Agente com arma e dois presos cria tensão em banco

Delegado Éverton Santos fará novas diligências (Foto: Arquivo Portal Infonet)

Um agente penitenciário foi levar dois presos a uma agência bancária em Aracaju e, como estava armado e sem documentos, foi barrado pelo vigilante. Houve desentendimento, tensão e policiais militares foram acionados.

O episódio aconteceu na manhã da quinta-feira, 30. O agente penitenciário tentou convencer o vigilante, informando que era uma pessoa conhecida dos funcionários da agência, mas os argumentos não foram convincentes. O vigilante manteve-se irredutível e os policiais militares acionados para atender a ocorrência o encaminharam para a 1ª Delegacia Metropolitana. O delegado Éverton Santos, titular daquela Delegacia de Polícia, ouviu os envolvidos no caso e liberou o agente penitenciário.

Segundo Éverton Santos, foram ouvidos os dois policiais militares que atenderam à ocorrência, os dois vigilantes e o gerente da agência bancária e o próprio agente penitenciário. “As pessoas foram ouvidas e ainda vou analisar para decidir se vamos encaminhar ou não este caso para a justiça”, informou o delegado. “Tenho que ouvir outras pessoas e fazer diligências, não tenho como dizer se houve transgressão criminosa, buscamos conter os ânimos e agora as ouvidas vão me nortear no que vou fazer daqui pra frente”, revelou o delegado.

Desproporcionalidade

Os detentos que estavam sendo conduzidos pelo agente penitenciário também foram encaminhados para a Delegacia Metropolitana, mas não foram ouvidos sobre o episódio e foram reenviados para o Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), onde estão custodiados, sem completar os serviços bancários que pretendiam fazer.

O episódio mobilizou também o Sindicato dos Agentes Penitenciários de Sergipe (Sindipen). O vice-presidente do sindicato, Marcelo Soares, acompanhou todos os procedimentos que foram adotados na 1ª Delegacia Metropolitana na quinta-feira e revelou que o Sindipen encaminhará as cópias dos depoimentos das pessoas ouvidas pelo delegado à assessoria jurídica do sindicato para que haja uma posição efetiva sobre a questão.

Mas ele estranha a desproporcionalidade da segurança. Na ótica do sindicalista, jamais um único agente deveria conduzir presos. “Tem que se trabalhar sempre com superioridade numérica, isto demonstra a força do Estado”, observou o vice-presidente do sindicato. “Neste caso, específico, acredito que houve um mal entendido, mas há uma coisa de cunho institucional que o sindicato vai cobrar [da Secretaria de Estado da Justiça]”, considerou.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Justiça (Sejuc) informou que a escolta dos dois detentos não foi realizada por apenas um agente penitenciário. De acordo com a acessória, a escolta foi realizada por quatro homens, mas apenas um entraria na agência bancária acompanhando os detentos.

A assessoria informou que a Sejuc instaurou procedimento administrativo para apurar a ocorrência e que acompanhará os desdobramentos das medidas que estão sendo adotadas pelo delegado Éverton Santos.

Por Cássia Santana

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