7° Caminhada para Oxalá acontece na próxima sexta-feira em Aracaju

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A Caminhada sairá da Praça do Mini Golfe em direção à Praia Formosa e a concentração será a partir das 15h. (Foto: Ascom/CUT-SE)

De mãos dadas pelas ruas de Aracaju, vão caminhar juntas cultura, religião e política no Dia de Combate à Intolerância Religiosa, sexta-feira, 21 de janeiro, na 7ª Caminhada para Oxalá. A atividade é construída pelo Fórum Sergipano de Religiões de Matriz Africana e pela REMA (Rede de Matriz Africana). A Caminhada sairá da Praça do Mini Golfe em direção à Praia Formosa e a concentração será a partir das 15h.

A 7ª Caminhada para Oxalá é uma mobilização das comunidades de terreiro pelo direito à liberdade religiosa, à paz e pelo direito à vida, segundo Irivan de Assis, membro do Fórum Sergipano de Religiões de Matriz Africana. “Para os terreiros de matriz africana, a liberdade de culto no Brasil até hoje nunca existiu, apesar de figurar como um direito pelo artigo 5º da Constituição Federal. Constantemente temos que ir ao Ministério Público porque a polícia recebe denúncia de perturbação do sossego e, através da lei ambiental, o racismo religioso e a intolerância fundamentalista faz calar o som dos atabaques e interrompe as obrigações religiosas de matriz africana. Isto é uma realidade em Aracaju, no bairro Porto Dantas, na Zona de Expansão, por exemplo”, denunciou Irivan de Assis.

Neste ano, a Caminhada para Oxalá também manifesta posição contrária ao Projeto de Lei 194, de autoria do vereador e pastor Diego, que tramita na Câmara Municipal. “Enxergamos o PL 194 dentro de um projeto político nacional dos neopentecostais. Se esta lei trata de liberdade religiosa, ela precisa contemplar a pluralidade religiosa de Aracaju, não pode ser inconstitucional, deve ser ajustada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, entre outras questões que precisam ser discutidas com a sociedade. E nós das comunidades de religião de matriz africana, que somos constantemente agredidos, temos séculos de história para falar sobre liberdade de culto”, destacou Irivan de Assis.

Paulo Lira, secretário de Mobilização e Relação com os Movimentos Sociais da CUT e coordenador do Coletivo de Terreiros Axé Egbé Sergipano, ressalta que o diálogo com os movimentos sociais e comunidades tradicionais, não só de terreiro, é um desafio fundamental para a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

“O movimento negro e as religiões de matriz africana são movimentos diferenciados que se unem na luta anti-racista e na luta por liberdade religiosa. A intolerância religiosa se dá por uma concepção de sociedade que traz o racismo religioso em sua veia. Em nosso Estado, temos três vertentes das religiões de matriz africana que são o candomblé, a umbanda e o nagô. Mas no nosso País, as religiões de matriz africana não são toleradas. O PL 149 cumpre a tarefa política de dar aval para a ‘demonização das religiões de matriz africana’, isso vem de uma concepção ideológica racista”, avaliou Paulo Lira.

Fonte: Ascom/CUT-SE

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