Casa própria: dois anos de luta e privações

As 400 pessoas moram em divisórias improvisadas em dois galpões
Já imaginou morar em um galpão improvisado em condições insalubres, em divisórias de apenas três metros de comprimento por quatro de largura, sem água encanada dentro de casa e ainda ter que dividir três banheiros com 400 pessoas. Essa é a situação de 110 famílias que estão há dois anos desabrigadas e dividem o mesmo espaço em galpões localizados no bairro Siqueira Campos, zona Norte da capital sergipana.

O drama dessas pessoas começou no dia 1º de maio de 2008 quando elas invadiram o prédio inacabado do hotel Brisa Mar, localizado no bairro Atalaia, zona Sul da capital.  De acordo com o dirigente do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (Motu), José Marcos Simões, de lá para cá pouca coisa mudou. As famílias foram obrigadas a deixar o hotel por

O barraco é pequeno e não possui condições adequadas
ordem judicial. Após a mudança, mas uma desocupação traumática, dessa vez no espaço do antigo kartódromo.

A desocupação do kartódromo foi alvo de muitas criticas com relação à atuação dos policiais. Quem presenciou o fato não esquece e carrega traumas para o resto da vida. “Muito ruim, muita humilhação com a gente. Ninguém merece passar pelo que a gente vem passando”, diz a estudante Mônica Santana, ressaltando que há quase dois anos tem como endereço um dos galpões da rua Amapá.

São crianças, adultos, mulheres grávidas e idosos que não têm privacidade e sonham com coisas simples como um quarto, banheiro, água encanada e até uma porta.  

Após dois anos e muitas promessas o dirigente do Motu transmite o sentimento coletivo. “Quando a gente se mobiliza é mal visto, criminalizado, mas estamos lutando pelo direito de todos que é ter

Janete conta a rotina diária
sua casa própria. O que observo é que independente de sigla partidária falta qualidade na administração”, lamenta José Marcos.

Rotina

A autônoma Janete Santos Santana que mora no galpão lembra que morava em uma pequena casa localizada no bairro Coroa do Meio, zona sul da capital. Janete conta que foi obrigada a sair da casa alugada porque o valor ficou muito alto. “Quando soube da ocupação no hotel já estava sem ter para onde ir, fui em busca do meu sonho, – poder adquirir a minha casa própria. Mas tem sido muito difícil”, diz.

Janete que é mãe de quatro filhos enfrenta uma dura rotina de trabalho para dar conta dos afazeres do pequeno barraco. “Acordo cedo e vou pegar água nos banheiros, apesar daqui ter sete

As roupas ficam improvisadas e podem acumular insetos
lavanderias prefiro lavar a minha roupa perto do barraco mesmo. Faço várias caminhadas carregando baldes de água. É muito cansativo”, lamenta Janete.

A autônoma também relata que o pequeno cômodo tem que ser limpo várias vezes durante o dia para não acumular lixo e insetos. “Se a gente deixar os ratos entram na casa, tudo aqui tem que ser muito limpo. Essas paredes também facilitam as baratas e mosquitos”, ressalta.

Sonhos

A estudante Mônica Santana que era uma adolescente comum quando saiu de casa para morar em barracos improvisados diz que amadureceu muito com a experiência e pede que as pessoas tenham um olhar diferenciado sobre a situação das famílias.

“Lembro que no começo achava que tudo acabaria logo e que aquela situação que estava passando era uma fantasia, mas tudo se transformou em um pesadelo porque até hoje ninguém conseguiu tirar a gente para uma casa própria”, reclama.

A estudante sonha com um futuro melhor Fotos: Portal Infonet
“A sociedade critica o movimento, mas ninguém sabe como é viver tanto tempo sem ter privacidade, tendo que lidar com os problemas dos vizinhos porque quando alguém precisa todos tem que ajudar”, afirma.

Educação

A jovem que no final do ano termina o curso de agropecuária na Escola Agrotécnica diz que estuda diariamente tendo em mente um futuro melhor. É no quartinho apertado que Mônica sonha com uma profissão que possa ajudar as pessoas. “Aqui cheguei a presenciar pessoas que tinham problemas com álcool e drogas,- vi como isso é ruim. Por isso, quero poder construir uma clínica de reabilitação para poder ajudar a pessoas que enfrentam esses vícios”, finaliza.

Seides

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Inclusão Social no início do mês de março os secretários da Casa Civil, Oliveira Júnior e da Secretaria da Inclusão, Maria Luci se reuniram com representantes do Motu e ofereceram a possibilidade de alugar casas para todas as famílias, mas a oferta foi recusada.

O assessor Rodrigo Rocha acrescenta que a CEHOP está responsável pela construção de 500 imóveis num terreno localizado no município de Nossa Senhora do Socorro. A informação é que a obra está sendo licitada para ser construída o mais rápido possível.

Por Kátia Susanna

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