Construção de castelo revolta alguns enfermeiros

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Arquivo InfoNet

Os enfermeiros sergipanos integrantes do Movimento Popular de Saúde e da Central de Movimentos Populares em Sergipe estão protestando desde a sexta-feira. Depois de participarem de uma manifestação em frente à sede do Conselho Regional de Enfermagem (Coren/SE), eles seguiram para uma das residências em construção do casal Gilberto e Hortência Linhares, na Coroa do Meio.

 

A arquitetura da residência é peculiar e tem o formato de um castelo. Os enfermeiros desconfiam que os fundos para a construção do castelo teria sido obtido a partir do dinheiro deles, conforme explicou Simone Leite, líder do grupo. Na sexta-feira, também, aconteceram as eleições para a diretoria do Conselho, que os enfermeiros participantes do protesto comparam a uma monarquia.

 

A questão é que apenas uma chapa se inscreveu para o órgão, cujo nome cotado para a presidência seria o de Hortência Linhares, atual presidente do Coren/SE, que se encontra sob investigação da Polícia Federal, através da operação denominada Predador.

 

Liderados por Simone, os enfermeiros exigem que as eleições sejam revistas. Ela explica que o motivo é que a publicação do edital teria sido feita apenas no Diário Oficial, “um veículo que quase ninguém lê”. De acordo com a enfermeira, uma portaria expedida pelo Conselho Federal de Enfermagem, liderado por Gilberto Linhares, mudou uma regra no processo eleitoral: nenhuma chapa precisa de 50% dos votos mais 1 para ser eleita, basta apenas 1 voto para tanto, caso a eleição envolva apenas um grupo.

 

A equipe do Portal InfoNet entrou em contato com o Coren/Se para esclarecer a situação. Depois de algumas tentativas, conseguimos falar com Zilda Maria da Silva, tesoureira do Coren e presidente da Comissão Eleitoral. Segundo Zilda, as eleições estão seguindo as determinações do Código Eleitoral da instituição.

 

Zilda afirmou que todas as regras do processo eleitoral estão descritas claramente e qualquer pessoa pode ter acesso à documentação, inclusive, via internet. Quanto à acusação de que o edital tinha sido publicado apenas no Diário Oficial, ela rebate: “o edital foi publicado nos jornais ‘A Semana’ e ‘Correio de Sergipe’. Se a categoria lesse jornal, estaria informada”. No mais, ela questiona: “Por que, desde 1996, ninguém faz inscrição de chapa?”.

 

Outro ponto levantado por Simone Leite foi o voto por correspondência. Simone afirmou que qualquer enfermeiro poderia enviar seu voto através dos Correios para escolher seu representante. Para ela, existem diversos ‘absurdos’ envolvendo o processo eleitoral do Coren. 

 

Sobre a manifestação, ela diz: “Entramos na mansão e depois fomos embora. Queríamos mostrar que existem, além da casa dela, outras casas em construção. Uma delas é um castelo que Hortência está fazendo para a filha dela de sete anos”.

 

A esperança da enfermeira é de que o Ministério Público agilize o processo de investigação das eleições e as suspenda. Ela cita um caso que teria ocorrido na Paraíba, onde teria existido uma liminar cancelando o certame. Quanto à Polícia Federal e sua investigação, Leite está confiante: “Acho que a operação vai dar em alguma coisa. A PF está investigando realmente”.

 

Por Wilame Amorim Lima

Da Redação do Portal InfoNet

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