Agentes e Fundação Renascer não se entendem

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Policiais foram chamados para garantir atividades com os internos do Cenam
Em greve desde a última sexta-feira, 14, os agentes do Centro de Atendimento ao Menor (Cenam) acusam a Fundação Renascer de liberar, na manhã deste sábado, 15, a entrada de cerca de 20 policiais militares da Radiopatrulha na unidade de medida sócio-educativa para fazer o acompanhamento dos internos das alas até a quadra de esportes. De acordo com o presidente do Sindicato dos Agentes de Segurança (Sindase), Eziel Oliveira, a atitude fere o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Segundo Eziel, “o efetivo de 30% de agentes que continua em atividade dentro do Cenam não representa segurança para os menores e nem para eles mesmos”. Ainda assim, o presidente condena a alternativa adotada pela Fundação Renascer para continuar mantendo as atividades dentro do Cenam.

“Nós, agentes, estamos em greve. E a Renascer tomou a liberdade de colocar a Radiopatrulha para fazer o nosso serviço. Talvez eles não saibam que essa atitude vai contra o ECA e é condenada pelo Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente”, afirma Eziel

Eziel Oliveira acredita que policiais não devem substituir agentes
referindo-se à entrada de policiais armados em unidades como o Cenam.

De acordo com o presidente do Conselho, Thiago Oliveira, o efetivo policial armado só pode ser utilizado dentro das unidades quando houver situações que representem perigo e que os agentes, sozinhos, não sejam capazes de resolver.  “Policial não é agente sócio-educador. O ECA só permite que eles atuem em unidades de medidas sócio-educativas em casos de rebeliões, ou problemas do tipo”, destaca Thiago.

“Eles não são bichos”

Segundo o presidente da Fundação Renascer, Gicelmo Albuquerque, “os policiais estão fazendo aquilo que os agentes se recusam a fazer”. Para ele, mesmo com a greve, as atividades sócio-educativas não podem ser paralisadas. “Temos que garantir os direitos desses meninos. O direito de jogar bola, de tomar banho, de estudar”, enumera Gicelmo.

O presidente afirma, ainda, que os cinco agentes que se encontram no Cenam cumprindo a jornada de trabalho, como manda a Legislação, estão dormindo e não têm desempenhado suas funções.

Presidente da Renascer diz que atividades não podem parar com greve

No momento em que conversou com o Portal Infonet, Gicelmo disse que estava jogando bola com os internos e que o acompanhamento estava sendo feito com outros seis agentes educadores do antigo grupo, não concursado. “Esses sim sabem cuidar dos adolescentes. Os que são concursados só fazem maltratar os meninos”, afirma Gicelmo. “Chega de exploração, os adolescentes não são bichos”, completa o presidente.

O Portal Infonet também ouviu alguns internos. Eles denunciaram maus-tratos e abusos por parte dos agentes de segurança. Um deles chegou a dizer que “os agentes querem aumento no salário para ficar só batendo na gente”.

Outro princípio de rebelião

Na tarde deste sábado, 15, mais um princípio de rebelião movimentou as dependências do Cenam. Segundo informações, 22 internos cerraram as grades de duas alas e conseguiram chegar até o pátio. A Tropa de Choque foi, então, acionada para conter os ânimos. Na tentativa de impedir as fugas dos internos, um deles saiu machucado e foi levado ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Outros quatro conseguiram escapar e ainda não foram localizados.

Por Helmo Goes

Esta matéria foi alterada às 19h36 para acréscimo de informações

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