Viúvas de João

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A derrota de João Alves Filho (DEM) deixou seus eleitores descontentes, mas ficou engasgada na garganta daqueles que já se preparam para retornar ao governo. Estes, mais do que os primeiros, são as viúvas de João, que se acostumaram a tirar benefícios do Poder. Embora não admitam e até se enfezem quando ouvem a verdade, eles sabem que é muito difícil uma liderança política sobreviver oito anos a pão e água. No caso do demista a coisa é mais séria, pois pesa contra ele a avançada idade, o discurso ultrapassado e o fato de o seu partido está morrendo nacionalmente por inanição. É claro que Alves Filho executou obras importantes no Estado, afinal foi governador três vezes, prefeito biônico de Aracaju e ministro do interior. Isso, contudo, não o torna imbatível indefinidamente. O tempo passou e os liderados de ontem se transformam nas lideranças de hoje, a exemplo de Eduardo Amorim. É o ciclo natural da vida. Quanto a procurar explicações para a derrota, é perfeitamente natural, principalmente para as viúvas de João. Por fim, nunca é demais lembrar que o choro é livre.

Pé na estrada

Em seu primeiro discurso após a eleição, o deputado estadual Adelson Barreto (PSB) agradeceu aos 61.598 eleitores que o reconduziram a Assembléia. Segundo ele, durante a campanha, percorreu 2.200 quilômetros em um carro de som. “Foi como se tivéssemos rodado de Aracaju a São Paulo, mas valeu à pena, porque os sergipanos entenderam a nossa mensagem e disseram nas urnas que querem a continuidade do trabalho social que realizamos”, afirmou Adelson.

Sem ressentimento

“Grandes lideranças do passado também tiveram o privilégio de perder uma eleição”. A frase é do deputado estadual Antônio Passos (DEM), que apesar de ter tido 21.012 votos não conseguiu se reeleger. Ao agradecer o apoio dos eleitores, o demista comparou a eleição a uma maratona, “que teve a participação de 142 ‘atletas’, mas apenas 24 cruzaram a linha de chegada”. A derrota de Antônio Passos foi lamentada pelos colegas de Parlamento, que elogiaram seu comportamento ético e a brilhante atuação como presidente da Assembléia.

Com Lula

O governador reeleito Marcelo Déda (PT) participou ontem, da reunião organizada pelo presidente Lula com todos os aliados eleitos nas eleições de domingo. Discutiram a campanha de Dilma Rousseff agora no segundo turno. Déda chegou a sugerir que Lula tire uma licença de 15 dias para entrar de corpo e alma na campanha, mas o presidente disse que vai proferir continuar no cargo e usar o tempo livre para trabalhar em favor da presidenciável.

Com Serra

O candidato derrotado João Alves Filho (DEM) recebeu ontem um telefonema do presidenciável José Serra (PSDB), que deseja vê-lo envolvido na campanha presidencial. Hoje, o demista segue de São Paulo para Brasília, onde participará de uma reunião com os caciques tucanos para discutir as estratégias da campanha eleitoral. João Alves só deverá retornar a Sergipe na próxima sexta-feira, quando deverá conceder entrevista para falar sobre sua derrota nas eleições de domingo.

Infraero explica

A Infraero informou ontem que o helicóptero investigado pela Polícia Federal não decolou no dia da eleição para, segundo denúncias, lançar material de campanha de três candidatos nos bairros de Aracaju. Segundo o assessor da Infraero, Maurício Siqueira, a Polícia Federal esteve no aeroporto e percebeu que a aeronave se encontrava parada no pátio. “Nossos registros comprovam que o helicóptero só decolou na tarde do sábado, argumenta o assessor.

Injuriados

Alguns eleitores de João Alves Filho estão injuriados com o deputado federal Mendonça Prado e a senadora Maria do Carmo Alves. Tudo porque, segundo eles, os dois praticamente impediram uma aliança entre o DEM e o PSDB de Albano Franco. Na avaliação desses eleitores, se a coligação tivesse ocorrido, os sergipanos teriam eleito João para o governo e Albano para o Senado. Agora, amigos, é chorar o leite derramado, até porque “se” não tem casa nem morada.

Está de volta

Após ter se afastado durante o período eleitoral, Lucimara Passos reassumiu a presidência da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb). A retomada do cargo foi oficializada ontem, em reunião realizada no gabinete do prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B). Durante o afastamento de Lucimara, o cargo foi ocupado pelo diretor administrativo e financeiro da Emsurb, Fábio José da Silva.

Deixou o ninho

Depois da derrota do amigo Albano Franco para o Senado, o empresário Fabiano Oliveira desfiliou-se do PSDB e anunciou que deixa definitivamente a vida político-partidária. Após explicar que o seu foco é o setor empresarial, o criador do Pré-Caju disse que só participou da campanha eleitoral deste ano por gratidão ao “amigo-irmão Albano Franco”. Então, tá!

A caminho do TC

O presidente da Assembléia, deputado Ulices Andrade (PDT), deverá tomar posse como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado entre os dias 15 e 20 deste mês. Segundo ele, tudo vai depender da agenda do governador Marcelo Déda (PT). Ulices explica que deixou para tomar posse depois das eleições para não criar possíveis sobressaltos no Legislativo. Ele vai substituir no TCE o conselheiro Antônio Manoel de Carvalho Dantas, aposentado compulsoriamente.

Do baú político

Sergipe já teve um governador que assumiu o cargo de pijama. Foi Celso de Carvalho. Na madrugada do dia 1º de abril de 1964, os militares invadiram o Palácio Olímpio Campos e prenderam o governador Seixas Dória. Às 5h, o major do Exército Lário Lopes Serrano foi ao apartamento de Celso, que o recebeu de pijama, pois tinha acabado de acordar. Ao perguntar o motivo daquela visita tão cedo, o vice foi informado pelo oficial que ele precisava assumir o governo imediatamente. Entrevistado depois pelo jornalista Osmário Santos, Celso de Carvalho conta que pediu para fazer algumas ligações, porém o militar alertou que os telefones estavam ‘grampeados’. “Antes que eu argumentasse qualquer coisa, o major Lário se perfilou e disse: ‘Diga o que Vossa Excelência deseja, pois estou aqui para servi-lo’. Eu já estava mandando. Virei governador antes de tirar o pijama”, contou o político simãodiense.

 

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