A difícil e gratificante tarefa de ser Papai Noel

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Rubens Carusc, Papai Noel há 27 anos 
Pinheiros, guirlandas, panetone, peru e os tradicionais presentes são alguns dos símbolos que não podem faltar em dezembro. Mas sem dúvida o grande ícone que remete fortemente aos festejos natalinos e que povoa o imaginário de muita gente é a figura do Papai Noel. Séculos se passaram desde seu surgimento e a tarefa de manter vivo o personagem é o que fazem com muita dedicação alguns homens.

 

Rubens Carusc é um deles. Ator e produtor cultural ele se caracteriza há 27 anos. A oportunidade surgiu por acaso quando a loja em que trabalhava como motorista precisou de alguém para fazer entregas vestido de Papai Noel. Ele, então, resolveu assumir essa responsabilidade. “A partir daí eu comecei a estudar e a conhecer toda a vida do personagem Santa Claus, conhecido também como São Nicolau e como o ‘Bom Velhinho’”, conta.

 

Carinho e dedicação na tarefa de “Bom Velhinho”
Em dezembro ao se caracterizar de bom velhinho consegue faturar até R$ 3,5 mil. Mas revela e expressa através de seu olhar, o prazer que sente ao encarnar o personagem. “Não é o dinheiro que conta tanto. Para mim é uma honra, uma coisa maravilhosa que eu faço por amor, com muito carinho e dedicação”, diz.

 

Apesar de ser um valor considerável, nem todos aqueles que se arriscam a vestir a tradicional roupa de cetim vermelho e colocar peruca e barbas brancas conseguem faturar essa quantia. Nos shoppings da cidade o bom velhinho recebe em média R$ 800, como é o caso de Wellington Oliveira que antes de ser Papai Noel atua como educador infantil.

 

Gostar de criança é uma qualidade fundamental para ser Papai Noel, afirma Wellington
Além da remuneração, é preciso levar em conta também a rotina de trabalho, que inclui 40 minutos diários para vestir a fantasia e por a maquiagem, quase dez horas sentado na cadeira ouvindo todo tipo de pedido e tirando centenas de fotografias. Para conseguir fazer bem esse papel, Wellington destaca que é preciso antes de tudo “muita paciência”.

 

Wellington não faz idéia de quantas crianças atende por dia, já Rubens estima que deva passar mais de mil crianças diariamente em seu trono, localizado num dos pontos mais movimentados nesta época do ano, o calçadão da rua Laranjeiras, no centro da cidade. Apesar do grande fluxo ele confessa: “prefiro trabalhar no Centro do que em shoppings. Aqui recebo todo tipo de público, sem distinção de classe social”. Quanto à roupa que utiliza ele revela que, diferente do que as pessoas costumam achar, “é confortabilíssima, mesmo com o calor daqui”.

 

O cansaço faz parte do trabalho
Para Wellington a fantasia não é tão agradável como pensa Rubens, “a parte de cima (peruca, sobrancelhas e barba) é o que incomoda mais”. Fora todos esses apetrechos ele confessa: “A parte mais difícil é o cansaço, tirando isso pra mim é ótimo, porque me identifico muito com crianças”, conta o educador que está encarnando o personagem pela primeira vez profissionalmente.

 

Mas todo o carinho e a afeição ao Papai Noel não está só ligado à fase da infância, muitos adultos e idosos continuam, mesmo depois de crescidos nutrindo no imaginário, aquela figura bondosa e carismática de roupas e bochechas vermelhas. “Certa vez quando estava chegando num shopping da cidade caracterizado uma senhora de 97 anos com os cabelos brancos sorrindo maravilhosamente veio e me deu um abraço, um beijo e começou a chorar”, conta Rubens.

Por Carla Sousa

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