Decisão sobre fim do diploma é recebida com tristeza

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A decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 17, extinguindo a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo está sendo considerada como retrógrada. Ela foi recebida com infelicidade por representantes de vários setores que contemplam a classe profissional de Aracaju (SE).

Jornalistas e estudantes mostram-se indignados não só com a determinação, mas com a incerteza que cerca o futuro de uma carreira que exerce grande poder e influência na sociedade.

O jornalista e proprietário do “Jornal O Dia”, Elenilton Pereira, vê a decisão do Supremo com preocupação. “Lidamos com notícias de interesse coletivo. A informação é uma grande arma de quem a possui. Não se pode dispensar, assim, a especialização para manejá-la”, revela.

Ainda de acordo com ele, na sua empresa, nada vai mudar. “Continuarei a exigir formação. Não acredito que mude muita coisa nos jornais de pequeno porte. Nos grandes talvez seja diferente. Não creio que haja uma intenção geral em contratar profissionais desqualificados”, explica.

A luta por uma nova regulamentação

De acordo com o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe (Sindijor-SE), George
Elenilton Pereira avisa que não deixará de contratar profissionais para o seu jornal
Washington, o detalhe mais grave é que o critério definidor do jornalista deixa de ser a Universidade e passa a ser aquilo que os donos dos meios de comunicação considerarem.

“O grande empresariado está com a faca e o queijo na mão. Já conseguiram derrubar a proposta do Conselho Federal dos Jornalistas, a Lei de Imprensa, e, desde 2001, culminando com o momento presente, o fim da obrigatoriedade do diploma”, ressalta.

Ainda segundo ele, a representação sindical não será enfraquecida. “Existem outras ações de luta. Uma delas é tentar uma nova regulamentação ou no Congresso Nacional ou via Executivo Federal”, diz.

O futuro dos cursos e faculdades

A reavaliação que o Ministério da Educação (MEC) faz do currículo dos cursos é apontada pelo líder sindical como uma saída para o futuro dos cursos. Mesmo assim ele prevê o fim de alguns. “Algumas instituições provavelmente podem fechar os cursos, ou esperar uma posição do MEC. Há a possibilidade dele ser transformado em pós-graduação ou em técnico”, avisa.

Já a coordenadora adjunta do curso na Universidade Tiradentes (Unit), Valéria Bonini, mostra-se mais otimista. “A decisão do STF é lamentável, mas acreditamos que o mercado reagirá de diferentes formas. As empresas continuarão a contratar os profissionais gabaritados”, diz.

Ela ainda revela que a procura pelo curso não deve diminuir. “Fechamos uma nova turma [no último vestibular] e ainda temos oito com a graduação em andamento”, conta.

O professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Carlos Franciscato, classifica a decisão como um retrocesso. De acordo com ele é cedo para prever os impactos, pois há alguns anos uma
George Washington diz que a luta pela regulamentação partirá para os poderes Legislativo e Executivo
liminar já suspendia a regulamentação e isto não trouxe grandes transformações. “Há uma repercussão que ainda não sabemos qual é. O horizonte é criar regras que façam as organizações buscarem aqueles que são qualificados”.

A opinião da editora do Portal Infonet, Raquel Almeida, sobre a decisão do Supremo em extinguir o diploma é análoga à do professor. Ela comenta que os jornalistas acreditavam tanto no discernimento do Supremo que não viam esta possibilidade.
“Agora é difícil acreditar no que aconteceu. Creio que veículos de comunicação sérios irão contratar somente profissionais diplomados. É necessário que o profissional tenha teoria e técnica para desempenhar o seu trabalho com qualidade no dia-a-dia. Ao contrário do que eles legitimam, em nosso país existe liberdade de expressão e qualquer pessoa pode exprimir a sua, seja em entrevistas, blogs, artigos, denúncias”, diz.

Outro argumento usado pelos ministros que a editora não concorda é que “existem muitos profissionais desqualificados”. “Em toda a área existem profissionais bons e ruins, mas não é motivo para acabar com o diploma. Muitas profissões estão tentando se profissionalizar, ter sindicato e legislação, a exemplo de publicidade e informática, mas a profissão de jornalista, após esta decisão, está na contramão”, conclui.

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