Efetivo policial assusta moradores

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Carros concentrados antes da entrada do loteamento (Fotos: Portal Infonet)
O processo de derrubada das casas no loteamento Riacho do Cabral, no bairro Bugio, chamou a atenção não apenas dos moradores que tiveram suas casas derrubadas, mas de todos os moradores do bairro que presenciaram uma verdadeira tropa policial.

Mais de cinco viaturas da Polícia Federal, inúmeras viaturas da polícia Militar, Polícia Montada, Policiais do Exército, além do Corpo de Bombeiros acompanharam o trabalho do representante da Secretaria do Patrimônio da União (SPU).

A quantidade de policiais revoltou a população, que reclamava a falta de segurança nos dias normais. “É impressionante como aparece policial para assegurar a

Polícia Federal também esteve na derrubada das casas
tranquilidade das autoridades, mas no dia que o pobre precisa da presença da polícia, não aparece ninguém para nos ajudar”, desabafava a moradora Eronilce de Santana Souza.

Para Eronilce a quantidade de policiais foi desnecessária, tendo em vista que em nenhum momento os moradores do local realizaram manifestações arbitrárias. “Buscamos todos os meios legais. Alguns moradores procuraram uma advogada para tentar suspender a ação e hoje aparece esse povo todo aqui como se agente fosse bandido”, lamentou.

Para o morador do bairro Salatiel Luiz José de Lima a atitude das autoridades foi desrespeitosa. “Isso é no mínimo uma covardia. Só faltaram chegar aqui de

Salatiel diz:”Só faltaram chegar de cacetetes em punho”
cacetes em punho baixando o “sarrafo” no povo. Porque o governador e o prefeito não vieram também para ajudar a destruir as poucas coisas que o sergipano pobre e mais carente tem?”, questionava indignado o morador.

Salitiel ainda ressaltou que a área de preservação permanente só é cobrada da população carente. “Nós temos aqui o Shopping Riomar, construído dentro de uma área que era mangue; diversos prédios que ligam a 13 de julho e o Jardins foram erguidos dentro do que era mangue; a Igreja Quadrangular que foi construída na área do Tramandaí, que também é de preservação permanente. Mas as ações judiciais só recaem sobre os mais fracos. É esse tipo de Justiça que temos no nosso Estado? Hoje eles estão enterrando aqui anos de trabalho de um povo que é sofrido”, lamenta Salatiel.

Polícia Montada também foi solicitada
Ação

A derrubada teve início nesta terça-feira, 11, e seguirão até a próxima quinta-feira, 13, quando 34 casas deverão ser demolidas. Na audiência do último dia 3 de janeiro, para decidir o destino de imóveis localizados em toda a área de manguezal do Riacho do Cabral, a juíza federal Telma Maria dos Santos decidiu pela derrubada das casas que foram construídas após a notificação da liminar proferida em setembro do ano passado. As famílias que moram no local antes do pedido da liminar aguardaram a decisão final da Justiça.

Por Alcione Martins

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