em torno da economia, e a educação, que deveria ser o pilar que sustenta esse país, segue, mais uma vez, negligenciada pelo povo e seus gestores.

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