Dia Mundial das Crianças – Estrelas em tempo de inverno

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Foi instituído em 1950 que no dia 1° de junho seria comemorado o Dia Mundial da Criança. Para esta data não passar em branco, o Portal InfoNet publica um artigo do escritor Gustavo Aragão que tem por objetivo incitar a reflexão em torno do tema da violência contra as crianças.


Estrelas em tempo de inverno

O espírito pueril ilumina o mundo, e a violência (uso da força no intuito de ferir) deixa ou não marcas evidenciadas, que muitas vezes recostam-se no íntimo destes seres vulneráveis, em formação. E assim a infância, eldorado dos homens, se envolve em espessa nuvem de pesar. Murros, tapas, agressões com diversos tipos de objeto, queimaduras, abandono: são palavras e atos, que se tornam verdadeiros açoites a vergastar a vida dos que deles são vítimas, muitas vezes silenciosas. Palavras e atitudes, que incitam nos impotentes a indignação, a tristeza…

A cada minuto inúmeras crianças são o alvo de agressões no seio familiar. É comum a violência manifestar-se através de ameaças, humilhações, privações, dentre outras maneiras. Há pais que deixam seus filhos sem os cuidados que são necessários ao processo de desenvolvimento de todo e qualquer ser em formação: carinho, atenção, higiene, alimentação adequada e saudável, respeito, amor.

É fato recente, que uma criança recém-nascida fora colocada num saco plástico amarrado a uma madeira e abandonada no leito de uma lagoa em Minas Gerais, a madeira fez com que o plástico flutuasse com a criança dentro para que ela não pudesse se afogar.

Porém, esta situação criminosa e indigna não se firma como sendo uma prática contemporânea e nem como algo que, sempre, advém da situação de pobreza ou miséria pela qual muitas famílias brasileiras passam. Não se sabe o que se passa na cabeça de uma mãe ou um pai que comete uma ação tão calculista, fria e indigna como esta.

Há ainda crianças que sofrem uma das piores formas de violência existente: o abuso sexual, dentro de casa, muitas vezes praticado por parentes, ou pior ainda, quando praticados pelos próprios pais. O abuso sexual acarreta uma série de transtornos de cunho psicológico, que acompanharão o ser abusado por toda vida.

Os diversos tipos de agressão aqui apresentados em sua maior parte acontecem no âmbito doméstico, portanto tornam-se difíceis de serem detectados e solucionados. O contexto presentado em cada caso, é extremamente delicado, pois envolve laços de carinho, amor, dependência. Por isso, são situações que devem ser encaradas com muita seriedade, sensibilidade, para que não possam desencadear novas agressões, ainda piores.

Os menores, vítimas destes crimes, somem como a sombra na noite e murcham como a relva em tempo de rigoroso inverno.

Por Gustavo Aragão

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