Depressão: doença ou estado de espírito?

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O início de mais um dia nem sempre é visto com o otimismo de perceber que a vida continua. Para uma pessoa com depressão, esse é um momento delicado, é quando se percebe que 24 horas se passaram e ainda não reconquistou a vontade de continuar vivendo. As cores já não existem, o sol não brilha mais e o que antes era belo, se tornou sem graça. Levantar da cama é sacrifício, manter o contato social é praticamente impossível e o único sentimento existente é a tristeza, misturada com desânimo e expressada através das lágrimas, que já não conseguem ser contidas. Tudo isso atribulado com uma série de fatores que levam a pessoa com depressão ao fundo do poço, onde o retorno à superfície, se torna uma árdua batalha a ser enfrentada.

Depressão é uma palavra freqüentemente usada para descrever nossos sentimentos no momento em que estamos “pra baixo”, mas saber discernir quando é apenas um estado de espírito ou um evento psiquiátrico, é de suma importância para combater a doença que, assim como outra qualquer, exige tratamento. Muitas pessoas pensam estar ajudando um deprimido ao incentivarem, ou mesmo cobrarem, tentativas de reação, como procurar se divertir. Agindo dessa forma, ao invés de ajudar o doente, essa pessoa só estará atrapalhando uma futura recuperação. É importante frisar que o portador de depressão não está apenas triste, e sim doente. Neste caso, o correto é aconselhar a procurar um profissional quando perceber que aquela inércia não é apenas desânimo.

Os sintomas da depressão são muito variados, indo desde as sensações de tristeza, passando pelos pensamentos negativos até as alterações da sensação corporal, como dores e enjôos. Contudo, para se fazer o diagnóstico é necessário um grupo de sintomas centrais, como: perda de energia ou interesse; humor deprimido; dificuldade de concentração; alterações do apetite e do sono; redução do ritmo na prática de atividades físicas e mentais; e sentimento de pesar ou fracasso, sempre associado a algum problema. Os sintomas corporais mais comuns são sensação de desconforto no batimento cardíaco, constipação, dores de cabeça, dificuldades digestivas. Alterações bruscas com relação a melhoria do estado e recaída são comuns, o que cria a falsa impressão de que a doença está se abrandando sem a necessidade de tratamento.

Geralmente tudo se passa gradualmente, não necessariamente com todos os sintomas simultâneos, aliás, é difícil perceber todos os indícios ao mesmo tempo. Até que se faça o diagnóstico, praticamente todas as pessoas com depressão possuem explicações para o que está acontecendo com elas, julgando sempre ser um problema passageiro. “Nem sempre o deprimido apresenta características peculiares. Às vezes ele leva um ritmo de vida normal, trabalhando, saindo, enfim, uma vida social normal, sendo que sua única vontade é de voltar para casa e dormir”, explica a psicóloga Maria Cristina Cavalcante de Carvalho, 

“Depressão é uma doença sim e precisa ser tratada” (Maria Cristina Cavalcante de Carvalho)

Apesar do estado do deprimido ser praticamente relacionado à tristeza e desânimo, existe um estágio da doença que é bastante comum e que, às vezes, é confundido com características de personalidade, é o chamado transtorno afetivo bipolar – qualificado pela alternância de fases deprimidas com maníacas, de exaltação, alegria ou irritação do humor. “O transtorno persistente da disposição é um quadro depressivo onde a variação do ânimo do indivíduo acontece com bastante freqüência e de forma grave. A depender da visão do quadro, a situação pode ser grave ou não, variando de como a pessoa manifesta isso e do contexto que isso tem por detrás. Por exemplo, se a pessoa exerce um cargo de chefia, essa modificação brusca de humor vai influir em seu trabalho e pode ser agravada pelo fato da grande quantidade de responsabilidades a serem exercidas” descreve Maria Cristina.

A causa exata da depressão permanece desconhecida. A explicação provavelmente mais correta, é o desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. Esta afirmação baseia-se na comprovada eficácia dos antidepressivos. O fato de ser um desequilíbrio bioquímico não exclui tratamentos não farmacológicos. O uso continuado da palavra pode levar a pessoa a obter uma compensação bioquímica, apesar disso nunca ter sido provado. Segundo Cristina, o que normalmente pode parecer um problema bobo, para algumas pessoas é tido como motivo para não querer mais viver. Isso depende da forma como a pessoa reage aos problemas e até mesmo de uma remota predisposição à depressão.

Eventos desencadeantes são muito estudados e, de fato, encontra-se relação entre certos acontecimentos estressantes na vida das pessoas, dando início a um episódio depressivo. Contudo, tais “momentos” não podem ser responsabilizados pela manutenção da doença. Na prática, a maioria das pessoas que sofrem um revés se recupera com o tempo, mas se esses contratempos da vida provocassem a depressão em todas as pessoas a eles submetidos, todos os seres-humanos estariam deprimidos, e não é isto o que se observa. Os episódios estressantes provavelmente disparam esse transtorno mental nas pessoas predispostas e mais vulneráveis. Perda de pessoa querida ou de um emprego, mudança de habitação contra vontade e doença grave, são exemplos de momentos estafantes na vida de uma pessoa. Mas, no entanto, não são consideradas como eventos fortes o suficiente para desencadear a doença. O que torna as pessoas vulneráveis ainda é objeto de estudos. A influência genética, como em toda Medicina, é muito pesquisada. Trabalhos recentes mostram que mais do que a influência hereditária, o ambiente durante a infância pode predispor mais as pessoas.

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