Casa do Menor auxilia no tratamento de jovens viciados em drogas

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Casa do Menor atende atualmente a quatro adolescentes
O avanço do uso de entorpecentes como o crack por crianças e adolescentes é algo crescente no estado. Adolescentes esses que necessitam de ajuda e que na maioria das vezes não sabem a quem recorrer. Para tentar reverter esse quadro foi criada a Casa do Menor, situada no bairro Soledade, na rua E, 178, e que foi inaugurada dia 09 de outubro de 2010. O projeto visa resgatar crianças e adolescentes envolvidos com substâncias entorpecentes.

Muitas mães se sentem impotentes no momento em que descobrem que o filho iniciou no caminho da droga. Fato esse que aconteceu com a empregada doméstica Patricia Santos, 37 anos, mãe de um dos jovens assistidos pela Casa do Menor. “O dia em que descobri a droga dentro de casa foi o pior momento de minha vida. Todo dia ele andava pela casa assustado, como se tivesse vendo vulto, mas eu não queria acreditar. Um dia ele chegou com os olhos vermelhos, agitado e foi se trancar no banheiro. Mandei ele abrir e ao sair, vi uma latinha com um fósforo dentro e tentei tirar dele, mas ele me agrediu. Neste momento achei que tinha que procurar ajuda para o meu filho”, relata, emocionada.

Patrícia Santos relembra quando descobriu que o filho usava drogas
Para alimentar o vício, o filho de Patricia Santos, o jovem de iniciais A.G.C.N, 15 anos, chegou ao ponto de levar de casa um celular da tia, que vendeu por R$ 20 reais para comprar crack. “A tia brigou com ele e neste momento ele pediu ajuda para se tratar chorando. Eu o levei ao Conselho Tutelar do 4º Distrito e o encaminharam a um abrigo no bairro Cirurgia, mas ele teve duas recaídas. Foi quando vi na televisão a Casa do Menor e o levaram para lá, de onde está desde a fundação”, conta a doméstica.

Segundo a educadora social da Instituição, Renata Ferreira da Silva, os meninos residem na casa e tem acompanhamento médico através do Centro de Atenção Psicossocial (Caps). “Aqui eles vivem em regime de internato. Os medicamentos são disponibilizados aos adolescentes, mas apenas para conter a ansiedade, que é o momento em que aumenta a vontade de consumir a droga. Além disso, recebem reforço escolar sempre no turno da tarde durante quatro dias na semana”, destaca a educadora social, salientando que a instituição também vai passar a contar com o auxílio de um psicólogo.

“Saí de casa com 10 anos para ir morar na rua”, diz AGCN
O jovem que está em tratamento faz alerta para outros adolescentes. “Quem tiver vontade de usar, não entre nessa, porque eu já entrei e sei como é. Digo que não é bom. Antes de entrar aqui na Casa do Menor eu era desobediente em casa e só vivia nas ruas, mas agora eu mudei, durmo na hora certa e já faz dois meses que não tenho vontade de usar o crack. A Casa do Menor mudou minha vida e espero sair daqui curado”, destaca o filho de Patrícia.

Resposta compartilhada por D.S., de 17 anos, que também é assistido pela Casa. “Saí de casa com 10 anos para ir morar nas ruas e trabalhar como flanelinha. Todo dinheiro que ganhava olhando os carros, comprava droga. Não queria mais essa vida e foi aí que procurei o padre Jofrede, do bairro Augusto Franco, e pedi ajuda para deixar o vício. Daí me trouxeram para cá. Foi a melhor coisa que fizeram por mim, porque agora sou outra pessoa e não quero mais voltar a usar a droga”, destaca o jovem.

Ajuda

Renata Ferreira conta que os meninos vivem em regime de internato
Atualmente o local atende a quatro adolescentes entre 15 e 17 anos em situação de risco e que foram encaminhados via juizados. A Casa do Menor é cedida pela Arquidiocese, mas já conseguiu um terreno através de uma doação, situado no conjunto Parque dos Faróis, em Nossa Senhora do Socorro, mas ainda falta ajuda de parceiros para a contrução do imóvel.

Para o coordenador do projeto, o padre Renato Chieira, a casa foi criada com o objetivo de tirar os jovens do mundo das drogas. “Aracaju está sentindo o aumento do crack pelos jovens e quero dizer que tem jeito e podem ser recuperados a tempo. Precisamos do apoio da sociedade, dos pais e do poder público. O governo do estado quer ajudar, mais ainda não temos um ano de fundação como é o permitido por lei municipal”, explica o padre.

O Instituto Lourival Fontes cedeu um galpão, em regime de comodato por 20 anos, situado no bairro São José. “Não basta apenas tirá-los do vício, mas oferecer uma profissionalização através da criação de curso de bolsa ecológica (lona de caminhão) e em seguida um curso de informática. Isso só não basta, precisamos da ajuda de todos e qualquer ajuda será bem vinda”, pede o coordenador.

A Casa do Menor necessita de alimentação, roupas e medicamentos. Quem tiver interesse em ajudar, basta entrar em contato com Renata pelo 9950-9033 ou pelo endereço: Rua E, 178, bairro Soledade, anexo a Igreja Santa Maria Madalena.

Por Aisla Vasconcelos e Raquel Almeida

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