VISÕES DO PARAÍSO

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O Arco do Triunfo
Para amenizar as pressões emocionais e físicas que sofremos no dia-a-dia da profissão, viajar nas férias é uma boa terapia. Principalmente quando se tem a oportunidade de conhecer algumas maravilhas do planeta, seus monumentos históricos, palácios e museus, e cenários do nosso imenso país, suas praias, serras, cidades, povo, com suas características e particularidades mas sempre com o mesmo espírito camarada e hospitaleiro, de norte a sul.

Meu querido pai, Antonio Conde Dias, de saudosa memória, dava títulos aos seus escritos de acordo com a temática; para as lembranças de sua infância, intitulava IMPRESSÕES QUE PERDURAM, aos comentários do momento, INSTANTÂNEOS DA ATUALIDADE e as suas incursões pelo Brasil o título de “RECORDAÇÕES DE VIAGEM”. Pensando nele, retirei do baú, justo no momento em que estou de viagem, meio a trabalho, meio a lazer, o que não é de todo ruim, impressões que colhi em algumas dessas paragens, dividindo essa emoção com os leitores. Denominei VISÕES DO PARAÍSO.

 

AS CORES DE BARILOCHE – A emoção que contagia as pessoas que chegam a San Carlos de Bariloche, oeste da  Argentina, inicia-se quando são vistas as primeiras manchas de neve que recobrem o topo das montanhas andinas. Logo ao desembarcar, no modesto aeroporto desse monumento geográfico da humanidade e pegando a estrada que leva à cidade, tudo vai se enquadrando numa visão cinematográfica de luzes. O contraste das cores na paisagem é de um realismo absoluto e de uma riqueza que impressiona pelos detalhes. Sem meios termos, nessa aquarela natural, o verde é verde, o vermelho é vermelho e o azul realmente é azul.

 

ARCO DO TRIUNFO – O entardecer na “Cidade da Luz” é inesquecível. Subindo as escadas do charmoso metrô parisiense, na “Estação Henrique VIII”, por volta das 21 horas e chegando à superfície, eis que nos deparamos com a visão exuberante do Arco do Triunfo dourado pelas luzes da cidade. É um momento mágico, que fica indelével em nosso pensamento e nos faz voltar o olhar a todo instante e a cada passo dado ao longo da “Chans Ellisées”.

 

O DAVID – Florença toda ela é um museu. Visitando o da Academia, logo na entrada principal, existe acesso para os dois lados. Optamos pelo da esquerda e penetramos no mundo fantástico de Michelangelo, observando com espanto suas esculturas inacabadas que perfilam ao largo do corredor. São formas humanas impressionantes, como se os corpos estivessem lutando para se livrarem das rochas e a qualquer momento pudessem ficar livres delas. Não percebemos que, tomados que estamos pela emoção, no fundo do corredor, a nos esperar, de perfil, a sua obra prima: o David.

 

PALÁCIO VENEZZA – Roma é para se conhecer caminhando, caminhando e caminhando. A cada esquina, uma surpresa, uma contemplação. A visão do Palácio Venezza, ao entardecer, sentado numa mesinha na calçada do Bar Brasil, degustando um bom vinho, é uma delas. O tempo passa e não nos cansamos de admirar, mesmo distraídos pelo confuso trânsito dessa encruzilhada, que bem aqui, à nossa frente, se transforma num verdadeiro caos de carros, ônibus, lambretas e pedestres, todos querendo passar ao mesmo tempo. E ao fundo, bem no fundo, imponente, o Palácio Venezza.

 

COLISEU – Passando ao largo do Palácio Venezza, resolvemos chegar ao Coliseu pelo caminho mais  longo, contornando uma série de monumentos antigos até atingirmos a primeira visão do antigo Anfiteatro Flavius, primeira denominação do estádio. Sua grandiosidade influenciou decisivamente na mudança do nome para  Coliseu. A ação do tempo e dos saqueadores, cristãos que roubaram os mármores externos para a construção de igrejas. Mesmo em ruínas, nada consegue tirar a sua imponência e o impacto causado nas pessoas que adentram ao seu monumental recinto.

 

POMPÉIA – O maior museu a céu aberto do mundo parece ter vida própria. Resquício de organizadas civilizações do passado, destruídas pela fúria do Vesúvio, que ainda impera majestoso no horizonte, suas ruas e ruínas de antigas construções, os anfiteatros, as thermas, os prostíbulos, leva-nos a mergulhar no passado e fazem ecoar em nossos ouvidos as lamúrias e os lamentos dessa extraordinária civilização perdida.

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