Agronegócio é uma das maiores ameaças para agricultura familiar

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Congresso reúne mais de 300 trabalhadores rurais até sexta-feira
Até sexta-feira, 18, trabalhadores e trabalhadoras rurais de todo o Estado estarão reunidos em congresso estadual para discutir os problemas enfrentados pela categoria. Para dar base à discussão e elaborar propostas de melhorias, participaram na manhã de hoje, 16, no auditório do Hotel Parque dos Coqueiros, de uma mesa redonda, o secretário de Desenvolvimento Territorial do MDS, Humberto Oliveira, e a diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Raimunda Celestina Damasceno.

 

Uma das principais preocupações apontadas diz respeito ao avanço do agronegócio e à falta de incentivos do governo para os pequenos agricultores. Diante desta conjuntura, a

Raimunda Celestina Damasceno
Contag está propondo a aplicação do Projeto Alternativo de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (PADRSS).

 

“Este projeto se apresenta como alternativa ao projeto neoliberal. E diferente do agronegócio que visa somente o lucro, o foco está nas pessoas e o estabelecimento de relações solidárias entre elas”, explica a diretora da Contag. Além disso, o PADRSS prevê a luta não só pela terra, mas por um conjunto de ações que envolve as áreas da educação, saúde, lazer, segurança, dentre outras.

 

Diante das cobranças apresentadas, o secretário de Desenvolvimento Territorial do MDS, Humberto Oliveira, ressaltou que o Governo Federal tem uma política voltada para a agricultura em geral, que envolve tanto o agronegócio como a agricultura familiar. “Mas é claro que o governo Lula estabeleceu prioridades para os pequenos agricultores, ampliando os recursos e o acesso a novos instrumentos, cito, por exemplo, o programa do biodiesel”.

 

José Carlos, aponta o endividamento como um dos maiores problemas do trabalhador rural em Sergipe
Agricultura familiar em SE

 

Para José Carlos, diretor de políticas agrícolas da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Sergipe (Fetase), um dos maiores problemas enfrentados pelo agricultor sergipano é a questão de endividamento. “Isso é um reflexo de políticas passadas quando os créditos do Governo não atendiam à demanda e era preciso fazer financiamento para viabilizar a produção”. Sem poder adquirir novos créditos, por conta das dívidas passadas, a agricultura familiar fica prejudicada. “Estamos discutindo políticas que permitam a organização dos trabalhadores para melhorar a questão da produção”, explica José.

 

Um outro ponto preocupante para quem vive de agricultura no Estado é a falta de mercado: “por conta disso a gente acaba tendo que vender nosso produto aos atravessadores a preço muito baixo”, conta Lucivaldo do Santos, produtor de milho e feijão na região de Tobias Barreto. Mais uma 

Secretário de Desenvolvimento Territorial do MDS, Humberto Oliveira
preocupação de Lucivaldo, e de muitos outros agricultores, é com a qualidade do solo. Para ele, falta um trabalho de análise do solo e orientação sobre os cuidados, principalmente com a adubação.

 

Em sua passagem por Aracaju, o secretário Humberto Oliveira, fez um balanço junto com o Governo do Estado, da atual situação da agricultura familiar em Sergipe. E apesar dos problemas apontados pelos agricultores, ele disse que verificou que houve um incremento no volume de recursos destinados a essa atividade, principalmente no último ano. Ele aproveitou a ocasião para anunciar que no dia 28 deste mês o presidente Lula irá lançar o Programa Território da Cidadania, que integra ações de 10 ministérios com o objetivo de promover políticas públicas para o meio rural.

Por Carla Sousa

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