17 de Março: ocupantes vão resistir à reintegração

Barracos fincados na área da Praça (Fotos: Portal Infonet)

Cerca de 360 famílias permanecem acampadas em área que seria destinada à construção da Praça do bairro 17 de Março, na Zona de Expansão de Aracaju. São as mesmas famílias que foram despejadas dos imóveis daquele bairro que foram ocupados irregularmente. Na prefeitura, o sentimento é que haja uma ação envolvendo a Polícia Militar e a Guarda Municipal para cumprir decisão judicial favorável à desocupação da área.

A secretária municipal de Defesa Social e Cidadania, Georlize Teles, informou que a prefeitura já conquistou liminar favorável à desocupação em ação de reintegração de posse movida pela Procuradoria Geral do Município (PGM). No entanto, a ação para retirar as famílias só será articulada pela PMA, conforme alerta Georlize Teles, depois que a Polícia Militar apresentar o plano de ação para cumprir a sentença.

O coronel Jackson Nascimento, comandante do Policiamento da Capital, informou que a PM ainda não articulou um planejamento porque ainda não recebeu notificação da justiça. Enquanto isso, as famílias permanecem instaladas em improvisados barracos fincados na área destinada à praça.

Resistência pacífica

Luíza: "sou filha de Deus e tenho direito"

O bacharel em Direito, Flaviano Cardoso, membro da Comissão de Apoio à ocupação 17 de Março, informou que as famílias resistirão à ordem de despejo. Ele garante que nenhuma família recebeu notificação para desocupar a área, mas as famílias tomaram conhecimento – por ouvir dizer – que havia liminar pela reintegração de posse em favor da prefeitura de Aracaju. “A decisão é resistir. Vamos organizar uma resistência pacífica”, alerta a liderança do movimento.

A dona de casa Luíza dos Santos Paixão disse que não tem para onde ir. Ela informou que antes morava na casa de uma filha no Santa Maria e decidiu ocupar um dos apartamentos do bairro 17 de Março. “Quero uma moradia digna porque também sou filha de Deus e tenho direito”, justifica. “Os grandões estão morando em castelos e nós, que também somos cidadão, estamos aqui buscando uma solução para nosso problema”, observa.

O motorista Alan dos Santos Cunha, 25, disse que está desempregado e que morava com a mãe, no Orlando Dantas. “Mas quem casa quer casa por isso vim ocupar uma dessas casas”, desabafou. “Aqui vivem pessoas que não têm condições de pagar aluguel e não têm pra onde ir, são 398 crianças e muito idosos, hipertensos precisando de assistência”, alerta o também motorista Diego Teles dos Santos, 22.

Prefeitura pretende retirar os barracos

A ocupação divide a opinião dos moradores do bairro. “É uma imundície e a gente aqui não tem mais liberdade”, desabafa a dona de casa Cristiane Silva Freitas, que reside em uma casa bem próxima à praça. “Quero ver quando a prefeitura vai tomar uma providência porque aqui era para ser construída uma praça”, observa.

O aposentado Luiz Antonio Nunes da Silva, que também reside em rua próxima à praça ocupada, revela que se sente incomodado com aquela situação, mas não deixou de responsabilizar a prefeitura. “Eles derrubaram até o meu portão, mas sou a favor da ocupação porque o governo falhou, o governo mentiu e entregou as casas a quem não estava autorizada”, observa. “Eles têm razão”, resumiu.

Por Cássia Santana

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