Venceu a democracia

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Os sergipanos deram ontem um banho de democracia no estado ao elegerem 788 vereadores e 75 prefeitos para legislar e administrar os municípios a partir de 1º de janeiro de 2013. Diferente do que muitos esperavam, o pleito foi tranquilo, apesar de clima tenso em alguns municípios do interior, onde a disputa foi mais acirrada. Na maioria dos casos, a exemplo de Aracaju, o resultado das urnas repetiu o que apuraram as pesquisas de opinião divulgadas durante a campanha. Portanto, estão de parabéns os 1,3 milhão de eleitores pela maneira cidadã como se comportaram no dia eleição, a Justiça Eleitoral por ter comandado um pleito sem sobressaltos e, principalmente, os candidatos, eleitos ou não, que trabalharam duro durante meses para convencer o eleitorado que suas propostas eram as melhores.

Festa

Eleito no 1º turno com 52% dos votos válidos, o futuro prefeito de Aracaju, João Alves Fillho (DEM), passou a noite e parte da madrugada comemorando o resultado das urnas com aliados políticos e eleitores. Após conhecer o resultado, o demista foi para a sede do partido, no bairro 13 de julho, onde fez um rápido discurso prometendo cumprir todas as propostas de campanha. Depois, seguiu à praia de Atalaia para participar da festa da vitoria.

Oposição

O candidato Valadares Filho (PSB) disse que, apesar da derrota, está feliz porque o aracajuano o credenciou para liderar a oposição na capital a partir de 2013. O prefeiturável reconheceu como legítima a vitória de João Alves e lhe desejou sorte para administrar a capital sergipana, mas prometeu cobrar o cumprimento das propostas feitas pelo demista durante a campanha eleitoral.

Derrotados

Alguns prefeitos perderam a eleição ou viram seus candidatos serem derrotados pela oposição. Os casos mais emblemáticos são os de Itabaiana, Lagarto, Carira, Itaporanga, Capela e Canindé do São Francisco. Nestes municípios, a oposição derrotou os prefeitos Luciano Bispo (PMDB), Valmir Monteiro (PSC), Gilma Chagas (PSC), César Mandarino (PSC), Sukita (PSB) e Orlandinho Andrade (PDT). Estes dois últimos não conseguiram eleger Josefa Paixão (PSB) e Ednaldo da Farmácia (PSC).

Renovada

A Câmara Municipal de Aracaju foi renovada em mais da metade. Ficaram sem mandatos os vereadores Danilo Segundo, Elber Batalha Filho, Evando Franca, Fábio Mitidieri, Juvêncio Oliveira, Karla Trindade, Morito Matos, Miriam Ribeiro, Rosângela Santana e Simone Góis. Dos atuais, conseguiram se reeleger Robson Viana, Dr. Emerson, Nitinho, Valdir Santos, Pastor Jony, Dr. Gonzaga, Emmanuel Nascimento, Ivaldo José, e Jailson Santana.

Estreantes

Para o primeiro mandato como vereador de Aracaju, foram eleitos Dr. Agnaldo (PR), Adelson Barreto Filho (PSL), Daniela Fortes (PR), Lucas Aribé (PSB), Pastor Roberto Morais (PR), Max Prejuízo (PSB), Lucimara (PC do B), Augusto do Japãozinho (PRTB), Anderson de Tuca (PRTB), Adriano (PSDB) e Agamemon Sobral(PP). Estarão retornando à Câmara, que a partir de 2013 terá 24 parlamentares, Iran Barbosa (PT), Dr. Manoel Marcos (DEM), Renilson Félix (DEM) e Vinícius Porto (DEM).

Recorde

Não foi na eleição de ontem que se conseguiu igualar o recorde do ex-vereador Milton Santos, falecido em março deste ano aos 96 anos de idade. Ele conquistou sete mandatos, tendo permanecido na Câmara Municipal de Aracaju de 1955 até 1983, quando resolveu deixar a política. O recorde de Milton Santos só poderia ser igualado ontem pelos candidatos Evando Franca e Jidenal Santos, mas ambos não obtiveram êxito nas urnas.

Votos nulos

A estreia da Lei da Ficha Limpa nas eleições municipais deste ano provocou um efeito colateral: a impossibilidade de apurar a quantidade de votos nulos. Quando o candidato está com o registro negado, mas ainda pendente de análise na Justiça, tem os votos registrados, mas não aparecem na totalização porque entram na conta dos nulos. A Justiça Eleitoral deve começar a divulgar hoje a lista de votos obtidos pelos candidatos com registro negado.

Zerados

Dos 404 candidatos a vereador por Aracaju, 17 não obtiveram um votinho sequer. Os candidatos zerados são Naracy, Arlete Santos, Valdson, Karine Mota, Maria Aparecida, Luciana Santos, Fernanda Dids, Delma Reis, Jane, Fabiana Monteiro, Lilian Damaceno, Vanete Santos, Adriano Araújo, Ariene Maia, Fernando da Graça, Estelita e Edson Lopes. O que teria dado nestes candidatos para não votar neles mesmos?

Do baú político

Muitas vezes eleição é uma caixinha de surpresas. Em 2008, o deputado federal Almeida Lima (PPS) fez uma das eleições mais caras já vista em Aracaju. Encheu a capital de carros de som, montou um poderoso comitê eleitoral na avenida Barão de Maruim e inundou as esquinas com bandeiras da campanha. Tinha como adversários o governo do estado e a Prefeitura, que apostaram na reeleição do comunista Edvaldo Nogueira, mas pelo barulho que fazia era tido como um dos favoritos. Alguns diziam que Almeida provocaria o segundo turno e aí, contando com o apoio do DEM, que apresentou como candidato Mendonça Prado, seria páreo duro para os governistas. Abertas as urnas, a decepção de quem gastou tanto. Edvaldo venceu com 51,71% dos votos, enquanto Almeidinha amargou a 3ª colocação, sendo votado por menos de 18% do eleitorado e ficando atrás de Mendonça, que conseguiu 21,73% dos votos. Como se vê, dinheiro não é tudo quando não se tem apelo popular.

Resumo dos jornais

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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