“Bancos sem limites para lucrar”, por Jose Souza

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No mundo dos banqueiros, a palavra crise não está no dicionário. O que vemos é um sistema financeiro cada vez mais robusto. A se confirmarem às projeções do mercado, com base nos balanços do primeiro semestre, os 50 maiores bancos do país, que respondem por mais de 95% das operações, fecharão 2005 com lucro líquido de pelo menos R$ 20 bilhões.

Em 2000, as mesmas 50 instituições haviam lucrado R$ 2,9 bilhões. Ou seja, em apenas cinco anos, eles vão ganhar 589,18% mais. Um crescimento espantoso para uma economia que, nos mesmos cinco anos, terá uma expansão de 12%, caso se confirme à projeção otimista de incremento de 3,5% no PIB em 2005.

O cenário é ainda mais promissor para os grandes bancos. Nas contas dos analistas de investimentos somente Bradesco, Itaú e Unibanco, as três maiores instituições privadas brasileiras, vão lucrar, neste ano, o que ganharam, em 2004, os 50 maiores bancos do país: R$ 11bilhões.

Quando o mercado estima lucro consolidado de R$ 20 bilhões para o conjunto de 50 bancos, está fazendo uma projeção bastante conservadora. O desempenho dos grandes bancos tem sido tão espetacular, que a cada três anos, eles dobram de tamanho.

Isso significa dizer, por exemplo, que tudo o que o Itaú acumulou de patrimônio nos seus 60 anos de existência vai se multiplicar por dois nos próximos três anos. No setor produtivo, somente poucas empresas, como a Vale do Rio Doce, conseguem realizar tal proeza.

No Brasil o negócio é tão bom, que a rentabilidade dos bancos não se compara nem mesmo às das instituições do principal centro financeiro do mundo, os Estados Unidos. Enquanto aqui, a média de retorno sobre o patrimônio dos bancos gira em torno de 30% ao ano, na terra do Tio Sam fica próximo de 12%.

*Jose Souza é diretor CUT Estadual e da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe

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