Eletronuclear comenta artigo do deputado Wanderlê sobre Usina Nuclear

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A assessoria da Presidência da Eletronuclear encaminhou à redação do Portal Infonet alguns esclarecimentos sobre Usina Nuclear. O que motivou a empresa a enviar o documento foram as afirmações feitas pelo deputado estadual Wanderlê Dias Correia no artigo ‘Implantação de usina nuclear é um equívoco’, publicado na seção Debate, no dia 01/11/2007.  Segue nota:

* A opção do uso de energia nuclear no país não é uma alternativa equivocada do ponto de vista estratégico para a matriz energética do Brasil Muito pelo contrário. A complementaridade entre energéticos é a única estratégia que dispomos para a otimização do conjugado modicidade tarifária/confiabilidade. O gerenciamento da expansão de Sistema Elétrico é similar ao gerenciamento de uma carteira de investimentos: os princípios da gestão de riscos (confiabilidade) indicam uma tática de diversificação no sentido de garantir a rentabilidade (modicidade tarifária). A necessidade de centrais térmicas para a geração de eletricidade no Brasil, a médio prazo, não é motivada pelo esgotamento do potencial hídrico, mas principalmente  para fazer frente aos riscos hidrológicos. Ela é proveniente da necessidade de regulação do Sistema que não vem conseguindo, sob o aspecto do licenciamento ambiental, aprovações para construir os grandes reservatórios plurianuais que serviam para regulá-lo. A desejável expansão da contribuição de outras fontes renováveis, como eólica, solar e biomassa, não reduzirão a necessidade da complementação térmica, já que todas as fontes renováveis dependem dos ciclos da natureza e requerem tal complementação para os períodos em que não estão plenamente disponíveis. 

* No que se refere à construção de outras centrais nucleares no país, existe a previsão, de acordo com o Plano Nacional de Energia 2030 (PNE-2030), de construção de quatro novas usinas nucleares até 2030 além de Angra 3. Duas das novas unidades com potência de 1 mil MW, cada, poderão ser construídas na Região Nordeste e as outras duas no Sudeste (também com 1 mil MW cada). Segundo o estudo, em 2015, o parque nuclear passaria a ter de geração de 4.000 MW. No entanto, ainda não foi feito nenhum estudo detalhado das possíveis localidades que eventualmente receberão essas usinas.

* No contexto mundial, a energia nuclear, após um período de estagnação na construção de novas usinas nos países industrializados, começa a mostrar sinais de uma revitalização. Hoje, 17% da energia elétrica no mundo é gerada através de fonte nuclear e este percentual tende a crescer com a construção de novas usinas, principalmente nos países em desenvolvimento (China e Índia, por exemplo). Os Estados Unidos, que possuem o maior parque nuclear do planeta, com 103 usinas em operação, estão ampliando a capacidade de geração e aumentando a vida útil de várias de suas centrais. França, com 58 reatores, e Japão, com 56, também são grandes produtores de energia nuclear, seguidos por Rússia(31) e Coréia do Sul (20). Segundo dados da CEA (Comissão de Energia Atômica da França), alguns países estão desenvolvendo programas nucleares audaciosos. Na China, por exemplo, o aumento de capacidade previsto é de 40 gigawatts (GW) até 2020 e quatro novas usinas nucleares já estão em construção. Já na Coréia, está previsto um incremento de 30 GW até 2015, sendo que cerca de 4.000 MW se encontram em construção e mais 2.000 MW tem seus contratos assinados para o início da construção.

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No tocante aos resíduos das atividades nucleares, existem atualmente tecnologias seguras para o gerenciamento de rejeitos. Os rejeitos sólidos de baixa e média atividades são acondicionados em embalagens metálicas, testadas e qualificadas pela CNEN e transferidos para um depósito inicial, construído no próprio sítio da Central Nuclear. Este depósito é permanentemente controlado e fiscalizado por técnicos em proteção radiológica e especialistas em segurança da Eletronuclear.  Já os elementos combustíveis de alta atividade são colocados dentro de uma piscina no interior das usinas, um depósito intermediário de longa duração, cercado de todos os requisitos de segurança exigidos internacionalmente. 

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Os resíduos nucleares não oferecem risco para as pessoas e o meio ambiente.  O nível de radiação é mantido abaixo dos padrões internacionais que garantem a proteção dos trabalhadores, da população e do meio ambiente. A Eletronuclear faz medições constantes no local e os resultados são avaliados periodicamente pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e por instituições internacionais. Desta forma, a probabilidade de ocorrência de um acidente é muito remota, devido, primeiramente, ao acondicionamento do material. O rejeito é sólido ou solidificado e armazenado em recipientes especiais (tambores de aço, liners, caixas metálicas ou de concreto), no interior da Central Nuclear. Além disso, as embalagens contendo rejeitos são estocadas em depósito confinado, impedindo sua dispersão para o meio ambiente. 

* Em relação às conseqüências do terremoto ocorrido em julho na Central Nuclear de Kashiwasaki-Kariwa, no Japão, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) divulgou relatório, informando que o abalo excedeu significativamente o nível sísmico para o qual as usinas japonesas foram projetadas. Entretanto, os principais sistemas de segurança funcionaram de acordo com o previsto durante o terremoto. A robustez do projeto (margens de segurança), incorporada nas estruturas, sistemas e componentes através de medidas conservadoras no projeto sísmico, explicam porque os danos foram menores do que o esperado. No caso das usinas brasileiras, é importante destacar que Angra 1 e 2 foram projetadas para resistir ao efeito de terremotos, com base em normas internacionais de segurança. A Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto possui uma estação sismográfica para monitoramento local e regional, capaz de registrar terremotos distantes, e uma instrumentação sísmica independente, que permite identificar, analisar e dar alarmes em caso de algum evento significativo. Além disso, a região de Angra dos Reis tem, comprovadamente, uma baixa sismicidade.

* Para a conclusão de Angra 3, são estimados investimentos da ordem de EUR 2,5 bilhões (cerca de R$ 7 bilhões), sendo 70% destes gastos a serem efetuados no mercado nacional. Os recursos serão provenientes, principalmente, da Eletrobrás e de financiamento do BNDES.

* No trecho que em o professor cita que a “energia nuclear é incompatível com a vida”, é importante informar que a energia de origem nuclear é, hoje, a forma de geração de eletricidade, em larga escala, que menos causa impacto ao meio ambiente. Usinas nucleares como as de Angra funcionam em áreas relativamente pequenas, não liberam gases que provocam aquecimento da atmosfera e todos os seus resíduos são mantidos em instalações sob monitoramento permanente.

Atenciosamente

Gloria Alvarez
Assessora da Presidência da Eletronuclear “

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