‘Biscoito otimizado’ pode ser nova opção na merenda escolar

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Biscoito será finalizado em outubro deste ano
Imagine um tipo de biscoito que possa ser feito a partir da casca do maracujá, trazendo uma alternativa a mais para o não desperdício do alimento.  Agora, pense que, além de ser rico em nutrientes, o biscoito possa fazer parte do cardápio da merenda escolar de escolas públicas espalhadas em Aracaju. O estudo de uma aluna da Universidade Federal de Sergipe (UFS) pode tornar isto uma realidade possível e bem próxima.

Desde março deste ano, a estudante do 8ª período do curso de Nutrição, Vanessa Cibelle Barboza de Carvalho, tem realizado intensa pesquisa no Núcleo de Nutrição da UFS para a viabilização do novo biscoito. O estudo intitulado “Biscoito de fécula de mandioca e albedo de maracujá como alternativa para merenda escolar da rede pública no Estado de Sergipe” servirá como Trabalho de Conclusão de Curso da aluna.

“Queria desenvolver um projeto que trouxesse algum benefício para a sociedade, especialmente às crianças. Como o biscoito é um elemento bastante aceito por este grupo, percebi que poderia atuar desenvolvendo o produto”, explica.

Iniciativa

Casca de Maracujá estará na composição do produto
A idéia do ‘biscoito otimizado’, como foi denominada a nova invenção, teve inspiração em um trabalho de mestrado intitulado “Formulação de biscoito a partir da substituição percentual da farinha de trigo por fécula da mandioca (Manihot esculenta Crantz) e maracujá amarelo (Passiflora edulis Flavicarpa)”, da aluna Fernanda Santana Carvalho pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos.

Com a inclusão da farinha do albedo (ou casca) de maracujá e algumas modificações, a estudante resolveu criar seu próprio biscoito. “Daí propus que o alimento fosse implantado como mais uma nova opção na merenda escolar em escolas públicas do Estado”, esclarece Vanessa.

O biscoito recheado, muito consumido pelo público infantil, por exemplo, traz em sua composição, gorduras trans ou saturadas, contribuindo ainda mais para o aumento da obesidade. Já a farinha do maracajá, componente do novo biscoito, é bastante rica em fibras, importante para a prevenção de doenças digestivas, cardiovasculares, diabetes, dislipidemias, e alguns tipos de câncer. É o que diz a doutora em ciência da alimentação e orientadora do trabalho, Elma Regina Silva de Andrade Wartha.

“Em um momento que se discute tanto a questão da merenda escolar, levar à sociedade um produto feito a partir de resíduos alimentares, é bastante considerável”, aponta.

Dados

Vanessa Cibelle, aluna que está desenvolvendo o produto
De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), cerca de 60% a 70% do peso total do maracajá corresponde à casca e às sementes. A fibra encontrada na casca acaba possibilitando sua transformação em farinha, permitindo o consumo para pessoas que necessitam do composto.  A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a ingestão de 27g a 40g de fibra alimentar diariamente.

Análises sensoriais

A orientadora conta que, durante a pesquisa, foram realizadas análises sensoriais, onde foi testado o sabor do produto. “Em um primeiro momento, fizemos análises de aceitação gustativa com pessoas da comunidade acadêmica, dentre estudantes, professores e funcionários da UFS”, explica Elma.

A aluna Vanessa conta que, em agosto, foi realizado o mesmo teste, mas em crianças de sete a dez anos, para saber a opinião dos pequenos a respeito do sabor do biscoito. Nesta análise também foi aplicado um Questionário de Freqüência Alimentar para a avaliação específica do consumo de fibra. ”Este projeto tem como essência trazer um biscoito sensorialmente aceitável, além de possibilitar a uso de resíduos de frutas regionais na preparação de outros alimentos”, ressalta a estudante.

Finalização

Elma acredita na funcionalidade do novo biscoito nas escolas
“Após todos os testes, estamos efetivando a caracterização química do produto, ou seja, sua composição para que em algumas semanas o ‘biscoito otimizado’ esteja concluído”, aponta Vanessa. Até o final de outubro deste ano, o produto estará finalizado.

Conforme esclarece a orientadora Elma, com o projeto concluído, será iniciado um novo processo junto ao Centro de Inovação e Transferência de Tecnologia (Cintec), para a busca de escolas públicas da cidade e os órgãos responsáveis, com o objetivo de apresentar a proposta de aplicação do biscoito à merenda das crianças assistidas pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

“É interesse salientar que, além de ser um biscoito nutritivo e sensorialmente aceitável, ele terá um preço consideravelmente baixo”, conclui.

Por Victor Hugo
Estagiário Portal Infonet

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