Visão de crescimento

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Sábado passado, em uma farmácia instalada em um dos shoppings da cidade, um cidadão da classe média abriu o verbo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O motivo era o preço alto de um remédio que ele comprava periodicamente por determinação médica. Quase em discurso, o consumidor dizia que errou em ter confiado no presidente Lula da Silva e que ele era uma decepção para a classe trabalhadora e para os mais humildes. Aproximadamente dez pessoas que estavam no local concordaram e também se mostraram indignadas com os preços dos produtos de primeira necessidade, como é um medicamento. Até os médicos concordam que o “órgão” mais sensível do homem é o bolso. Quando o seu “nutriente” (o dinheiro) é escasso ou vive em falta, ataca todo o sistema nervoso, provoca estresse, é motivo de infarto e até desfaz casamento. Como foi o caso do cidadão da farmácia, que sentiu exatamente no bolso o maior arrependimento por ter colaborado com o seu voto para que Lula da Silva chegasse a presidente.

 

Ninguém pode recusar os números do crescimento econômico, principalmente na produção e exportação. Tanto que a criação de empregos formais, de janeiro a outubro deste ano, obteve o melhor resultado já ocorrido, para o período, desde 1992. Nota-se uma euforia, dos segmentos do Governo, em relação a esse impulso que a economia deu durante os dois anos de administração do presidente Lula. Mas o que desgasta a imagem de Lula junto à comunidade que vai às feiras e supermercados, é que ninguém sente no bolso reflexos desse crescimento. Há até um fato interessante que precisa ser analisado: a cada final de semana, quando o consumidor sai dos supermercados, sente que o valor total das mesmas mercadorias é superior ao da semana anterior e, com a sensibilidade que tem no “órgão” que transmite insatisfações, passa a não acreditar nesse decantado crescimento econômico, porque isso não se registra exatamente no bolso. Daí a decepção com um presidente que prometeu um Brasil bom para todos, com reformas sociais de inclusão, com mais emprego, saúde, escola, comida, segurança e tudo que qualquer cidadão precisa para sobreviver.

 

O setor de marketing do Governo percebeu que a linguagem do crescimento econômico não estava sendo entendida pela população, exatamente porque não havia reflexo no consumo e na taxa de emprego do setor agrícola e na indústria e comércio dos estados que estivessem um pouco abaixo ou acima da linha do Equador. Com uma bem bolada campanha, em que pessoas comuns assistem as informações de crescimento e perguntam “e daí?”, o Governo explica, de forma didática, os caminhos que seguem as exportações para chegar ao “Zé Mané” que reside onde o “vento faz a curva”. É possível que esteja conseguindo algum objetivo, junto à classe mais esclarecida da região mais sofrida, mas é difícil convencer que um cidadão desempregado no Nordeste brasileiro, que continua há anos sem oportunidade no mercado ativo de trabalho, esteja convencido de que o Brasil está melhorando. Não se pode esconder que há segmentos isolados de crescimento, inclusive na indústria de fundo de quintal, como a de confecções de calcinhas, no interior de Pernambuco, que exporta seu produto para a África. Mas na visão mais ampla, os estados desenvolvidos do Sul e Cento Sul, como Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul é que experimentam um avanço econômico, que deveria ser ampliado de forma significativa para todo o país, não apenas para outras pequenas metrópoles até mesmo do Nordeste.

 

O cidadão comum, o aposentado, a dona de casa que precisa suar muito para sustentar a família com o mínimo de conforto, não está vendo a situação do país melhorar. O desgraçado que passa sede e fome no alto sertão sergipano, sequer imagina que o presidente Lula sabe dos problemas de sua região. É possível que um cidadão, como o prefeito de Poço Redondo, Enoque Salvador, um padre, que tem boa formação intelectual, que conhece profundamente a miséria que grassa sobre a população que comanda, também esteja descrente desse crescimento esplendoroso, que não consegue colocar um copo de água para saciar a sede de uma criança. Diante desse quadro dramático, de uma pobreza absoluta, de uma legião de sedentos e famintos que se torna milhões no Norte e Nordeste do Brasil, é um crime falar em crescimento, em melhores condições de vida, em satisfação para o povo brasileiro. É preciso mensurar crescimento tomando como base a redução dos índices de pobreza e não o dos valores econômicos, numa região próspera, industrializada e melhor assistida pelo Planalto Central.

 

O presidente Lula precisa refazer sua biografia, que foi escrita pela luta em defesa dos direitos do trabalhadores, contra as desigualdades sociais e no combate à miséria. Para isso, precisa dedicar um trabalho de crescimento nas regiões onde se registram níveis abaixo da linha de pobreza. Imaginar que fortalecendo a indústria nos estados desenvolvidos vai chegar ao miserável que passa fome no sertão dos estados nordestinos é uma utopia, que não caberia a um homem que viveu essa situação e sabe das dificuldades de quem está no fundo do poço, sem um naco de esperança para viver com um mínimo de dignidade.

 

ESTÂNCIA

O pai do vereador Sandro de Bibi (PFL) invadiu a Câmara Municipal de Estância, ontem, com uma faca de 10 polegadas, para matar o radialista Di Santy.

A facada pegou de raspão no pescoço do radialista, que foi espancado pelo agressor. Di Santy prestou queixa e a polícia está atrás de Bibi, por tentativa de homicídio.

 

DISCUSSÃO

Dois importantes e conhecidos empresários de Sergipe, hoje adversários inconciliáveis, se encontraram casualmente a bordo de um avião que decolava de Aracaju.

Um deles dirigiu-se para o outro e bradou: “pague suas contas”. Chamou atenção dos demais passageiros, mas quem foi cobrado ficou calado.

 

SEGRASE

O projeto que transforma a Segrase em autarquia está parado e não deve ser votado mais esta semana. Espera-se confusão para a próxima terça-feira.

Os secretários Nicodemos Falcão, de Governo, e Mendonça Prado, da Administração, vão conversar com os funcionários do Segrase, para explicar os benefícios da autarquização.

 

OPOSIÇÃO

O deputados da oposição já decidiram que vão votar contra o projeto e vão trabalhar para convencer colegas da bancada do governo a fazerem o mesmo.

A própria bancada do Governo – pelo menos foi o que disse um deputado – acha o clima ruim para aprovação, porque tem gente ressentida das eleições de outubro.

 

LUCRO

Um aliado do governo declarou que o Segrase não dá prejuízo e lembra que o estado fala em economia de R$ 15 mil, quando vai gastar R$ 18 mil com cargos em comissão.

Pelo menos dois deputados da bancada do governo votam contra o projeto. Um deles considerou que a reforma deveria ter sido feita em janeiro deste ano.

 

BANESE

O governador João Alves Filho (PFL) mandou, ontem, um recado para as oposições e banqueiros, de que o Estado não vai vender o Banese.

E foi mais longe: “agora o Banese é que quer comprar outros bancos. Se tiver algum interessado que apareça”.

 

AUDIÊNCIA

A prefeita eleita de Itabaiana, Maria Mendonça (PSDB) vai pedir audiência à ministra do Meio Ambiente, senadora Marina Silva (PT-AC).

Vai também falar com o presidente Lula para pedir que a Serra de Itabaiana seja transformada em Parque Nacional, com o objetivo de preservar fauna e flora.

 

DECISÃO

O deputado estadual Gilmar Carvalho (PV) já anunciou que não ingressa em um partido que o ex-governador Albano Franco (PSDB) esteja.

Diz que a razão não é pessoal, mas política…

Segundo Gilmar Carvalho, seria uma incoerência ser correligionário de Albano Franco, “depois de tudo que eu disse do Governo dele”.

 

ENCONTRO

Ontem pela manhã, no gabinete do senador Antônio Valadares (PSB), a bancada de Sergipe teve a primeira reunião preliminar para definição das emendas orçamentárias.

Já ficou definido que cada parlamentar indica uma emenda de bancada, o governo terá três, Aracaju fica com duas, As Associações de prefeitos com uma e a UFS também terá uma.

 

VIAGEM

O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, chegou em Brasília ontem à noite e hoje vai começar a conversar com os parlamentares sobre as emendas.

Logo ao chegar à Câmara, Marcelo Déda terá um encontro com o deputado federal João Fontes (sem partido), para solicitar que ele encaixe uma emenda para Aracaju.

 

JOÃO

O governador João Alves Filho também chega a Brasília hoje para conversar sobre as emendas orçamentárias e mostrar as prioridades do estado.

Segundo João Fontes, já está marcada para sexta-feira uma reunião com toda a bancada, em que terá a presença de João Alves e Marcelo Déda.

 

TRABALHO

Cresce o argumento, dentro da bancada de Sergipe, que todos os parlamentares devem se unir para a liberação das emendas contingenciadas.

A principal delas, que tem a unanimidade dos deputados e senadores, é a destinada à Universidade Federal.

 

LOURDES

A campanha municipal de Nossa Senhora de Lourdes, cuja eleição ocorre domingo, está muito acirrada. Sem violência, mas bem disputada.

O deputado Ulices Andrade (PSDB) acha que será uma vitória folgada do candidato do PT, levando em consideração as pesquisas realizadas no primeiro pleito.

 

DEFENSORES

Duas varas judiciais serão inauguradas no DIA nesta sexta-feira. Uma de Assistência Gratuita e mais dois juizados: um civil e um criminal. 

As duas não funcionam sem defensores públicos…

Entretanto aos membros da Defensoria foram reservados cubículos e garagens sem cobertura. Aos juízes e promotores, bons gabinetes e garagens cobertas.

 

Notas

 

FICÇÃO

O deputado federal Jorge Alberto (PMDB) insiste que o Orçamento Geral da União (PGU) “é uma peça de ficção que somente se torna realidade com o emprenho e o prestígio pessoal dos governadores e alguns senadores e deputados”. Para Jorge Alberto, a liberação dos recursos só acontece se o presidente quiser.

Jorge Alberto acrescenta que “as bancadas se desgastam em sucessivas reuniões, inclusive nas comissões, discutem todos os projetos, fazem emendas coletivas e trabalham no sentido de aprová-las no OGU, mas nada adianta”.

 

NORDESTE

O deputado federal Jorge Alberto ainda defende que o Governo Federal dê uma atenção especial ao Nordeste, especialmente nos Estados mais pobres da região: “há uma preocupação das bancadas dos Estados nordestinos em viabilizar projetos de relevante cunho social, para atende as dificuldades do Nordeste”.

Jorge diz que são obras que beneficiam muita gente, mas o dinheiro quase sempre não é liberado. “É preciso definir uma obrigatoriedade do respeito ao orçamento. A continuar assim o trabalho dos deputados é em vão”.

 

AUDITORIA

Para evitar surpresas, o prefeito eleito de Propriá, Luciano Nascimento (PFL), só pretende começar a comandar o município depois que o Ministério Público e o Tribunal de Contas procederem a uma auditoria na Prefeitura. O problema é que o prefeito Renato Brandão (PPS), recusou a formação da equipe de transição.

Luciano acha que se a equipe de transição estivesse atuando, ele já tinha conhecimento de todo patrimônio móvel e imóvel, o que mostraria a realidade da Prefeitura. Por essa razão, está recorrendo a órgãos fiscalizadores.

 

É fogo

 

O chefe da Casa Civil, Flávio Conceição, viajou a Brasília para reunir-se com parlamentares sobre as emendas orçamentárias.

 

Um grande número de prefeitos viajou a Brasília para cuidar das emendas orçamentárias que beneficiem suas cidades.

 

O coordenador da bancada, deputado José Carlos Machado (PFL) tem procurado acomodar os interesses de todos os parlamentares.

 

O secretário da Comunicação, Carlos Batalha, atarefado com a organização do Encontro Nacional de Secretários de Comunicação.

 

O deputado Arnaldo Bispo (PMDB) não tem dúvida de que Itabaiana vai se desenvolver, com o incremento da atividade turística.

 

O deputado Belivaldo Chagas (PSB) ameaça fazer um pronunciamento bombástico sobre a Segurança Pública.

 

O discurso de Belivaldo depende do não comparecimento do secretário Luiz Mendonça na Assembléia Legislativa, até o dia 15 de dezembro.

 

O prefeito de Areia Branca, Ascendino Souza (PSB) está se articulando para que o município tenha um Parque Nacional.

 

O deputado estadual Mardoqueu Bodano (PL) tem demonstrado preocupação com o aumento do flagelo da seca.

 

De acordo com relatório de novembro sobre taxas cobradas em operações de financiamento para empresas, a taxa de juros média praticada em outubro subiu quatro pontos.

 

A criação de 1.796.347 empregos formais de janeiro a outubro deste ano é o melhor resultado para o período desde 1992.

 

O mercado devolver a alta dos dois últimos dias e puxou o dólar comercial para sua menor cotação desde 19 de junho de 2002, sendo cotado a R$ 2,755 na ponta da venda.

 

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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