Após 24 horas de tensão, rebelião termina no Compajaf

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Familiares sendo liberados (Fotos: Portal infonet)

Após 24 horas de tensão, teve fim a rebelião deflagrada no Complexo Penitenciário Jacinto Filho (Compajaf) deflagrada no último sábado, 17. Durante toda a manhã deste domingo, dia 18, o negociador da polícia Militar, o capitão Marcos Carvalho, juntamente com os secretários de Segurança Pública, João Eloy, da Sejuc, Walter Lima, dos Direitos Humanos, Antônio Bittencourt e o juiz da Vara de Execuções Penais, Helio Mesquita, ouviram as reivindicações dos internos que pediam para serem transferidos e alegavam sofrerem maus-tratos na unidade.

Dos quatro reféns [funcionários da Reviver], um foi liberado logo às 11 da manhã sendo conduzido para o setor médico, mas a princípio, não aparentava estar ferido. Somente por volta das 12h40 min, os 16 detentos da Ala D chegaram a um acordo e decidiram liberar os demais reféns.

Á imprensa, o secretário de Segurança Pública, João Eloy, garantiu que os reféns não tiveram ferimentos graves.  “O desfecho foi à paciência e a inteligência da segurança pública. Graças a Deus mais uma vez a gente conseguiu negociar sem uma tragédia maior. Eles [reféns] tiveram ferimentos leves e os quatro estão bem, mas vão passar por exame de corpo de delito. Aparentemente não foram espancados e o exame é que vai dizer”, conta.

Maria dos Prazeres conta o que viu 

De acordo com o secretário de Justiça, Walter Lima, as denúncias de maus-tratos serão apuradas. “Na verdade isso vai ser apurado, o que de fato ficou patente é que como é um presídio de segurança máxima, tem muitas restrições como uso de celular, eles não tem acesso ao celular, o regime para o sol, eles também tem horário específico, todos os pontos que eles acordaram foram postos à mesa e culminou com o fim da rebelião”, diz.

Familiares

Durante todas as negociações, os 126 familiares [com cerca de 15 crianças] dos detentos permaneceram dentro do presídio a espera do término da rebelião, mas somente por volta das 14h, os familiares deixaram o presídio.

A aposentada Maria dos Prazeres Santos Cordeiro foi uma das pessoas que estava no presídio. Bastante nervosa, ela conta que foram momentos de angústia. “Estou com 62 anos de idade e é a primeira vez que vou a um presídio. Essa noite pra mim foi terrível porque tenho um filho e ele foi preso por conta de amizade e aconteceu essa barbaridade. O que eu vi foi baque e não sei explicar a agonia que passei”, conta.

Detentos durante revista 

Secretário de Justiça Walter Lima 

Refém  sendo liberado 

Com um filho pequeno nos braços, a estudante Rafaela Batista dos Santos diz que muitas famílias estavam dentro do presídio por terem optado. “Eles estavam reclamando que estavam na tranca e sofrendo agressões. Os outros como eu e meu marido só ficamos assistindo, mas o tempo todos eles acalmando a gente dizendo que não ia acontecer nada. Primeiro eles perguntaram quem queria sair e quem estava passando mal e esses eles levaram, aí depois eles começaram só a negociar, mas pelo jeito ninguém queria sair não, todo mundo queria ficar perto dos parentes, filhos, marido”, afirma.

Por Aisla Vasconcelos

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