Almeida Lima: “Nem capinagem, nem jardinagem. O que houve foi rapinagem”

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A metralhadora de acusações do senador pelo PDT, José Almeida Lima, voltou a funcionar na manhã de hoje. Na coletiva que convocou na sede do seu partido, na rua de Lagarto, o político falou a respeito do relatório de auditoria que o prefeito Marcelo Déda apresentou ontem. O documento foi a resposta da Prefeitura de Aracaju às denúncias de suposta mal versação do dinheiro público, feitas por Almeida durante a semana passada. Na ocasião, o senador afirmou que a Prefeitura de Aracaju utilizou uma verba de R$ 770 mil – dinheiro que seria do SUS – para capinar e podar árvores em áreas asfaltadas. Segundo ele, o relatório da auditoria não é isento. “O relatório da auditoria foi feito por subalternos do prefeito. Não dá para um soldado fazer um inquérito contra o general. O secretário que fez a auditoria (Moacir Santana, do Controle Interno) foi nomeado pelo prefeito. E na hora que for demitido, será também pelo prefeito. Esta pessoa não tem a independência suficiente para promover nenhuma investigação. A auditoria tem que ser externa. Sobretudo porque envolve atos praticados diretamente pelo prefeito”, argumentou. Almeida também afirmou que Marcelo Déda é o responsável direto pelos supostos desvios. “O prefeito é o responsável pelos atos praticados na administração. Ele não é o ordenador de despesa, porque é muito mais que isso: é o ordenador moral da administração. O ordenador da vontade. A administração faz aquilo segundo a vontade do prefeito. Ele ordena que alguém ordene a despesa. Secretário não ordena despesa por vontade própria, a decisão é do prefeito. Se fosse o contrário não precisava eleger prefeito”, afirmou o senador. Além de comparar os fatos que aponta como irregulares na administração do prefeito Déda àqueles que levaram o ex-prefeito Jackson Barreto a ser afastado do cargo, Almeida Lima também exige que a Prefeitura passe por uma investigação federal. “O Tribunal de Contas do Estado e da União, o Ministério Público de Sergipe e da União, e a sociedade como um todo, deve exigir a apuração dos fatos. Isso que o prefeito diz, não contempla toda a verdade. Se o PDT não tivesse assumido essa posição, de denunciar, tenho certeza que outros recursos da saúde iriam ser desviados da sua aplicação decente como foi no passado atual. Com conseqüências maléficas, com doentes que chegam, aos postos de saúde, e de lá saem no caixão para a sepultura, por falta da aparelhagem necessária e da assistência necessária. Pena que o prefeito esteja preocupado em fazer jardim em cima de pedra e em capinar mato em cima de asfalto. Agora, nossas denúncias dão conta que nesses postos de saúde não teve nem capinagem, nem jardinagem. O que houve foi rapinagem.”, acusou Lima. Questionado sobre a posição que Marcelo Déda afirmou que vai adotar – o prefeito disse em entrevista ao programa “Fala Sergipe”, da Rádio Atalaia AM, na manhã de hoje, que não iria mais rebater as colocações feitas pelo senador –, Almeida foi enfático. “Esta é uma postura de prepotência e arrogância. Ele tem a obrigação, sim, de prestar contas dos seus atos. Não precisa dirigir a palavra a mim, mas deve satisfações a sociedade”, disse. Na entrevista, o senador também afirmou que espera que o prefeito seja afastado do cargo para que as investigações transcorram de forma isenta. E, no final, condenou o que chamou de “a nova moda do PT. “Eu acho que esta história de devolução de dinheiro é uma moda que só se pratica na gestão do PT. Devolve o dinheiro e está resolvido o problema? Agora, quanta gente que está na penitenciária gostaria de devolver o valor da galinha que ele roubou para sair da penitenciária. Evidentemente que isso não resolve nada. O que se vê é que o discurso do PT, que fez tantas denúncias nesses 23 anos, não tem se caracterizado em sua prática do PT. Agora, aquilo que o PDT faz no governo, fala na oposição e voltará a fazer no governo, é completamente diferente”, afirmou o senador, assinalando que o partido deve, realmente, disputar a Prefeitura de Aracaju.

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