Vender ou viver, eis a questão

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Eu sempre gostei de uma boa discussão, uma argumentação baseada em fatos, dados, aquele diálogo que instiga, que faz pensar de maneira inteligente e sagaz. Eu gosto da perspectiva de trocar com quem pensa diferente, porém, pensar diferente requer coerência e sapiência, e é aí onde tudo se perde no meio do caminho, quando há diferenças demais. Exemplo disso é a discussão constante sobre o fechamento ou não do comércio por conta da pandemia. Confesso que às vezes me cansa o diálogo quando somente um lado está disposto a ouvir e o outro somente a atacar. E aí uma discussão séria vira uma teia de ofensas, de ameaças, justamente porque as pessoas em seus momentos de revolta não conseguem compreender os diversos lados, o único “correto”, “sofredor” e que mais está sendo prejudicado é sempre o seu. Eita espécie difícil essa humana, hein? Não consegue olhar para o lado diante de dificuldades, é sempre o meu que importa, “farinha pouca, meu pirão primeiro”, não importa nada além de si e de suas finanças.

 

Digo isso porque outro dia entrei numa discussão que acabou do mesmo jeito que outras, ofensas e desentendimentos com representante de dono de bar, porém, eu não tenho estabelecimentos, eu auxilio com meus serviços de assessoria de comunicação a empresas, a pessoas que queiram passar determinada imagem ao público e conquistar mais clientes, espaço etc. Ou seja, percebi, em Aracaju, que nas redes sociais, especialmente no Instagram, muitos donos de bares e restaurantes ainda se preocupam pouco com sua imagem diante da clientela, pois bater boca com cliente é uma falha gravíssima para quem empreende, difícil de contornar muitas vezes, a depender do caso. Mas vamos ao caso, vi um post sobre a revolta dos bares e dos restaurantes por causa de um decreto governamental que estabelece o fechamento destes de sexta a domingo, como forma de tentar diminuir o caos na saúde, visto que os hospitais seguem lotados e o aumento dos casos está desenfreado. Ok, entendo que as pessoas precisem pagar as contas, manter suas empresas abertas e acho válida a revolta.

 

Meu questionamento foi: conversaram com as autoridades sobre criação de um pacote econômico que favoreça os donos desses estabelecimentos enquanto estiverem fechados? Solicitaram ao Governo auxílio para manter seus funcionários em casa? Isenção fiscal? Além de não ter recebido resposta a nenhuma dessas perguntas, fui bombardeada por quem responde pela página do estabelecimento, como não sendo empata e não compreendendo que precisam pagar as contas. Respondi afirmando que estava fazendo uma sugestão, tentando apontar soluções, pois compreendo que deve ser difícil para o empresariado brasileiro, afinal, precisam pagar contas. Porém, ressaltei que doentes e mortos não consomem, e que recuar é necessário para que não cause um efeito catastrófico em mais esferas. Mais uma vez, sem sucesso, recebi respostas de maneira alterada, pois falei que os empresários também podem pressionar não só por vacina, como para que seus funcionários, que lidam diretamente com o público, entrem na lista de prioridade para receber as doses, já que muitos bares e restaurantes acham que não há problema em se manter abertos diante deste cenário.

 

Resposta: você está aqui para fazer política? Não, não estava ali para fazer política, estava ali sugerindo, como uma cliente, formas para que o estabelecimento não fechasse, pois eu gosto muito do local. Porém, como cidadã e filha de uma profissional de saúde que não parou de trabalhar nesta pandemia, não posso achar normal que os donos desses estabelecimentos não dialoguem sobre a gravidade da pandemia e sobre o aumento dos casos graves. É perceptível que Aracaju é uma cidade que relaxou demais, parte da população abusa e muito. Existem muitas pessoas que poderiam ficar em casa, mas optam por sair, sempre em grupo, sem máscara, não indo nem ao banheiro desses bares com a máscara, e não respeitando os protocolos de distanciamento.

 

Muitos desses estabelecimentos comerciais também não estão respeitando os protocolos, não há distanciamento adequado, permitem mais de 4 pessoas por mesa, pessoas circulando sem máscara pelo ambiente. De quem é essa responsabilidade? Pensem comigo, se eu tenho uma casa, a quantidade de pessoas e o modo como as acomodo em meu ambiente depende de quem, de mim, que sou dona da casa ou dos meus convidados? Quem é que deve se adequar às regras locais? Além disso, ficar culpando o Governo, os hospitais, a vizinha, não vai ajudar em nada se você, como cidadão, também não respeita regras. O que você faz para se prevenir e prevenir o alastramento do vírus? A solução é seguir o que já foi pedido um milhão de vezes, e tentar fazer com que outras pessoas sigam. Lembrem-se que mortos e doentes não movimentam economia, e que todas essas mais de 289 mil pessoas que morreram em nosso país tinham uma trajetória, tinham família, tinham amigos. Portanto, para você que pode, fique em casa.

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