Av. Beira-Mar: USP aponta que interdição é injustificada

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Relatório foi solicitado pela Adema (Foto: Portal Infonet)

Após inúmeras discussões sobre a interdição da Avenida BeiraMar, em virtude do avanço das águas do rio Sergipe sobre a mureta de proteção, a Administração Estadual do Meio Ambiente (ADEMA) solicitou à Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH), da Universidade de São Paulo (USP), um relatório sobre o Projeto de Defesa Litorânea do local.

Após os estudos, os técnicos da FCTH constataram que a interdição do trecho na Av. Beira-Mar foi desnecessária. De acordo com o laudo, disponibilizado à imprensa pela Adema, não foi identificado indícios visíveis de perda de material de composição do aterro ou danos visíveis ao pavimento. O laudo mostra, portanto, que não há impacto no local que classifique a área como sendo de risco, motivo que desencadeou a interdição da via.

A nova avaliação foi feita pelos professores Moysés Tessler e José Carlos Bernardino, do Instituto Oceanográfico e da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, respectivamente. Os especialistas analisaram o documento inicial utilizado pela prefeitura de Aracaju para embasar a decisão pela interdição do trecho e recomendaram que a uma nova avaliação deve ser feita por uma outra empresa idônea especializada neste tipo de análise.

O secretário Genival Nunes preferiu não se manifestar a respeito do relatório, mas informou através de sua assessoria que o relatório pro si só mostra a verdadeira condição do local e que sua interdição mostra-se desnecessária, após avaliação.

Ação da maré no trecho da avenida (Foto: Arquivo Infonet)

“O muro externo de contenção do aterro, que fica exposto à ação de ondas, está aparentemente em bom estado, não tendo sido encontrados vestígios de fuga de material. Foram identificadas, em pontos especificos de treco, algumas fissuras no pavimento, especialmente nos locais próximos às saídas das redes de drenagem de águas pluviais. Entretanto, entende-se que nenhuma destas fissuras é muito grande ou externa de tal forma a justificar a interdição do trecho”, diz o laudo (Sic).

Sem licença

Em uma reunião ocorrida no último dia 3 de junho, com os especialistas da USP, a Adema informou que o projeto apresentado para a defesa da Praia 13 de julho não tinha aprovação ambiental, já que não tinham embasamento técnico. Motivo pelo qual se iniciou o impasse entre a prefeitura e a Adema para que as obras de contenção no trecho fossem iniciadas. Temendo um possível desabamento, a Prefeitura de Aracaju interditou a via.

Os professores da USP, de acordo com o relatório, não tiveram acesso aos estudos técnicos que embasaram a escolha da interdição, contudo orientaram que para tomar tal medida é necessário realizar estudo que tenham como base um conhecimento da hidrodinâmica marinha e transporte de sedimentos no local, até a avaliação dos impactos litorâneos.
Em um dos trechos do relatório, os especialistas orientaram que “é necessário um estudo de alternativas de intervenção, de tal forma a permitir a escolha da melhor opção do ponto de vista técnico, econômico e ambiental. Para isso, é altamente recomendável a aplicação de uma ferramenta computacional para modelagem hidrodinâmica da área de estudo, a fim de subsidiar o estudo de alternativa, simulando as correntes líquidas e o transporte sólido para diferentes condições de marés, ondas e contribuições fluviais. Este procedimento permite uma avaliação de eficiência de cada solução proposta na mitigação dos problemas, permitindo o estabelecimento de critérios técnicos para escolha da melhor intervenção.” (Sic)

Prefeitura

O secretário de Meio Ambiente de Aracaju, Eduardo Matos, afirmou que não foi informado formalmente sobre o relatório. “Não fomos notificados sobre esse documento. Não recebemos uma cópia do relatório e ele não está anexado ao processo judicial no administrativo”, disse Matos.

Por Eliene Andrade

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