Assalto a ônibus é prática comum em Aracaju

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Mesmo com queda de mais de 50%, ação de bandidos é diária / Foto: Arquivo Infonet

O assalto a ônibus tem se tornado uma ação corriqueira na capital. Com uma média de dois registros diários, a prática é comum devido à facilidade do crime – muitas vezes, o assaltante está munido com uma faca. Apenas na última semana, foram  registrados 12 assaltos a ônibus na capital sergipana.

Empresários do setor de transporte e representantes da polícia garantem no entanto que em Aracaju, mesmo com a frequência deste tipo de registro nas Delegacias, os números apontam para uma redução de 50%, se comparado ao mesmo período do ano passado.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Aracaju (Sintra), João Batista, a segurança dos profissionais ainda está bastante precária no Estado. Segundo ele, o trabalho deve ser incessante. “Se compararmos com o mesmo período do ano passado, houve uma diminuição, mas o número ainda é muito alto”, afirma o

João Batista, presidente do Sintra
sindicalista.

Diminuição de casos

A diminuição aos assaltos afirmada por João Batista é confirmada com os números divulgados pelo Sindicato das Empresas do Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp). De acordo com o órgão, a redução de assaltos foi de 50,62% nos períodos de janeiro a maio. “A porcentagem de valor furtado também caiu em 73,69%”, afirma o superintendente do órgão, José Carlos Amâncio.

O Comando do Policiamento da Capital, dirigido pelo Coronel Iunes, divulga uma porcentagem ainda maior: de acordo com o órgão, a

O superintendente da Setransp, José Amâncio
redução de assaltos chegou a 61,27%, tendo sido registrados 55 em maio deste ano.

Cobradores trabalham com insegurança

A causa dessa diminuição, segundo o Coronel Iunes, é devido ao aumento das operações policiais e as inúmeras prisões realizadas. “A Polícia Militar tem realizado vários flagrantes e prisões de assaltantes envolvidos, principalmente, em assaltos a ônibus. No último final de semana, por exemplo, um casal foi preso em flagrante dentro de um ônibus”, afirma o comandante.

Entretanto, a realidade difere da aparente calmaria afirmada pela Polícia e pela Setransp. Apenas na última semana, foram  registrados 

Comandante do Policiamento da Capital, Cel. Iunes / Foto: Arquivo Infonet
12 assaltos a ônibus apenas na capital sergipana. Na maioria dos casos, homens armados com revólveres rendem o cobrador e o obrigam a entregar a renda do veículo. “Muitas vezes, o cobrador também é obrigado a entregar o seu próprio dinheiro. Muito motorista e cobrador está ‘atacado dos nervos’ por aí”, declara João Batista.

Fitas de segurança não chegam à PM

Para o sindicalista, são necessárias medidas mais efetivas para combater os constantes crimes. “A polícia precisa fazer mais blitz nos ônibus, e, principalmente, aumentar o policiamento no final de linha, que é onde a maior parte dos assaltos acontece”, diz João Batista. Além disso, o presidente do sindicato afirma que as

Algumas empresas ainda não adotaram câmeras de segurança / Foto: Arquivo Infonet
câmeras instaladas nos veículos não têm muita eficácia, já que os vídeos de assaltos não são disponibilizados para a polícia.

Questionado sobre as fitas de segurança, o coronel Iunes afirma que elas realmente não chegam a suas mãos. Já a responsável pela Divisão de Repressão a Roubo a Ônibus, Nalile Bispo, afirma que algumas filmagens chegam a Policia Civil. “Nem todas as fitas chegam às nossas mãos porque algumas estão prejudicadas ou em má qualidade. Há também duas empresas que não adotaram as câmeras de segurança. Entretanto, isso não se torna um grande empecilho ao trabalho da polícia”, afirma Nalile.

Festividades aumentam prática de assaltos

Segundo a coordenadora, os meses de festividades como junho e dezembro são 

Nalile Bispo, da Divisão de Repressão a Roubo a Ônibus
períodos em que o número de assaltos é crescente. Para minimizar essa estatística, a polícia tem feito monitoramento dos suspeitos. Além disso, a Divisão de Repressão a Roubo a Ônibus da Polícia Civil tem feito policiamento nas áreas onde os assaltos são mais comuns, além de levantar fotos dos suspeitos e assim, levar subsídios que forneçam dados às investigações.

No mês de junho de 2008, por exemplo, a Polícia Civil registrou 143 assaltos a ônibus. Este ano, o número caiu para 81. “Nós fazemos um monitoramento para detectar esse aumento. Entretanto, é natural e inevitável que essa estatística cresça durante este período”, declara a coordenadora.

Por Domingos Lessa e Raquel Almeida

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