Delegada critica nota de Associação de Cabos e Soldados

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Georlize Teles: “acirramento de posturas não é bom pra ninguém”
Em entrevista ao jornalista Paulo Sousa, no Programa Comércio em Debate da Rádio Comércio, a delegada Georlize Teles, titular da Delegacia de Atendimento a Grupos Vulneráveis, e ex-secretária de Segurança Pública, criticou a posição da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar, que em nota afirmou que o cabo Jailton Batista não teve a mesma atenção dada ao desembargador Luiz Mendonça.

A ex-secretária de Segurança Pública afirmou que a Associação de Cabos e Soldados se precipitou e fez uma avaliação equivocada. “Entendo e aí essa afirmativa eu faço com tranqüilidade, por que o desembargador não foi socorrido por nenhuma força policial, foi socorrido por pessoas do povo que passavam pelo local. É muito complicado você aferir que houve diferenciação. Eu tenho o maior respeito à Associação de Cabos e Soldados. Me parece que não é bom pra ninguém qualquer acirramento de posturas que diferencie instituições”, explicou à delegada.

A delegada afirmou que ao chegar ao local do crime, populares denunciaram a demora no atendimento prestado pelo Samu. Diante do desespero, ela determinou que os policiais conduzissem o cabo ao hospital. “É Jailton, ele está vivo, vamos levar para qualquer hospital, depois a gente ver a forma de pagamento, mas depois pedi que levassem para o Hospital João Alves, que é o que tem a melhor estrutura”, enfatizou Georlize, acrescentando que o Samu, segundo os populares, demorou no socorro ao PM.

“Todos que estavam ali diziam: e esse Samu que não chega, nós acionamos, fulano acionou, e ele fica perguntando detalhe demais, a gente fica tendo que dizer a cor da roupa. Então, havia uma revolta generalizada no cenário do crime das pessoas que ali se encontravam. Por essa revolta é que a gente pode imaginar ou deduzir que houve alguma demora”, concluiu.

Atentado

A ex-secretária de Segurança Pública afirmou que a tentativa de assassinato contra o presidente do TRE, se constitui numa tentativa de se desestabilizar o Estado Democrático de Direito. “É uma ousadia, um abalo institucional, então isso é preocupante. É preciso que o Estado brasileiro dê a resposta adequada, e a resposta adequada passa pela identificação e responsabilização dos infratores, dos criminosos. Não é por que foi o doutor Luiz Mendonça, mas é por que foi o cidadão que representa o Judiciário, um poder essencial para que o Estado brasileiro continue servindo e protegendo o seu povo”, afirmou.

Georlize afirmou que a polícia deve apurar o caso sem descartar nenhuma possibilidade. A delegada disse acreditar que Floro Calheiros seja o principal suspeito, mas defendeu a apuração de todas as possibilidades. “A polícia tem que trabalhar com todas as vertentes, as possibilidades mínimas. Claro que o Floro é um foragido pela polícia brasileira, mas nesse caso específico do desembargador Luiz Mendonça, não podemos trabalhar, enquanto policiais, com única frente, por que se a polícia se limita em trabalhar com uma única frente, ela acaba deixando de ver outras possibilidades, e às vezes o próprio infrator, o próprio criminoso se vale disso achando que quando ele cometer aquele crime, o primeiro foco vai ser um outro e não se vai ter um olhar voltado pra outras possibilidades”, esclareceu Georlize, enfatizando que a polícia sergipana não deixou até hoje de apurar nenhum crime de repercussão com a identificação de seus autores.

A delegada concluiu a entrevista afirmando não acreditar que o crime tenha algum envolvimento político, mas alertou que é uma possibilidade que não deve ser descartada. “Não se pode desprezar essa possibilidade, até por que a gente sabe que na esfera jurídica há os diversos recursos que podem ser impetrados, que os advogados têm a sua disposição para recorrer, de alguma forma modificar, revisar as sentenças prolatadas pelo TRE sergipano. Então acho uma das linhas de investigação que tem menos probabilidade, mas repito que a polícia não deve desprezar qualquer linha investigativa, concluiu.

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