VENCER OU GANHAR?

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Aquele que acredita que em toda demanda deverá insistir, teimar, até cansar o adversário, justificando assim somente o seu “ponto de vista”, quase sempre perde exatamente aquilo que queria conquistar ou manter: aquele direito, aquela amizade, aquela relação ou, até mesmo, aquele negócio.

 

O cidadão depois de uma acalorada discussão sai convicto de que convenceu o seu ex-adverso. “É, fulano é duro na queda, mas eu consegui vencê-lo e mostrar que eu, sou mais eu…”.

 

Será, amigo? Será que você o convenceu ou, apenas, o silenciou? Você procurou verificar se havia satisfação no outro depois de escutar este seu, segundo você mesmo, tão “convincente” discurso? Sim. Porque, ao que parece, não houve um debate e sim um embate e, também ao que parece, foi tão forte, tão contundente, tão arrasador que, tudo indica apequenou o outro ao ponto de ele, talvez, no momento, apenas aceitar por aceitar.

 

Porém, certamente já imaginando a estratégia para negar aquilo que você teimosamente tanto queria conseguir.

 

Nos relacionamentos, como nos negócios, não é bom que tenhamos perdedores. Não é salutar que se passe por cima do outro para se conseguir uma vitória. A conquista tem que ser dividida. Há até um jargão popular que diz “o negócio só é bom quando os dois lados ganham”. Somente quando satisfaz aos dois lados é que uma relação prospera.

 

Diante de tudo isso, fica claro que, nestes casos, não é aconselhável ser o único vencedor. Não adianta ganhar a contenda e perder o objeto: um amigo, um cônjuge ou um negócio e, muitas vezes, a vida.

 

Parece exagerada a afirmação acima? Não é. Até que gostaríamos que fosse. Mas, infelizmente não é. A realidade dos nossos relacionamentos, dos nossos interesses, dos nossos “direitos”, tem demonstrado os absurdos de que nós, seres humanos, somos capazes, quando, por alguma razão, achamos que estamos com a “razão”.

 

Há pontos muito propícios para que estas situações extremas, aconteçam: brigas entre marido e mulher, comportamento entre motoristas no trânsito, litígios entre vizinhos, intolerâncias…

 

Já presenciei muitas causas perdidas por teimosias. Entre casais é uma constante. Um deles sempre acha que está cheio de razão, sem sequer perscrutar o entendimento do outro, sem lhe oportunizar o sagrado direito do contraditório. Discute tão convicto de seus argumentos que não há a folga necessária para que o outro também possa expor os seus motivos e justificativas.

 

Já perceberam? As discussões entre casais são quase sempre de duas maneiras, ambas, com certeza, equivocadas, infelizmente: a primeira é aquela em que somente um fala, atropela o outro sem lhe dar uma chance nem o direito de contra-argumentar; o que faz com que o outro, por temor, por educação, por subserviência ou por estratégia, silencie.

 

A segunda forma é pelo atropelo mútuo: os dois se entrechocam em aguerridos argumentos ininteligíveis que quase sempre redundam em desventura.

 

Aliás, miseravelmente o desequilíbrio como são conduzidas estas contendas sempre descambam para uma desgraça.

 

Nas minhas palestras para casais sugiro que seja constituído, de comum acordo, um “gerente”. Que os dois façam um pacto para quando um perceber que o outro está descontrolado, possa agir como um “administrador de crise”. Acredito ser essencial, nestas oportunidades, a existência deste “moderador” para minimizar a situação. Ele, ou ela, funcionará como um ponto seguro para apoiar este “papoco” de ego, de raiva e de teimosia. Gerenciar a situação torna-se, nesses instantes, vital para a boa saúde da família.

 

Como ficou claro, este gerente pode ser qualquer um dos cônjuges: se o descontrole é da esposa o marido agirá; e se for do esposo, é a vez de a mulher gerenciar.

 

Tentar responder, justificar, contra-argumentar, contradizer, quase sempre, só se presta para alimentar, mais ainda, a chama da discórdia, aumentando, por conseguinte, a temperatura da “briga”, piorando a situação. Por isso é que se faz necessária, nestas horas, a figura do cônjuge ‘bombeiro’.

 

LEMBREMOS: “VENCER, NEM SEMPRE QUER DIZER GANHAR”.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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