Após assaltos, carteiros evitam entrar no bairro Santa Maria

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Carteiros estão temerosos com a violência do Santa Maria
O aumento da violência em Aracaju tem afligido carteiros da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). Com a grande incidência de assaltos à mão armada no bairro Santa Maria, os profissionais não querem trabalhar no local e se recusam a realizar entregas.

 

Ano passado, José Ailton Santos, carteiro e secretário de política e formação sindicária do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (Sintect), sofreu em 2008 um dos seis assaltos registrados. “O que nos aflige é o aumento do número de ocorrências num menor espaço de tempo”, ele diz, sem querer ser fotografado, com medo de represálias.

 

Segundo registros, ano passado houve três casos, o mesmo número de assaltos ocorridos desde maio deste ano. As ocorrências aconteceram em pontos diferentes dos conjuntos Padre  Pedro, Valadares, Marivan e Cajueiros, que compõe o bairro Santa Maria.

 

“Os trabalhadores estão assustados: nas duas últimas ocorrências, em 20 de julho e 1º de agosto, as vítimas sofreram até ameaça de morte. Numa ocasião, um carteiro chegou a ficar sob a mira de um revólver. Isso tem gerado um temor muito grande nas pessoas”, diz Ailton.

 

Os criminosos visam os pertences pessoais dos trabalhadores; o conteúdo e valor das correspondências é sempre ignorado. O presidente do Sintect em Aracaju, Sérgio Lima, reprova a atuação da ECT: “Há várias formas de se resolver isso, mas a empresa ainda não tomou nenhuma atitude. Até agora não houve nenhuma medida para resguardar a integridade do trabalhador, que fica exposto”.

 

O presidente do sindicato da categoria quer medidas preventivas imediatas
O sindicato recomenda aos carteiros da unidade do bairro Santa Maria a não realizarem entregas enquanto alguma medida preventiva não for tomada. “A distribuição domiciliar está irregular. Os trabalhadores devem sim se recusar a ir, embora alguns sejam obrigados a trabalhar na unidade do Santa Maria por ser impossível a troca para outra unidade”, confirma Ailton.

 

Procura pela polícia 

A assessoria dos Correios afirmou que, após uma reunião com representantes do Centro de Defesa e Promoção da Cidadania (CDPC – instituição do bairro Santa Maria) e três associações de moradores, a direção da empresa, o Sintect, o CPDC e outras cinco associações do bairro procuraram a delegacia. “Enviamos um ofício à Secretaria de Segurança Pública, solicitando uma audiência para debater essa situação”, diz o assessor José Ginaldo de Jesus.

 

“Se o bairro não oferece proteção, precisamos realmente suspender a entrega, se assim for  necessário. Esperamos que a partir desta semana as entregas domiciliares sejam regularizadas”.

 

O caso foi encaminhado para a 13ª Delegacia de Polícia. Segundo o delegado João Moreira já está sendo implementada uma operação onde atuarão as polícias Civil, Militar e Federal. “As medidas serão discutidas entre esses três órgãos, que atuarão para restabelecer a segurança na comunidade”.

 

A operação, principalmente através de rondas e blitz, pretende garantir o acesso dos carteiros ao local, bem como sua integridade. Segundo o delegado, as investigações a respeito dos suspeitos

“Solicitamos audiência com a SSP”, diz o assessor dos Correios
de assalto serão conduzidas pela Polícia Federal.

 

Assaltos a agências


Este ano, 31 delitos já foram cometidos contra agências dos Correios, segundo a assessoria da empresa. Ginaldo afirma que os Correios estão intensificando a vigilância armada e instalando equipamentos de segurança em várias unidades.

 

Segundo Ailton, o sindicato já requeriu a instauração de um sistema de segurança parecido com o utilizado em agências bancárias. “Nós entendemos que o tipo de serviço prestado por uma agência dos Correios não é muito diferente do de um banco; necessitamos de um sistema interno de câmeras, de um segurança, portas rotatórias e detectores de metais. Tudo isso protege não só a população como o trabalhador. Mas a empresa alega que isso depende de aprovação de Brasília”.


Por Marianne Heinisch e Raquel Almeida

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