Aracaju aponta cerca de 200 pessoas em situação de risco

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Construção é erguida por moradores de rua em meio à praça entre as Av. Coelho e Campos com Av. Eng. Gentil Tavares (Foto: Carluz Lima)

Inácia alerta que é necessário a população também tomar consciência de seu papel nesse processo (Foto: Arquivo PMA)

O grande número de pessoas em situação de rua é problema recorrente dos principais centro urbanos do país, e em Aracaju não é diferente. Este fator ultrapassa os limites de um problema pessoal e ganha características de uma necessidade de cuidado pelo poder público e da própria população. O último levantamento feito pela prefeitura de Aracaju registrou cerca de 200 pessoas nessas condições.

Este número alterna dependendo do período do ano. Mesmo migrando para várias regiões da cidade, as proximidades do Sinhazinha, no bairro Luzia, é um dos que mais aglomera moradores de rua.

Ainda de acordo com o levantamento, a maioria dessas pessoas não possui baixa escolaridade e já possuem alguma especialidade trabalhista. Desemprego, desvinculação familiar e uso de drogas são algumas das principais razões que levam algumas pessoas a ficarem em situação de rua.

Para amenizar o problema, equipes especializadas fazem abordagens a estes moradores a fim de identificar as causas que o levaram a ir para as ruas. “Não é rápido, por que essa pessoa se fragilizou tanto após ir parar nas ruas”, comenta Inácia Brito, diretora de Proteção Social da Assistência Social de Aracaju. Ela ainda diz que todo o trabalho realizado não é no sentido de forçar que a pessoa nessa situação saia das ruas, mas de incentivar a ressocialização.

Já quando encontrada resistência por parte do morador, a equipe procura conversar com ele outras vezes, incentivando-o a aceitar a ajuda necessária para sair daquela situação.

Inácia alerta que é necessário que a população esteja consciente sobre o papel dela nesse processo de reestruturação do indivíduo. "Muitas vezes a própria sociedade termina fazendo um desserviço ao dar dinheiro a uma criança, ou a um rapaz que está passando lá dizendo que tá passando fome”. Para Inácia, isso gera um ciclo onde as pessoas usam as ruas como um espaço de sobrevivência.

Centro Pop

Uma das instituições responsáveis pela reintegração social dessas pessoas em Aracaju é o Centro de Referência Especializado para a População em Situação de Rua (Centro Pop). O espaço atende em torno de 80 pessoas realizando oficinas, cursos profissionalizantes, além de ações que incentivem o protagonismo e a participação social das pessoas em situação de rua. Para ter acesso ao serviço, tanto a equipe vai até o morador de rua, quanto este pode buscar a ajuda na instituição.

De acordo com última pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com base em dados de 2015, o Brasil possui em torno de 101 mil pessoas em situação de rua.

por Carluz Lima e Raquel Almeida

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