76 internos dividem cinco alas no Cenam

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Cenam apresenta superlotação / Foto: Arquivo Portal Infonet
Na manhã desta quarta-feira, 24, após uma madrugada de brigas entre os internos do Centro de Atendimento ao Menor (Cenam), o presidente da Fundação Renascer, Gicelmo Albuquerque, conversou com a reportagem do Portal Infonet e reconheceu que a unidade está superlotada e os internos não contam com instalações adequadas.

Gicelmo afirma ainda que o Cenam conta apenas com cinco alas para abrigar os adolescentes. “Nós temos oito alas, duas delas estão sem nenhuma condição de abrigar os internos e outra também foi desativada. Ao todo são 76 internos, quando a capacidade máxima seria de 40”, conta.

Gicelmo Albuquerque diz que uma solução emergencial seria a construção de novas alas, mas para começar a obra precisa que a rede de alta tensão da Energisa seja retirada do local. “Desde 14 de outubro do ano passado que pedi a Energisa para retirar aquela rede, se a empresa tivesse retirado já poderíamos ter iniciado as obras e o acidente com o adolescente também poderia ter sido evitado”, revela, salientando que a empresa afirmou que a rede chegou antes da construção da unidade.

“Se a rede chegou antes, então, quem autorizou a construção do Cenam em uma área de risco?”, questiona Gicelmo. Na última segunda-feira, 22, em reunião com os represnetantes da Renascer o presidente da Energisa, Eduardo Alves Montovani, afirmou que a solução é a alteração do percurso da rede, cujo projeto já estaria pronto. Ainda segundo ele, essa é uma manobra complicada e que demanda tempo.

Denúncia

Gicelmo desabafa e reconhece problemas no Cenam Foto: Arquivo Portal Infonet
Sobre a denúncia que muitos internos não têm acesso ao banho de sol e nem a atividades educativas, Gicelmo nega e diz que a unidade respeita o direito dos adolescentes. “Todos têm direito ao banho de sol e assistem aulas, eles não estão confinados. Também respeitamos o direito dos adolescentes com relação às visitas”, menciona.

Sociedade

Um debate público conclamando a sociedade para as questões sociais dos adolescentes que são internos. Essa é uma das soluções propostas por Gicelmo para que os internos sejam ressocializados. “O problema dos internos não é somente do Governo, mas de toda a sociedade, porque se fala muito em ressocialização, mas a própria sociedade não aceita esse jovem quando ele sai da unidade”, lamenta Gicelmo.

Solução

No entendimento do administrador da fundação é preciso que os municípios tenham responsabilidade com os adolescentes que cometem atos infracionais. Gicelmo propõe como solução a criação de unidades sócio educativas em cada município. “O que acontece hoje é que os municípios não estão sendo responsáveis pelos seus adolescentes, então, todos os adolescentes são encaminhados para o Cenam que tem que acolher a todos”, salienta.

Gicelmo rebate algumas críticas com relação a esconder a realidade dos fatos. “Não estamos escondendo os problemas, a questão é que muitos estão querendo dar um de bom moço e começam a malhar a instituição sem nem procurar saber a realidade dos fatos”, ressalta.

Indicação

O presidente também desabafa e diz que sua indicação para administrar a fundação é por conta do trabalho realizado com comunidades carentes. “Trabalho há 27 anos com comunidades de risco em bairros como Lamarão, Atalaia, entre outros. Estou na fundação por méritos”, rebate Gicelmo, completando que além dos agentes de segurança a unidade conta com uma equipe de 14 técnicos entre psicólogos, assistentes sociais e pedagogos.

Por Kátia Susanna

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