Comerciante lamenta derrubada de bar

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O Bar do Joca será derrubado em menos de 30 dias (Fotos: Portal Infonet)
Com um semblante abatido, a fala embaçada e o olhar perdido, o último proprietário de um bar na Aruana, zona de expansão da capital sergipana, faz um apelo aos órgãos públicos e lamenta não ter onde trabalhar depois que o seu bar for derrubado. Josiel dos Anjos é proprietário do “Bar do Joca” há 25 anos e começou a trabalhar no local quando ainda era um adolescente de 15 anos.

O sonho de pode estabelecer a vida e criar os filhos com o trabalho do ponto comercial começou a acabar na semana passada, quando Josiel soube da decisão da Justiça que deu 30 dias para que o bar seja demolido. “Durante a audiência o advogado da União queria dar um prazo de cinco dias, mas conseguimos 30, e agora tenho que sair daqui. Não sei ainda para onde vou ou como vou sobreviver seu este lugar”, lamenta.

Josiel não sabe para onde ir após a demolição
A medida visa garantir a reurbanização do espaço pela Prefeitura Municipal. A briga entre donos de bares, a Prefeitura e os órgãos federais se estende na Justiça desde 1999. O comerciante que calcula ter investido mais de R$ 50 mil reais no bar, não consegue aceitar que terá que jogar fora o maior bem material que juntou durante anos.

“Atualmente seis pessoas trabalham no bar, montei esse lugar aos 15 anos e ninguém veio aqui me dizer que essa terra tinha dono. Agora vem a União e afirma que é dona da terra”, desabafa Josiel, que teme o futuro.

Segundo Josiel, o ex-proprietário do Bar do Nelson, demolido em abril deste ano, enfrenta dificuldades financeiras com a família. “Hoje o Nelson vive aqui na praia tentando trabalhar como vendedor ambulante, mas vive com medo dos fiscais. O Nelson está em uma situação muito difícil,

Josiel lamenta não ter direito aos novos bares
passando necessidade. Ele era um homem que tinha um negócio e hoje não tem nada”, observa.

O comerciante salienta que não tem garantias de que os quiosques que estão sendo construídos serão entregues aos antigos proprietários dos bares que foram demolidos. “Todos os proprietários assinaram um termo de compromisso com todos os órgãos do Estado para que os quiosques fossem entregues para as pessoas que já comercializavam aqui, mas hoje esse documento não vale nada”, diz Josiel.

“Quero ter o que é meu de direito, preciso que a prefeitura possa me dar a mesma coisa que os outros receberam, que foi uma casa para morar. Não quero morar de aluguel e não ter como reconstruir a minha vida”, lastima.

Prefeitura

Por meio de uma nota enviada ao Portal Infonet na manhã desta segunda-feira, 18, a Prefeitura afirmou que vai conceder auxílio-moradia para o comerciante. Segue a nota na íntegra.

A Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Semasc), vem ressaltar que coloca-se a disposição da família do proprietário do último bar que será demolido por decisão judicial, a pedido do Ministério Público Federal em Sergipe (MPF/SE), na praia de Aruana, a qual terá total apoio por parte da prefeitura. As primeiras demolições na área foram realizadas em maio de 2008 e o referido bar continuava de pé, por meio de liminar.

A secretária Adjunta de Assistência Social e Cidadania, Edvaneide Souza Paes Lima, afirmou que o proprietário receberá o mesmo tratamento concedido às famílias dos bares demolidos no mesmo local em 2008. “Nossa idéia é não deixá-lo desamparado. Nós iremos inserir essa família no Cadastro Único [CadÚnico], que é a porta de entrada paras todos os programas sociais da prefeitura, para que, futuramente, possamos encaminhá-los para projetos de habitação”, disse.

Segundo a secretária, até que os projetos de moradia possam ser desenvolvidos a família será inserida no auxílio moradia no valor de R$ 300 mensais para custear alugueis temporários. “Até que os projetos possam ser concretizados essa família receberá o auxílio-moradia pago pela prefeitura”, destacou a secretária Adjunta.

Por Kátia Susanna

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