Críticas fazem Rolezinho mudar de nome em Aracaju

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(Foto Ilustrativa/Arquivo Portal Infonet)

A retaliação do rolezinho que está agendado para o próximo sábado, 16, no Shopping Jardins, deixou o Comando da Polícia Militar de Sergipe e a Secretaria de Segurança Pública em alerta para as possíveis irregularidades. A onda de manifestações chamadas pacíficas, mas que desencadearam em atos de violência em alguns estados, chegou a Sergipe. Em Aracaju, a convocação do evento para discutir a discriminação social começou a ser feita pelo jornalista Arthuro Paganini, por meio de uma Fan Page. Devido às críticas, o evento mudou de nome e passou a ser chamado de “Encontro Ecológico”.

O chamamento começou a ser feito nas redes sociais para às 18h. Como nos estados realizados, os eventos acabaram em pancadaria e vandalismo, o Setor de Inteligência da Polícia Militar de Sergipe e a Secretaria de Segurança Pública de Sergipe estão em alerta.

“Eu estarei participando de uma reunião com o secretário João Eloy no final da tarde desta quinta-feira, 16, para discutirmos um plano de ação em caso de violência”, ressalta o comandante da Polícia Militar de Sergipe, coronel Maurício Iunes.

Alerta

Coronel Iunes (Foto/Arquvo: Portal Infonet)

O assessor de Comunicação da Polícia Militar de Sergipe, tenente-coronel Paulo Paiva, fez um alerta aos pais.

“Pais de crianças e adolescentes devem ficar atentos para que os filhos não participem de rolezinho e sejam de maneira inocente, levados a cometerem atos criminosos. A Polícia Militar está acompanhando por meio do Departamento de Inteligência, essa mobilização convocada nas redes sociais para o Shopping Jardins, porque o evento em outras cidades acabou em vandalismo e até saques. Isso é crime”, alerta.

Movimento

O jornalista Arthuro Paganini [criador da Fan Page] acredita que a ideia do rolezinho em Aracaju, tenha sido criminalizada antes mesmo de acontecer.

Arthuro Paganini (Foto: Divulgação Facebook)

“Por isso mudamos o nome do evento para “Encontro Ecológico no Shopping Jardins”. A nomenclatura parece que ajuda a amortecer o reflexo da discriminação, que é tão óbvia quanto latente. Quando falamos em ideia, consideramos que esta tem vida própria, não pertence a um só corpo, a uma só mente. A criação de um evento foi tão somente para debater um assunto ainda maior que isso: a ignorância e a discriminação social”, garante o jornalista.

De acordo ainda com Arthuro Paganini, “rolezinho, nas palavras do secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Maurício Beltrame, não é crime. O crime pode acontecer em qualquer lugar, assim como vem acontecendo”.

Ele destaca que o intuito de criar esse evento foi meramente para provocar uma discussão sobre um assunto que é intrínseco a sociedade: a discriminação social.

“Chegamos ao ponto onde exatamente achei que iria culminar: revelar a natureza da discriminação, que é a ignorância e o desprezo gratuito a um determinado grupo de pessoas. Vivemos em uma sociedade feudalizada, espaços públicos restritos, e essa tentativa de desfeudalizar é reprimida com violência verbal e física. O que são os rolezinhos se não uma reunião de pessoas? Porque o fato de marcar um encontro pela internet precisa ser criminalizado da forma como está sendo? Isso não precisa e nem deve virar caso de segurança pública simplesmente porque não é”, entende.

Shopping

Em nota a assessoria de Comunicação Social do Shopping Jardins informou que “a administração do shopping tem acompanhando atentamente o assunto, inclusive mantido conversas com os órgãos públicos. É importante destacar que o empreendimento confia nas autoridades competentes para que as medidas adotadas neste momento sejam as melhores possíveis para todos os envolvidos”.

Movimento

O Rolezinho iniciou em dezembro do ano passado em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, como encontros de jovens, marcados pela Internet com o intuito de se divertirem em shopping centers. Inicialmente convocados por cantores de funk, estão sendo organizados em várias partes do país. O objetivo inicial seria a luta contra a discriminação racial. Por conta da violência nos centros de compra, administradores de shopping-centers estão entrando na Justiça, visando barrar o movimento.

Por Aldaci de Souza

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