Viva Ará – Paulo Lobo

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Ninguém ama o que não conhece

É bastante comum em Sergipe, a afirmação de que o sergipano não tem orgulho da sua própria terra e da sua gente. É recorrente também a comparação entre esse desinteresse nativo pelas nossas coisas e o bairrismo exacerbado do baiano ou do carioca. Não é preciso ser nenhum sociólogo para perceber que isso é verdade.

Recentemente li na imprensa local, um artigo do prof. Afonso Nascimento do departamento de Direito daUFS, intitulado “Construir a Sergipanidade”, onde ele localiza, a meu ver com bastante propriedade,  as causas desse desinteresse em três áreas distintas: a econômica (pobreza e miséria, inimigos naturais da auto-estima), a cultural (a dependência em relação à Bahia, desconhecimento da própria história e baixo nível da produção intelectual das nossas elites) e a política (relacionada `a mesquinhês dos nossos governantes ao longo da história).

Afonso Nascimento defende entre outros itens, uma melhor redistribuição de renda (“chega de retirar tanto dos sergipanos, sem lhes dar nada em troca”), uma revisão dos nossos valores históricos  (“não permitir que os heróis das elites econômicas, políticas e culturais sejam transformados em heróis de todos os sergipanos”) e um “empoderamento das classes populares e subalternas de Sergipe”.

Trazendo o tema especificamente para Aracaju, (foco desta nossa coluna), podemos afirmar
que, por ser o centro das decisões do poder em suas diversas esferas, é a cidade sobre a qual recai a maior responsabilidade na atenuação desse sentimento de “anti-sergipanidade”.  A construção de um “orgulho der ser sergipano”, passaria (sem desconsiderar, obviamente, a importância do interior) por um exercício de melhor convivência com esta capital. Aqui está a sede de um novo governo do qual os sergipanos esperam muitas mudanças (que contemplem, sobretudo, a redistribuição de renda e o acesso das camadas popular a uma melhor qualidade de vida).  
    
Não é tarefa fácil e a imprensa aracajuana, por ser a mais representativa do Estado, tem o dever de colaborar com esse processo. Acompanhando as ações dos nossos representantes, tentando formar novos valores e fazendo com que a nossa gente conheça a sua história e seus sujeitos. De nossa parte, estamos aqui pra isso, afinal, ninguém ama o que não conhece. Viva Ará! A cidade agradece.   

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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