“Jogaram a peruca em cima do corpo de Floro. Um deboche. Era preciso prender Floro. Eram três pessoas, duas armas e mais de 50 policiais. Não podiam ter atirado para quebrar as pernas? Os meninos não tinham antecedentes criminais”. A afirmação foi feita na manhã desta segunda-feira, 11, pelo advogado de Floro Calheiros em Sergipe, Evaldo Campos. Evaldo Campos, abalado com a morte de Floro Calheiros (Foto: Portal Infonet)
Indagado pela reportagem do Portal Infonet sobre o que a polícia deixa de saber sobre os crimes pelos quais Floro Calheiros respondia, Evaldo Campos afirmou: “Com a morte de Floro Calheiros, morrem os processos das fugas, das urnas, de Joaldo Barbosa, de Motinha e de Luis Mendonça”.
Quanto à hipótese de a morte ter sido programada, Evaldo Campos contou ter recebido a informação de uma fonte dando conta de que 20 homens teriam ido ao encontro de Floro após o julgamento do caso Motinha ter sido adiado. 
Foto do Departamento de PRF de Barreira mostra a peruca sobre o corpo (Foto: Divulgação)
“É uma fonte que não vou revelar, tenho gravado. Imediatamente liguei para o secretário João Eloy e ele me garantiu que nenhum policial de Sergipe foi enviado. Prefiro acreditar no secretário. Não entendo como Fábio Calheiros foi baleado. Teria dado as costas para os policiais, já que o tiro transfixou e atingiu o abdomen?”, indaga acrescentando que vai solicitar apuração por parte do Conselho Nacional de Justiça.
Emoção
Visivelmente emocionado, Evaldo Campos conta que conheceu Floro Calheiros há dois anos e que o mesmo conquistou a sua confiança. “Eu acredito na inocência do meu cliente. Floro podia até não ser santo, mas era um homem íntegro, homem de palavra, muito mais do que muita gente grande aqui de Sergipe. Mataram Floro, mataram o sobrinho, atiraram no filho, mataram outro que ainda não sei quem é, mas não calaram a voz da família, dos advogados e muita coisa ainda vem à tona”, diz.
Fábio Calheiros
O advogado Evaldo Campos visitou o filho de Floro Calheiros, o Fábio Calheiros, 23 anos, que está internado no Hospital da Polícia Militar de Sergipe desde a noite deste domingo, 10. “Vou defender Fábio. Fui vê-lo mas não consegui contar nada sobre a morte do pai. Disse apenas que estava do lado dele, brinquei que ele precisava emagrecer, ficar mais forte, ele me agradeceu e eu sai. A polícia, a direção do HPM, os médicos, todos foram muito gentis e liberaram a minha entrada”, reconhece lembrando que entrará com um habeas corpus no caso de Fábio.
Quanto à despedida, Evaldo Campos disse que não vai ao enterro de seu cliente na cidade de Teixeira de Freitas, marcado para a tarde desta terça-feira, 12. “Eu queria muito ir ao sepultamento de Floro, mas optei por ficar aqui dando apoio a Fábio e aguardando a irmã de Floro, Francisca Calheiros, que é médica e deverá chegar nas próximas horas para ver o sobrinho”, finaliza.
Por Aldaci de Souza

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